Livros e Histórias de Calv Momose
O Retorno do Herdeiro Traído
A dor veio primeiro. Eu era Miguel Silva, um arquiteto com um futuro brilhante e amanhã seria meu noivado com Ana Clara. Mas no beco escuro, fui espancado e cegado. "É ele mesmo?" uma voz rouca perguntou. "Sim. O noivo. O chefe disse para dar um jeito nele." No hospital, um pesadelo se desenrolou. Ouvi a voz da minha noiva Ana Clara e da minha mãe, Sofia Silva. "O médico disse que ele vai ficar cego para sempre." "É melhor assim. Um cego não pode administrar uma empresa. Um cego não pode ser o herdeiro dos Silva." Minha própria mãe, descartando-me como lixo, planejando passar meu lugar para Lucas, meu irmão adotivo. Ana Clara, cúmplice, aceitou se casar com ele. Meu mundo desabou. Eles me destruíram, me culpavam pelo que eles mesmos fizeram. Eles achavam que me transformaram em um inválido indefeso. Mal sabiam eles que, na escuridão, algo novo estava nascendo. A raiva se transformava em uma fria e dura determinação. Eu não era mais Miguel Silva, a vítima, o cego. Eu era outra pessoa. E eu ia queimar o mundo deles até o chão.
Liberta da Prisão do Amor
Eu fui acorrentada na porta da mansão de Ricardo por três dias e três noites, como um cachorro. O motivo? Minha irmã adotiva, a frágil Sofia, perdeu um broche. E eu fui acusada de roubo. A coleira de metal roçava meu pescoço, deixando a pele em carne viva, e a cada movimento, a corrente batia no mármore, ecoando pela casa que um dia foi meu lar. Lutei, gritei, implorei para Ricardo acreditar em mim: "Ricardo, sou eu, Laura! Me solta! Eu não roubei nada!" Mas ele, o homem que eu amava, que jurou me proteger, apenas me olhava com desprezo enquanto Sofia, a verdadeira manipuladora, sussurrava mentiras em seu ouvido. Fome, sede e humilhação se tornaram meus algozes, e a dor física se somava à da traição. Quando a chuva fria encharcou minhas roupas, e Ricardo me perguntou, friamente, "Você admite?", eu soube que não havia mais esperança. Eu bati minha cabeça na estátua. Caí. Mas antes que a escuridão me engolisse, ouvi o pânico em sua voz, gritando meu nome pela primeira vez em dias. Foi o som da minha liberdade, e eu forjei minha morte, jogando-me no mar tempestuoso. Para ele, eu estava morta. E essa era a única maneira de eu poder viver, de me reerguer, e talvez, um dia, revelar a verdade que ele se recusou a ver.
