Querendo contar a novidade de uma forma especial, ela imaginou o quanto seu marido, Aiden Miller, o alfa da Matilha Lua Vermelha, uma das maiores matilhas da região norte, ficaria feliz.
No entanto, o vasto território era cercado por fronteiras perigosas, infestadas por renegados dispostos a despedaçar qualquer um que se aproximasse demais.
Após se afastar da janela, Amelia chamou as empregadas para ajudar a decorar seu quarto. Quando terminaram, ela abriu um sorriso de satisfação.
Em seguida, ela foi para a cozinha preparar a comida favorita de Aiden, que por coincidência também era a de Eva.
Sua filha era tão parecida com o marido... Ao se lembrar disso, ela abriu um sorriso novamente.
"Luna, não precisa se dar ao trabalho de cozinhar. Posso preparar o que a senhora quiser", disse Elena, a cozinheira.
Se virando para ela, Amelia sorriu. "Vou cozinhar para nós hoje à noite, Elena. Tire o dia de folga e descanse um pouco."
"Obrigada, Luna. O Alfa vai ficar muito feliz quando souber que foi você quem preparou o prato favorito dele. Ele não costuma comer muito, mas quando é sua comida, ele não consegue parar de comer", disse Elena.
Ao ouvir isso, Amelia corou, sabendo que Elena estava certa. Aiden adorava sua comida, e isso sempre foi assim.
Após terminar de preparar o jantar, ela voltou para o quarto.
De repente, sua filha entrou pela porta com sua babá, Octavia.
"Mamãe!", exclamou a garotinha, correndo para seus braços.
"Ah, minha Eva", Amelia sorriu, beijando suas bochechas e acariciando seus cabelos.
"Boa noite, Luna", cumprimentou Octavia.
Amelia suspirou suavemente enquanto colocava Eva no chão. "Octavia, já te disse várias vezes para parar de me chamar de Luna. Me chame pelo meu nome."
"Vou tentar", disse Octavia, percebendo o quanto Amelia parecia feliz hoje. "Vou ajudar Eva a trocar de roupa", acrescentou ela antes de sair do quarto.
Após ir ao banheiro e tomar um banho, Amelia vestiu algo elegante. Depois, ela ficou esperando seu marido no quarto.
Mas, ao abrir os olhos novamente, ela soltou um gemido suave, percebendo que havia cochilado no sofá.
Quando ela verificou seu celular, viu que já era 00h30.
Aiden nunca havia chegado em casa tão tarde.
Devido aos problemas no perímetro da matilha e às exigências de administrar a empresa, Aiden costumava trabalhar até tarde, mas sempre chegava em casa cedo o suficiente para passar um tempo com Eva, mesmo quando tinha que continuar trabalhando em casa depois.
O tique-taque do relógio soava ensurdecedor. Preocupada, ela tentou ligar para ele, mas não houve resposta. O número dele não estava chamando.
Então, ela ligou para o escritório dele, mas descobriu que ele não havia aparecido lá o dia todo.
Para onde ele foi?
Ela estava muito preocupada.
De repente, ela ouviu o som de um carro chegando na casa da matilha. Ela sentiu um alívio quando a porta se abriu e o aroma familiar do seu companheiro encheu o quarto.
Seu coração disparou. Animada com a ideia de finalmente poder lhe dar a boa notícia, ela correu até ele.
Sob a luz fraca, ele continuava tão bonito quanto sempre.
"Por que ainda está acordada a essa hora?", ele perguntou friamente, se afastando dela e largando sua mala no chão.
"Ele deve estar cansado do trabalho", ela pensou, sem deixar de sorrir.
"Fiquei preocupada com você. Você parece cansado", disse ela gentilmente, enquanto o ajudava a tirar o casaco e afrouxar a gravata.
"Amelia, precisamos conversar", disse Aiden, parou por um momento ao notar o quanto o quarto estava decorado. Será que havia alguma data especial que ele não estava sabendo?
Ele não perguntou, pois tinha algo mais urgente a dizer.
