Livros e Histórias de Qi Jia Da Xiao Jie
O Retrato Desbotado do Amor
Minha vida era uma contagem regressiva, uma tela de pintura desbotada, onde eu, Sofia, com meu tempo contado por uma doença terminal, me via aprisionada em um sistema de "coadjuvante trágico". Minha missão? Conquistar o amor de Rafael, o talentoso artista plástico, por quem eu já havia me apaixonado em quatro vidas diferentes - e falhado espetacularmente em todas elas. A última falha foi um golpe devastador: na festa de sua exposição, ele, meu namorado "oficial", jogou o anel que lhe dei no lixo, publicamente, para provar à sua musa, Camila, que eu era apenas um "acessório sem importância". A humilhação e a dor foram insuportáveis. Mas a verdade mais cruel, o segredo que eu guardava a sete chaves, e que destruiu qualquer resquício de esperança, era a lembrança do nosso filho não-nascido, perdido após Rafael me empurrar num acesso de raiva para correr para consolar Camila. Ele nem percebeu a tragédia que causou. Exausta, com o coração em frangalhos e o corpo falhando, eu desisti. Chamei o sistema e pedi para ser levada de volta ao meu mundo, para morrer em paz. Mas quando a luz branca começou a me engolir, um grito desesperado ecoou: "Sofia, não me deixe!". Ele estava lá, correndo em minha direção, um Rafael que eu nunca conheci, com os olhos mareados e o pânico estampado. Ele finalmente me notou, mas era tarde demais. Ou talvez não?
Duas Caras, Uma Traição
Perdi o meu filho Lucas há um ano, e a dor da infertilidade atingiu-me no mesmo dia em que o meu marido, Pedro, me ignorou ao telefone. "Estou ocupado", disse ele, com o som de festa ao fundo. Ocupado a celebrar o aniversário da minha prima Ana. "Nosso sonho!", exclamou ela na gravação que ouvi. Que sonho era esse? Descobri-o ao voltar para casa. Na mesa da cozinha, um bolo da Ana. No guarda-roupa do Pedro, uma caixa de madeira escondida. Dentro, fotos do meu marido beijando a minha prima em Paris – na viagem que ele fez "sozinho para espairecer" após a morte do Lucas. E um teste de gravidez positivo. E sapatos de bebé. Azuis. O meu casamento era uma farsa. A minha prima, grávida do meu marido. O meu filho tinha morrido, e eu não podia mais ter filhos, enquanto eles construíam uma nova família. A minha dor era "drama", mas a traição deles era a cruel realidade. Como é que ele se atreveu? Como puderam fazer isto na minha própria casa? Naquela noite, a raiva salvou-me da agonia. Expulsei-os, as suas malas cheias de mentiras no contentor do lixo. A festa tinha acabado. Agora, o verdadeiro espetáculo ia começar.
A Jornada de Uma Rainha
Dante era meu mundo, meu protetor, meu tudo. Ele me prometeu as estrelas e construiu um jardim suspenso que tocava as nuvens, um amor que era uma lenda. Mas então ele segurou a mão de outra mulher, Lívia, e me olhou como se eu fosse uma completa estranha. "Quem é você?", ele perguntou, e meu mundo desabou. De repente, fui reduzida a uma serva, humilhada e torturada por Lívia, que desfrutava de tudo o que um dia foi meu, enquanto Dante observava, impassível. Minha Árvore dos Desejos foi cortada para sua lareira, e ele não fez nada. Eu não entendia. Como ele pôde me esquecer? Como a devoção mais profunda poderia se transformar em tal crueldade? A cada dia, a dor e a humilhação me consumiam. Até que, em uma noite escura, ouvi a verdade mais cruel: "É para o bem dela. Devo fazê-los acreditar que ela não é nada, que Lívia é tudo. Só assim Elara estará segura." O amor dele não tinha desaparecido, ele me sacrificou. Não para me esquecer, mas para me "proteger" . Mas essa proteção era uma tortura. E a verdade doeu mil vezes mais. Naquele instante, tudo se quebrou dentro de mim. O amor, a esperança, a fé… tudo virou cinzas. Decidi então que não seria mais a vítima. Eu iria embora. Para sempre.
Adeus, Pedro: Minha Vida Começa Agora
Quando o meu voo do Brasil aterrou em Portugal, o meu telemóvel explodiu com mensagens do meu marido, Pedro: "Eva, onde estás? O teu pai precisa de ti." A caminho do hospital, decidi que ia pôr fim ao nosso casamento. A noite anterior, do outro lado do Atlântico, a verdade tinha atingido-me como um raio: Pedro hipotecou a casa da minha avó, o meu único porto seguro, para um negócio falhado com a sua ex-namorada. A sua resposta? Fria e esmagadora: "Estás a brincar? Não sejas infantil. O teu pai está a morrer e tu preocupas-te com isso?" A humilhação apertou-me o peito, mas nada me preparou para o que aconteceu no quarto do hospital. Ele apareceu, desgrenhado, fúria e cinismo nos olhos, ignorando o meu pai no leito de morte para me questionar sobre o divórcio. O meu pai, com o último fio de força, forçou Pedro a sair. Ali, naquele silêncio pós-tempestade, percebi a ironia cruel: o homem que eu desafiei por Pedro há cinco anos, tinha razão. E não só isso. O meu pai, na sua última prova de amor, confessou que sempre soube, sempre desconfiou, e protegeu a minha herança com uma cláusula secreta no seu testamento. Eu tinha perdido tudo: o marido, a casa, a ilusão de uma vida. Mas o meu pai tinha-me dado uma arma. E agora, iria lutar.
Nunca Mais Vítima: A Luta Pelo Meu Filho
No dia em que o meu filho, Leo, completou cinco anos, recebi uma chamada do meu ex-marido. A voz dele cortou-me o coração: "Onde estás? Sabes que dia é hoje? É o dia em que a Ana morreu!" Mal tive tempo de processar, a voz estridente da minha ex-sogra invadiu a linha: "Sua assassina! O teu filho é uma desgraça! Ela morreu por tua causa!" Durante cinco anos, aturei as acusações, a culpa, a tortura emocional. Até o Tiago, o homem que amei, me abandonou, incapaz de olhar para o próprio filho sem ver a tragédia. Eu e o Leo éramos os culpados pela morte da irmã gémea dele, vítima de um acidente fatal enquanto me tentava salvar de um parto complicado. Mas naquele dia, olhando para o rosto radiante do meu filho num parque de diversões, senti que já chegava. O meu filho não era uma desgraça; ele era a minha razão de viver. Decidi que a amargura deles não nos envenenaria mais. Quando o Tiago me intimou, quase à meia-noite, a ir "consolar" a mãe, eu disse não. Pela primeira vez em muito tempo, senti um poder estranho. Mas a minha nova firmeza custou caro: no dia seguinte, um advogado ligou. O Tiago estava a pedir a custódia total do Leo. Ele ia usar o meu filho – o meu mundo – para me punir. Eu, a mãe dedicada, subitamente acusada de instabilidade e negligência. Pânico, raiva, desespero. Mas uma certeza: Nunca, jamais, permitiria que me tirassem o meu filho. Começou a guerra.
