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Meu Vizinho

Meu Vizinho

5.0
11 Capítulo
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Lara Mendes, 21 anos, acreditava que mudar de apartamento seria o começo de uma fase tranquila da sua vida. Mas tudo muda quando conhece o seu vizinho do lado um homem que parece ter sido feito para tirar a sua paciência. Dário Monteiro, 29 anos, é frio, arrogante e irritantemente observador. Desde o primeiro encontro, transforma cada pequeno detalhe da rotina de Lara num campo de batalha silencioso, cheio de provocações, olhares intensos e palavras afiadas. O que começa como irritação constante rapidamente se transforma numa tensão difícil de ignorar. Entre discussões no corredor, encontros inesperados e uma atração que nenhum dos dois quer admitir, a convivência vira uma guerra diária onde nenhum deles parece disposto a perder

Índice

Meu Vizinho Capítulo 1 Olá Nova York

O táxi parou em frente ao edifício e Lara Mendes precisou segurar o queixo para não deixá-lo cair.

Aquilo não era um prédio. Era um monumento. Vinte e tantos andares de vidro e aço, uma fachada que brilhava sob o sol de Nova York, e um porteiro de uniforme impecável que abriu a porta do táxi antes mesmo que ela terminasse de pagar.

Lara saiu do carro com duas malas enormes, uma mochila nas costas e uma caixa de papelão na mão. Seus olhos castanhos percorreram a fachada do edifício com uma mistura de admiração e incredulidade. Ela, uma garota do Texas, filha de um mecânico e uma costureira, estava prestes a entrar num dos prédios mais luxuosos de Manhattan.

- Posso ajudar com a bagagem, senhorita? - perguntou o porteiro, com um sotaque carregado de Nova York.

- Ah, sim, por favor! - Lara sorriu - São só essas duas malas e a caixa. O resto vem amanhã com a mudança.

O porteiro assentiu e pegou as malas com uma facilidade que impressionou Lara. Ela seguiu atrás dele, entrando no saguão.

O lugar era deslumbrante. Mármore branco com veios dourados, um lustre gigante no centro, um balcão de recepção onde um homem de terno a observava com curiosidade.

- Seu nome, por favor? - perguntou o recepcionista.

- Lara Mendes. Apartamento 1402.

O homem digitou algo no computador e depois levantou os olhos.

- Ah, o apartamento do Sr. Mendes. - Ele fez uma pausa. - Você é a neta?

- Sou. - Lara endireitou a coluna. Sabia que não parecia uma herdeira de Manhattan. Estava de calça jeans, tênis e uma blusa azul simples. A caixa na mão tinha escrito "FRÁGEIS Utensílios Da Avó" .

- Bem-vinda - disse o recepcionista, com um sorriso educado. - O elevador é ali. O 1402 fica no final do corredor à esquerda.

- Obrigada!

Lara pegou a mala mais pesada a mochila ainda nas costas e arrastou-se até o elevador. Quando as portas se fecharam, ela suspirou fundo.

- Sozinha. Finalmente sozinha. - Ela se olhou no espelho. Cabelos pretos num coque bagunçado, olhos castanhos brilhando com uma mistura de empolgação e cansaço. Ela tinha 1,56 metro de altura e um corpo curvilíneo que sua mãe sempre dizia ser "de comer com os olhos". Lara nunca ligou muito para isso. Ela era alegre, extrovertida, e as vezes se metia em alguns problemas para ela a aparência era só um detalhe.

O elevador subiu em silêncio. As portas se abriram no décimo quarto andar, revelando um corredor silencioso e elegante. Carpete cinza, paredes beges, iluminação suave. Duas portas: 1401 e 1402.

Lara arrastou a mala até a porta da direita, enfiou a chave na fechadura e abriu.

O apartamento era lindo.

Paredes brancas, piso de madeira clara, uma sala ampla com janelas enormes que mostravam o horizonte de Manhattan. A cozinha era moderna, com bancada de granito e eletrodomésticos novos. Dois quartos, dois banheiros. Tudo mobiliado com móveis minimalistas que seu avô havia escolhido.

Lara largou as malas no chão e correu para a janela.

- Uau. Uau. Uau. - disse impressionada - Meu Deus - sussurrou.

A vista era de tirar o fôlego. Arranha-céus, o rio ao fundo, o céu azul. Ela encostou a testa no vidro e sentiu os olhos marejarem.

- Vovô, você me deixou um paraíso.

O telefone vibrou no bolso. Era a sua mãe.

- Mãe? Sim, cheguei! - Lara atendeu, ainda olhando para fora. - É lindo, mãe. Perfeito. Você precisa ver isso.

- Filha, você comeu alguma coisa? - a voz da mãe soou preocupada. - Não esquece de fazer um jantar de verdade, hein? Nada de miojo.

- Mãe, eu sei cozinhar! Você me ensinou. - Lara riu. - Vou fazer um jantar digno hoje. Depois de desfazer as malas, claro.

- Bom, toma cuidado. Nova York é perigosa.

- Mãe, eu tô no décimo quarto andar de um prédio de luxo. O único perigo aqui é o preço do aluguel. - Lara riu. - Mentira, é herança. Não pago nada.

A mãe riu também.

- Seu avô sempre foi generoso. - A voz da mãe ficou mais suave. - Ele ia adorar ver você aí, filha.

Lara sentiu um nó na garganta.

- Eu sei, mãe. Eu sei.

Desligaram com a promessa de se falarem no dia seguinte.

Lara começou a desfazer as malas. Roupas no armário ela tinha levado pouca coisa, afinal, seu guarda-roupa não era exatamente digno de Manhattan. Sapatos organizados na entrada. Produtos de cabelo no banheiro. A caixa da avó foi colocada na estante, dentro havia fotos antigas e algumas porcelanas que a avó colecionava.

Quando terminou, sentiu fome. Foi até a cozinha, abriu a geladeira. Vazia. Suspirou.

- Certo, primeiro jantar em Nova York. Vai ser delivery.

Pegou o celular, procurou um restaurante próximo e pediu uma pizza. Enquanto esperava, explorou mais o apartamento. O segundo quarto era menor, mas com uma vista bonita para o prédio ao lado. Ela imaginou transformá-lo em um home office.

A campainha tocou.

- A pizza! - Lara correu para a porta, abriu com um sorriso. - Oi!

Era o entregador. Pagou, pegou a caixa e fechou a porta.

Sentou no sofá, abriu a pizza, calabresa com cebola e comeu em silêncio, olhando para as luzes de Manhattan através da janela.

Seis meses.

Seis meses desde que o avô partiu. Seis meses de luto, de tristeza, de empacotar sua vida no Texas. Agora estava aqui. Sozinha. Num dos lugares mais caros do mundo.

Lara terminou a pizza, jogou a caixa no lixo e foi tomar banho.

A água quente caiu sobre seus ombros, relaxando os músculos tensos da viagem. Ela fechou os olhos e deixou a mente vagar.

O avô sempre dizia que Nova York era uma cidade de oportunidades. Que ela poderia ser quem quisesse aqui. Que seu talento como designer seria reconhecido.

- Vovô - sussurrou, embaixo da água -, eu vou te orgulhar.

Depois do banho, vestiu um pijama confortável shorts e uma camiseta velha, e deitou na cama. O colchão era macio, os lençóis cheiravam a novo.

Ela pegou o celular, colocou uma música baixinha, um jazz suave que o avô gostava e ficou ouvindo, olhando para o teto.

O cansaço bateu rápido. Lara adormeceu em minutos.

Feliz com sua nova vida.

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