"Claro. Vou preparar um banho quente para você e depois podemos conversar. Também tenho algo para te contar", disse ela, indo para o banheiro.
"Não precisa. Quero conversar agora", ele interrompeu.
Ao ouvi-lo, ela parou, sentindo que algo estava errado. A expressão dele era indecifrável, cautelosa e fria. Sendo sua companheira, ela não conseguia nem mesmo perceber seus pensamentos com clareza.
Será que era sobre o ataque dos renegados de alguns dias atrás? Ela achava que essa questão já havia sido resolvida.
"O que houve, Aiden? A matilha foi atacada novamente?", ela perguntou, com a voz carregada de preocupação.
"Não, não é isso..."
"Então o que é?", ela insistiu.
Após encará-la por um longo momento, ele lhe entregou um documento.
Quando ela o abriu, se deparou com um ACORDO DE DIVÓRCIO.
Seu coração afundou.
"Aiden...", ela sussurrou.
"Mas por quê?"
Olhando nos olhos dela, ele respondeu: "Sofia voltou."
"Sofia? Sua ex? O que ela tem a ver com isso?", ela perguntou, confusa.
"Na noite em que descobrimos que éramos companheiros, você me seduziu para dormir com você. Sofia foi embora quando descobriu que você estava grávida. Ela foi meu primeiro amor, e quero voltar para ela."
"Aiden... mas sou sua companheira, escolhida pela Deusa da Lua..."
"Que se dane a deusa. Que se dane você ser minha companheira. Meu pai nunca se casou com sua companheira e mesmo assim criou um alfa poderoso como eu. Quero o divórcio, Amelia. E isso é definitivo."
Suas palavras a atingiram como um raio.
Amelia havia se apaixonado por Aiden na faculdade, embora ele tivesse uma namorada, Sofia. Mas quando eles descobriram que eram companheiros destinados, se casaram imediatamente.
"D... divórcio?", ela perguntou, embora o documento na sua mão já confirmasse isso. Suas mãos tremiam.
"Sim, Amelia. Esse casamento foi um erro", disse ele, com a voz gélida.
Atônita, ela o encarou.
"Não fiz nada além de te amar. Acordo cedo para preparar sua comida, cumpro minhas obrigações como Luna. O que fiz de errado?" Sua voz estava embargada, e seus dentes batiam enquanto as lágrimas caíam.
"O que fiz? Onde errei?", ela sussurrou, caindo no chão em prantos.
Ela havia deixado tudo para trás por Aiden, sua família, seu orgulho, sua casa, e era assim que ele a recompensava.
"E Eva?", ela perguntou em meio às lágrimas.
"Eva continua sendo minha filha. Ela ficará aqui comigo. Você irá embora. Tudo está detalhado no acordo", disse ele.
Após dizer isso, ele saiu, a deixando ali sozinha e arrasada.
"Não... isso é um sonho", ela sussurrou, tremendo.
Nesse momento, alguém bateu na porta.
Ela tentou responder, mas nenhuma palavra saiu.
"Luna, Eva está te chamando. Ela não consegue dormir... acho que ela está com febre alta", disse a voz de Octavia.
Amelia se levantou rapidamente, enxugou as lágrimas e correu para o quarto da filha.
Eva estava deitada na cama, com os olhos arregalados e o corpo em chamas.
"Eva, querida", ela chamou.
"Mamãe", sussurrou a menina enquanto Amelia se sentava ao lado dela.
As lágrimas voltaram a cair enquanto ela acariciava a testa quente da filha.
Eles eram uma família feliz de três, que em breve seria de quatro, e agora Aiden queria o divórcio? Que patético.
"Você está queimando em febre", disse ela em pânico, correndo para o banheiro para pegar uma toalha molhada e colocá-la na testa de Eva.
"Octavia, vá chamar Aiden. Precisamos levar Eva para o hospital", ela ordenou.
No entanto, Octavia voltou momentos depois.
"O Alfa Aiden não está em lugar nenhum. Ele saiu de casa."
Continua...