Livros e Histórias de Lian Lian Qing Chen
Peão Descartável
A umidade do ar ainda grudava na minha pele depois do banho quando a voz indiferente de Heitor me gelou o sangue: "E daí? Relaxa, Sofia. Não vai acontecer nada." Mal sabia eu que aquelas palavras eram o presságio de um inferno. Horas depois, a tela do celular dele revelou a verdade brutal: "Consegui. Ela é ingênua, caiu direitinho. Fiz o que a Isabela pediu." Eu era apenas uma peça em um jogo cruel, um peão descartável para reatar um relacionamento alheio. A humilhação me atingiu como um soco no estômago. Eu me sentia suja, usada, mas a pior parte era a ansiedade corroendo por dentro, o medo de estar grávida e presa a um monstro. Ele me humilhou publicamente, me expôs à misoginia tóxica de seus amigos, e quando tentei revidar com uma mentira do bem, a situação escalou para uma farsa ainda mais diabólica. Como eu pude ser tão cega? Como pude permitir isso? Mas a inocente Sofia havia morrido naquela noite. Agora, era hora de jogar o jogo com as minhas próprias regras. Eu não só iria embora, como faria com que cada um deles soubesse o preço de brincar comigo.
Minha Liberdade, Sua Punição
Meu marido, Pedro, de repente não se lembrava de mim. Ele parecia um estranho, impaciente e frio, e em poucas horas, nosso certificado de casamento se tornou um de divórcio. Três dias depois, o casamento que planejei por um mês aconteceu, mas a noiva era Sofia, sua ex-namorada. A casa que decorei com tanto carinho, minhas roupas, meus livros e cada memória nossa foram jogados fora como lixo. Ele me forçou a planejar o casamento deles, usando cada detalhe que eu havia sonhado para o nosso, e me humilhava publicamente. A dor e a humilhação eram insuportáveis. Como pude ser tão tola, acreditando na farsa da amnésia? O amor que eu pensava ser real se desfez em cinzas, revelando um jogo cruel de poder e controle. Meu coração, antes despedaçado, se encheu de uma raiva fria e calculista. Eu sabia o que tinha que fazer para revidar na mesma moeda. Quando o reencontrei, agarrei o meu pulso com força, seus olhos vermelhos e furiosos. "Laura, onde você esteve esse tempo todo? Por que não veio me procurar?" Eu fingi estar confusa, recuando com uma expressão de medo e perguntando na defensiva. "Senhor, quem é você? Nós nos conhecemos?"
Meu Marido, Meu Traidor: A Verdade Em Chamas
Estava grávida de oito meses. Numa noite, o cheiro a fumo e o alarme agudo quebravam a paz da casa. Acordei, a garganta a arranhar, o quarto cheio de névoa cinzenta. O fogo estava a consumir a nossa vida. O meu marido, Marcos, gritou um nome. Não o meu, mas o da Laura. A sua amiga de infância, a ex-namorada que nunca nos deixou. Vi-o empurrá-la para fora, para a segurança do relvado. Os nossos olhos encontraram-se através do vidro e do fumo. Ele correu de volta para a casa em chamas e, por um segundo, senti alívio. Mas emergiu de novo, sozinho. Nas mãos, a caixa de joias da mãe e um álbum de fotografias. Ele salvou as memórias da família, mas deixou a sua mulher grávida para morrer. No hospital, ainda convalescente, a família dele tratou a minha dor como capricho. Marcos justificou-se, dizendo que tinha sido "lógico" salvar Laura primeiro. E depois, a pior notícia: o nosso bebé não resistiu. O stress e o fumo foram demais. Marcos disse: "Podemos tentar ter outro." Como se o meu filho fosse um objeto que se partiu e pode ser substituído. Eles cortaram-me financeiramente, tentaram forçar-me a voltar para casa. Como puderam ser tão cruéis? Teria sido um acidente que me custou tudo, ou havia algo mais sombrio? Uma traição talvez, que o fogo convenientemente tentou apagar? Eu sentia-me presa, sufocada pela sua manipulação e pelo peso do luto. Foi então que uma mensagem inesperada da Maria, a empregada dos Almeida, mudou tudo. Marcos não estava no escritório, nem na sala. Ele e Laura estavam juntos, a sair do seu antigo quarto de solteiro, quando o fogo se iniciou. Ele não me abandonou por pânico. Abandonou-me para encobrir a sua traição mais vil. A minha dor tornou-se raiva, fria e implacável. Porque a verdade estava prestes a virar o jogo.
Corações Partidos, Verdades Expostas
A chamada veio às três da manhã. O meu pai teve um ataque cardíaco e estava no hospital. Desesperei-me, agarrei nas chaves, mas lembrei-me que o meu carro estava com o Pedro, o meu marido. Liguei-lhe, a voz sonolenta e irritada. Pedi o carro com urgência. Foi então que ouvi uma voz feminina, abafada, perguntar: "Quem é, querido?". Era a Clara, a minha "melhor amiga". O sangue gelou nas minhas veias. Ele mentiu, disse que estava em "trabalho" em Faro – a cidade natal dela. Depois, desligou-me na cara, abandonando-me no pior momento da minha vida. Mas a sua audácia não parou aí. No hospital, a minha irmã disse que a Clara estava a caminho. Pedro, o meu marido adúltero, enviou a sua amante para se fazer de amiga solidária, encobrindo a sua própria cobardia. Como podiam ser tão desprezíveis? Enquanto o meu pai lutava pela vida, o meu marido e a minha melhor amiga tramavam este teatro repugnante. O vazio da traição e a frieza do desprezo eram insuportáveis, mas a raiva fervia dentro de mim. Quando Clara chegou, com a sua performance de "amiga preocupada", a fachada de hipocrisia desmoronou-se. Ali, na sala de espera do hospital, com o meu pai entre a vida e a morte, eu olhei para ela e para a minha irmã. Ia jogar segundo as minhas regras. E ia expor a verdade, custe o que custar.
A Escolha Que Me Quebrou
Eu contava os dias para a chegada do meu bebé, a nossa vida perfeita parecia finalmente começar. Então tudo desabou. Um nevoeiro, um acidente, e o silêncio no quarto do hospital que confirmava o que o meu coração já sabia: o meu bebé partiu. Liguei ao Leo, meu marido, implorando ajuda. A sua voz foi cortante: "Estou ocupado. O que queres?" Mal sabia eu que ele estava a dezenas de quilómetros, socorrendo a meia-irmã Sofia por um pulso partido, enquanto eu estava sozinha, à beira da morte. Quando o confrontei sobre a sua ausência, ele usou o dever como escudo, mentindo sobre uma emergência na A1. A sua família, liderada pelo sogro Ricardo, pressionou-me a aceitar a "escolha heroica" do meu marido, ignorando a minha dor. Mas o mundo desfez-se e refez-se quando a minha mãe revelou a verdade: o Leo não estava de serviço! Ele estava de folga! A sua "escolha" não foi profissional, mas uma traição pessoal e deliberada. Como ele pôde?! Naquela fria clareza, exigi o divórcio. E, numa última explosão no quarto do hospital, ele proferiu as palavras que me libertaram: "Claro que a escolho a ela! Tu… tu és só a minha mulher!" Eu não lutaria mais por um casamento falido. Eu lutaria pela minha liberdade e por uma nova vida.
