Aos 25 anos
Amor certo, Alfa errado
"Diga-me, Violet, por que está gozando nos dedos do irmão da sua amiga, justo quando ela claramente precisa de você?" "Eu...", balbuciei. "Admita. Você gosta disso. Você quer isso." "Eu te odeio!", cuspi, o que só o fez abrir um sorriso. "Mentirosa", ele sussurrou enquanto lambia o polegar sem pressa, me fazendo estremecer. Saí do quarto em fúria antes que fizesse alguma besteira, como tentar bater nele, ou implorar para que ele me lambesse lá embaixo. Provavelmente os dois. --- Violet era a namorada dedicada de Nate por anos, mas ele colocou tudo a perder quando sua amiga de infância, Nicole, reapareceu. Numa reviravolta, Violet não o encontrou com Nicole, pelo contrário, acabou sendo acusada de traí-lo. De coração partido, ela foi embora, apagando cada memória de sua existência da casa e da vida dele. Querendo cumprir seu dever com sua matilha, tentou firmar uma aliança com o implacável Alfa Elijah, que não apenas salvou sua vida uma vez, como também prometeu dar-lhe tudo o que ela desejava. Mas e o preço que ela não tinha certeza se estava disposta a pagar...
Capítulo 1
Violet
"O que a senhorita gostaria de pedir hoje, Violet?", a garçonete me perguntou com um sorriso educado.
Por quinze minutos, fiquei encarando Nate à minha frente, contando quantas vezes seu celular acendeu em vez de seus olhos encontrarem os meus.
O Alfa Nate era o Alfa da Matilha Uivo Noturno e o homem com quem eu me casaria em breve.
Esperei que ele encerrasse a ligação, que olhasse para mim.
Estávamos sentados no restaurante mais chique de Ashville e eu havia feito as reservas com semanas de antecedência em uma tentativa desesperada de reacender nosso relacionamento.
Eu havia me esforçado para me arrumar e cachear o cabelo, mas nada disso foi notado. A iluminação do restaurante fazia as lantejoulas do meu vestido brilharem levemente, e peguei meu reflexo no painel espelhado ao nosso lado.
Eu parecia... esperançosa, esperançosa demais...
"Vou esperar até ele estar livre", eu disse.
"Claro." A garçonete assentiu e se virou para atender aos outros clientes.
Brinquei com meu garfo enquanto olhava ao redor. A algumas mesas de distância de mim, um cara pediu a namorada em casamento em meio a uma explosão de aplausos. Desviei o olhar, piscando para conter o ardor nos meus olhos.
Meu olhar vagou distraidamente, examinando rostos, até que um movimento chamou minha atenção perto da cabine de canto.
A garçonete de antes estava conversando com um cliente.
Não, conversar era dizer o mínimo. Ela estava sorrindo de forma radiante, colocando o cabelo atrás da orelha como se tivesse esquecido de repente como as mãos funcionavam.
A voz dela era baixa, mas sua expressão dizia tudo. Ela estava nervosa e se esforçava muito para agir com naturalidade, mas não conseguia.
Curiosa, deixei meus olhos vagarem para o cliente com quem ela estava falando, um estranho sentado sozinho.
As bochechas dela ficaram rosadas e os olhos se arregalaram, seguidos por aquele tipo de risada que alguém dá quando não sabe mais o que fazer com toda a atenção de repente voltada para si.
O homem permanecia imóvel, relaxado em seu assento.
Sua postura não gritava arrogância, apenas uma confiança silenciosa, como alguém acostumado a ser observado... e que nunca precisava retribuir a energia.
O que quer que ele tivesse dito a seguir a fez congelar por um instante e então, na pressa para assentir e responder, o cotovelo dela esbarrou na bandeja.
O copo de água tombou.
"Ah. Oh meu Deus, desculpe!", ela arquejou e tentou pegá-lo, mas não conseguiu, e a água fria espirrou pela mesa, atingindo o paletó do homem.
Mortificada, ela procurou por lenços de papel, inclinando-se para frente para secar o peito dele, mas ele mesmo já havia feito isso.
O menor vislumbre de decepção cruzou o rosto dela, o que fez um leve sorriso puxar meus lábios.
Fofo, cativante... tudo o que a minha própria noite não era.
Então, infelizmente, ele olhou para cima.
Seu olhar colidiu com o meu, afiado e sem pressa. Ele não pareceu surpreso por me flagrar encarando.
E minha respiração parou por um momento enquanto a garçonete corria em direção à cozinha, com as bochechas queimando.
Nate escolheu esse exato momento para tirar os olhos do celular, seguiu minha linha de visão e enrijeceu. Seu maxilar ficou tenso, e ele murmurou baixinho, claramente acreditando que o estranho não podia ouvir.
"Você está olhando para ele? Logo ele? De todas as pessoas?" Nate zombou.
Sobressaltei-me levemente. "Eu... eu não estava."
Suas palavras foram leves, mas algo por baixo era inconfundivelmente... afiado. Ele estava sendo territorial.
E com ciúmes de um homem com quem eu nunca havia falado.
"Aquele filho da puta arrogante acha que o mundo lhe deve um pedido de desculpas apenas por existir. Uma garota doce como você não tem por que perguntar nada sobre ele."
Eu não havia perguntado nada, mas por um segundo ridículo, meu peito se aqueceu com as palavras "garota doce", mas no instante seguinte, minhas esperanças despencaram ao ver Nate se levantar do assento e gritar com uma voz eufórica.
"Estou esperando por você desde manhã!"
Nate correu em direção à entrada e abraçou a garota que acabara de entrar.
Ela era Nicole, a garota que ele idolatrava muito antes de eu aparecer.
