O nome circulava nas redes de sussurros clandestinas do Upper East Side há meses. Um playboy escandaloso. Deserdado por metade da família. Havia rumores de que estava profundamente endividado com as pessoas erradas, ou talvez tentando esconder uma sexualidade que o faria ser cortado do resto de sua herança. Os rumores diziam que ele estava desesperado por uma fachada. Uma cobertura.
Ela encontrou o contato de um escritório de advocacia discreto que lidava com "gerenciamento de reputação sensível".
Ela digitou rapidamente, seu coração martelando contra as costelas como um pássaro aprisionado.
Solicitação: Negociação de Contrato Urgente. Cliente: Jocelyn Wolfe.
Ela apertou enviar.
Ela olhou para seu reflexo no vidro escuro da janela. Seu cabelo estava bagunçado, seus olhos contornados de vermelho, mas sua mandíbula estava firme.
"Chega de tapa-buracos", ela sussurrou para o quarto vazio.
A vibração do celular contra a mesa de cabeceira de mogno não era um zumbido suave. Era uma broca, perfurando o silêncio do quarto de hóspedes às 6:00 da manhã.
Jocelyn Wolfe apertou os olhos com força, desejando que o barulho desaparecesse, mas o zumbido persistiu, fazendo vibrar o copo d'água que ela havia deixado ali na noite anterior. Ela se virou, os lençóis caros de algodão egípcio se enrolando em suas pernas. Estavam frios. Tudo na cobertura de Kieran Douglas parecia frio, projetado para a estética em vez do conforto.
Ela estendeu a mão, seus dedos tateando até encontrarem o metal liso de seu smartphone. Ela semicerrou os olhos contra a luz azul e forte da tela.
Não era um alarme. Era uma enxurrada.
Notificação após notificação se empilhava como tijolos na tela de bloqueio. Twitter. Instagram. Apple News. E bem no topo, a faixa vermelha de um alerta do Page Six.
Magnata da Tecnologia Kieran Douglas Estreia Romance com Aspen Schneider.
A respiração de Jocelyn prendeu na garganta, uma dor aguda e física que irradiava de seu peito para o estômago. Seu polegar pairou sobre a notificação. Ela não queria abrir. Sabia o que veria. Mas seu corpo a traiu, seu polegar tocando o vidro antes que seu cérebro pudesse gritar para parar.
A foto carregou lentamente no Wi-Fi da cobertura.
Era de alta resolução. Alta demais. Ela podia ver o suor na testa de Kieran, o flash das lâmpadas dos paparazzi refletido em seus olhos. Ele estava em Paris. Havia dito a ela que estava em San Francisco para uma reunião do conselho.
Mas não foi o rosto de Kieran que fez o estômago de Jocelyn revirar. Foi a mão dele.
Sua mão grande e bem-cuidada estava espalmada possessivamente sobre a cintura de uma mulher em um vestido prateado cintilante. Aspen Schneider.
Jocelyn deu zoom.
Kieran estava sorrindo. Era um sorriso genuíno, do tipo que enrugava os cantos de seus olhos. Ele não olhava para Jocelyn daquele jeito há seis meses. Talvez um ano.
Ela leu a legenda abaixo da imagem. "Douglas se refere à herdeira como sua 'musa de longa data' e 'alma gêmea' na festa pós-desfile da Givenchy."
Musa. Alma gêmea.
Jocelyn se sentou, o quarto girando. Ela não era a namorada. Ela percebeu isso com uma clareza que pareceu um tapa na cara. Ela nunca tinha sido a namorada. Ela era a tapa-buraco. O corpo quente na cama quando ele estava solitário. A assistente eficiente que gerenciava sua agenda e sua libido até que alguém com um sobrenome melhor aparecesse.
Ela jogou as cobertas para o lado. O chão de mármore estava gelado contra seus pés descalços.
Ela andava de um lado para o outro no quarto, suas mãos tremendo incontrolavelmente. Ela se abraçou, tentando manter sua compostura estilhaçada.
Ding.
Uma faixa de mensagem de texto deslizou do topo da tela.
Kieran: Voo pousa às 6. Voo de conexão para LA para a crise na fazenda de servidores. De volta a NY na quinta. Deixe os relatórios trimestrais prontos.
Nenhuma explicação. Nenhum pedido de desculpas. Nenhum "precisamos conversar". Apenas uma ordem.
Ele nem sabia que ela tinha visto. Ou pior, ele não se importava. Para ele, ela era um eletrodoméstico. Uma cafeteira que também fornecia sexo.
Jocelyn parou de andar. Ela encarou o celular, seus dedos tremendo enquanto digitava uma resposta. Seu mentiroso. Seu completo-
Ela parou. Apagou.
Seu polegar pairou sobre a tecla de apagar até que a caixa de texto ficou vazia. A raiva era um luxo que ela não podia se permitir. Ainda não.
O celular tocou em sua mão, assustando-a tanto que ela quase o derrubou. O identificador de chamadas exibia uma única palavra: Mãe.
Jocelyn fechou os olhos, respirando fundo e de forma irregular. Ela atendeu.
"Alô."
"Eu te avisei", a voz de Elouise Stein soou na linha, ríspida e desprovida de calor. Ela não disse alô. Não perguntou como Jocelyn estava. "Eu te avisei que ele não se casaria com uma Wolfe sem um dote."
Jocelyn segurou o celular com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. "Não quero ouvir isso agora."
"Você precisa ouvir", Elouise retrucou. "Você desperdiçou dois anos brincando de casinha com aquele garoto da tecnologia, e agora olhe para você. Humilhada na primeira página de todos os tabloides de Nova York."
"Vou desligar", disse Jocelyn, sua voz vazia.
"A fusão com a Henderson exige uma noiva", Elouise mudou de assunto instantaneamente, seu tom passando de zombaria para negócios. "Você vai voltar para casa. Eu arranjei um jantar."
Jocelyn sentiu o bile subir pela garganta. O Sr. Henderson tinha sessenta e dois anos. Tinha uma risada que soava como uma tosse úmida e mãos que demoravam demais.
"Eu não vou me casar por causa dos seus negócios", disse Jocelyn. "Não sou um ativo que você pode negociar para cobrir seus maus investimentos."
"Então você não fica com nada", ameaçou Elouise. O veneno em sua voz era palpável. "O fundo fiduciário continua bloqueado. O testamento do seu pai foi específico, Jocelyn. Você só recebe o controle dos ativos após o casamento. Até lá, eu sou a executora. E eu digo que você não fica com nada."
Jocelyn ficou imóvel.
O fundo fiduciário. O legado de seu pai. Era a única coisa que poderia tirá-la daquela vida. Era dinheiro suficiente para abrir sua própria empresa, para comprar uma casa, para nunca mais ter que responder a um Douglas ou a uma Schneider.
"A cláusula", sussurrou Jocelyn. "Só diz casamento. Não especifica com quem."
"Não seja estúpida", zombou Elouise. "Você precisa da minha aprovação."
"Não", disse Jocelyn, sua mente a mil. Ela se lembrou do documento legal que havia memorizado anos atrás. "Diz 'casamento legal'. Só isso."
"Você não se atreveria", sibilou Elouise.
"Eu vou me casar", declarou Jocelyn, sua voz se tornando fria, endurecendo como gelo. "Mas não com o Henderson."
"Jocelyn-"
Ela desligou.