Ela estava usando um vestido vermelho que deixava pouco para a imaginação, e Nate não perdeu um segundo: puxou-a para um abraço.
Não era à toa que ele esteve grudado no celular a manhã toda.
Ele a acompanhou até mim, sua mão descansando na base das costas dela, seu sorriso brilhante de um jeito que eu não via há meses, não direcionado a mim nem uma vez sequer.
"Violet, você se lembra da Nicole, certo? Ela acabou de voltar hoje. Não é incrível?"
Incrível não era a palavra que eu tinha em mente.
Assenti rigidamente. "Oi."
Nicole ofereceu o menor dos sorrisos e imediatamente voltou sua atenção para Nate, sua mão roçando o peito dele como se pertencesse àquele lugar.
Forcei-me a desviar o olhar de Nate e de seu pequeno reencontro perfeito com Nicole, mas a dor pesava no meu peito.
Ele continuava se inclinando para mais perto dela, rindo de algo que ela sussurrou, esquecendo completamente que eu existia.
"Quando você vai perceber que ele não é bom para nós? Dê um fora nele", minha loba, Rain, sussurrou na minha cabeça.
Ela era uma testemunha silenciosa da minha solidão e dor, mas ultimamente havia começado a expressar suas opiniões com bastante força.
Ela vinha me importunando para deixá-lo há séculos, mas meu coração não concordava em terminar um relacionamento tão facilmente.
Irritada, levantei-me do meu assento para dizer algo, mas de repente alguém gritou.
"Ataque de renegados!"
Ataque de renegados em plena luz do dia?
O caos irrompeu quando renegados invadiram pela entrada, virando mesas e arremessando funcionários inocentes que tentavam revidar.
Rosnados e gritos ecoaram pelo ar enquanto minha mão instintivamente procurava a de Nate, apenas para agarrar o ar vazio.
Porque ele já havia começado a fugir com Nicole em direção à porta mais próxima, protegendo-a com seu corpo. Ele nem sequer olhou para mim!
Fiquei paralisada, entorpecida pelo choque.
Algo passou voando por mim e ouvi uma voz profunda e autoritária: "Abaixe-se!"
Antes que eu pudesse reagir, fui empurrada para o lado e uma mesa de vidro se espatifou no exato local onde eu estava de pé.
Senti braços fortes e o cheiro de bourbon envolverem meu corpo enquanto eu era empurrada para trás de uma parede.
Olhei para o meu salvador, que afastou meu cabelo e verificou brevemente se havia ferimentos.
"Fique aqui!" O estranho tatuado falou com uma voz rica e aveludada, o mesmo homem que estivera saboreando sua bebida sozinho.
Quando consegui abrir a boca, ele já havia saído do meu esconderijo temporário e corrido direto para os agressores.
Coloquei as mãos nos ouvidos para abafar o barulho e fiquei atrás da parede, aterrorizada demais para me mover.
Enquanto isso, ele se lançou sobre o grupo, virando mesas para formar barreiras, golpeando com punhos e pés rápidos demais para meus olhos acompanharem.
Sangue espirrou por toda parte, misturando-se com as rosas vermelhas e pintando o chão de carmesim.
Em uma mistura de fascinação e horror, o vi avançar sobre o último renegado que tentou fugir e arrastá-lo de volta pelo colarinho como um vira-lata em uma coleira curta.
No meio de tudo isso, seus olhos voltaram para mim por um breve segundo e se arregalaram.
Eu queria agradecer a ele, mas minha garganta havia secado. Felizmente, sirenes começaram a soar do lado de fora, e paramédicos entraram correndo.
Vi ele parar uma das enfermeiras, apontar na minha direção, me dar um breve aceno com a cabeça e deixar o local com o renegado.
"Senhorita, você está sangrando", a enfermeira disse enquanto me ajudava gentilmente a sair do meu esconderijo.
"Graças a Deus você está bem", Nate suspirou de alívio enquanto vinha correndo na minha direção, com Nicole logo atrás dele.
"Você está machucada. "Vamos te levar ao hospital", Nate acrescentou com uma voz preocupada, seus olhos indo para o meu ombro esquerdo.
Três horas depois, enquanto eu estava sentada no hospital da matilha após o médico enfaixar meu braço, Nate perguntou: "Você está se sentindo melhor agora?"
Alegrei-me com essas palavras simples.
Foi o tom mais suave que ele usou comigo em meses, e o tempo mais longo que seu olhar se demorou em mim.
"Eu não estaria machucada para começar se você não tivesse escolhido sua amiga de infância em vez de mim." Não consegui me conter e afirmei o óbvio.
Mas ele apenas deu de ombros.
"Você foi treinada em combate desde a infância, lembra? Mas a Nicole? Ela não consegue nem machucar uma mosca."
Senti-me animada por ele ter me elogiado e também dado uma alfinetada em Nicole na mesma frase.
"E se o renegado tivesse me atacado?", perguntei em voz alta, esperando ouvir palavras mais reconfortantes dele.
Ele estava prestes a me responder quando seu celular vibrou, e vi o nome de quem ligava.
Nicole.
Oh deusa, por que ela de novo?
Ele atendeu imediatamente, e eu apurei os ouvidos para escutar a conversa deles.
"Quero discutir uma coisa, Nate. Por favor, você pode vir me encontrar?"
Pensei que Nate recusaria educadamente, mas ele já havia saído do hospital.
"Dói, não é?", Rain, minha loba, perguntou quando ouvimos o som inconfundível do motor do carro dele ganhando vida.
"Foi só um arranhão, Rain", respondi, mas nós duas sabíamos que não era a essa dor que ela estava se referindo.
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