O ÚLTIMO PARAÍSO DE REBECA...
Rebeca nunca teve uma vida fácil. Criada em meio à pobreza, ao abandono e às dificuldades, aprendeu desde muito cedo que sobreviver era uma necessidade, não uma escolha. Cresceu sem conhecer suas verdadeiras origens, cercada por segredos, mentiras e pessoas que, de alguma maneira, decidiram seu destino antes mesmo que ela pudesse escolher o próprio caminho.
Em Dark Paradise, uma herdeira perdida começou a descobrir que o mundo era muito maior e mais perigoso do que imaginava. Entre o luxo, o dinheiro, as descobertas e os primeiros sentimentos, Rebeca percebeu que nem todos os paraísos eram tão bonitos quanto pareciam.
Em Lost Paradise, tentou encontrar seu lugar no mundo, enfrentando perdas, dores, decepções e sentimentos que não sabia compreender. Conheceu o amor, a amizade, a traição e o peso de carregar responsabilidades que nunca pediu para ter.
Mas foi em Hidden Paradise que tudo começou a desmoronar.
A menina que um dia só queria uma família e um lugar para chamar de seu se tornou uma mulher impulsiva, desconfiada e disposta a enfrentar qualquer pessoa para proteger aqueles que amava. Cometeu erros, machucou pessoas importantes, desafiou homens perigosos e se envolveu em situações das quais talvez não pudesse mais escapar.
Tentou salvar todos ao seu redor, mas não conseguiu salvar a si mesma.
E, quando decidiu partir, deixando para trás as pessoas que amava e os problemas que já não conseguia resolver, seu caminho terminou em uma estrada escura, entre tiros, uma emboscada e um carro destruído.
Agora, em Golden Paradise, chegamos ao quarto e último livro dessa jornada.
O ouro sempre foi símbolo de riqueza, poder e conquista. Mas, para alguém que passou a vida inteira procurando um paraíso, talvez a verdadeira riqueza nunca tenha estado no dinheiro, nas propriedades ou na herança.
Rebeca ainda tem perguntas sem respostas, sentimentos mal resolvidos, inimigos à sua espera e pessoas que fariam qualquer coisa para tê-la por perto.
Só que nem todo amor é capaz de salvar. Nem toda família é construída com verdades. E nem todas as pessoas que entram em nossa vida estão destinadas a permanecer.
Em uma terra de deuses e monstros, até o paraíso tem seu preço.
E, desta vez, talvez Rebeca precise perder muito mais do que imaginava para descobrir o verdadeiro valor de tudo o que conquistou.
Bem-vindos a GOLDEN PARADISE. Apertem os cintos!
Capítulo 1
Armando se abaixou e falou, puxando-a para fora com força:
- Não era pra ser você hoje, gatinha, mas eu acho que temos um acerto de contas pra fazer.
Ela gemeu de dor e pôde ver que era o Armando. Ele continuou falando:
- Eu só lamento por não nos divertirmos, não tenho tempo. Mas, em compensação, posso me divertir sozinho.
Ele a chutou duas vezes no abdômen e foi arrastando-a para o asfalto, dizendo que, com sorte, um atropelamento ia acabar com aquilo, mas que ele ia garantir que ela não atrapalhasse mais os planos de ninguém. O comparsa dele o interrompeu, dizendo que estava vindo alguém. Viram as luzes e era a polícia. Ele falou, chutando-a:
- Vai viver com medo mais um tempinho, vad1a. Ainda não terminamos! Vou te caçar.
Os dois saíram correndo às pressas. Ela foi perdendo a consciência e ouviu seu nome, como se estivessem chamando de longe.
- Rebeca? Rebeca?
Ela reconheceu, era a Eloá, que continuou falando mexendo nela.
- Rebeca, fica comigo. Não dorme! Eiii, tenta ficar acordada.
Rebeca levou a mão até o braço dela, sussurrou com os olhos semi cerrados.
- Me desculpa, eu te a...
Ela não conseguiu continuar a frase, ouviu mais distante Eloá gritando.
- Po.rraaa chamem o resgate.
Rebeca sentiu alguém mexendo em seu corpo, desmaiou, algum tempo depois acordou dentro de uma ambulância, não disse nada com receio de se prejudicar. Foi socorrida e atendida, fingiu estar muito desorientada.
Os machucados não foram graves. Assim que a colocaram no quarto, ela perguntou se tinham pegado o celular dela. Ninguém deu informação nenhuma.
Logo entraram no quarto um homem mais maduro com roupa social e a Eloá, fardada como policial federal. Estava muito séria, com o cabelo preso em uma trança boxeadora.
O homem se apresentou como delegado, e perguntou se ela sabia do tamanho do problema em que se meteu. Ela permaneceu calada, com a Eloá encarando-a fixamente, séria, com as mãos para trás. Ele começou a falar, com folhas nas mãos:
- Há muito tempo estamos investigando uma quadrilha que opera no mercado de luxo, contrabando, lavagem de dinheiro do tráfico, roubos grandiosos, e você foi apontada como integrante.
- Mas nós temos fontes seguras afirmando que você é uma vítima. Como podemos ver, tem apenas dezoito anos e há menos de um ano entrou para esse meio, ostentando uma vida de alto padrão da qual nunca teve condições de manter.
- Então, vou te mostrar sua ficha. Temos fotos e vídeos que ligam você a atentados criminosos. Essa pulseira no seu pulso aparece em duas ocasiões, e ninguém é tolo de não associar seu porte físico a essas fotos e gravações.
- O que quero dizer é que temos tudo pra te prender, mas você pode colaborar conosco, dando informações, e fazer um acordo.
- Essas pessoas cortam a própria mão para se safarem, e você é peixe pequeno. Nós queremos te ajudar, só precisamos de informações. Para onde levaram as joias? Avaliadas em mais de um milhão?
Rebeca disse, irônica:
- Eu não sei de nada e meu porte físico é bem comum.
A Eloá falou, chegando mais perto:
- Rebeca, não se faça de boba. Temos escutas por todos os lugares. Está envolvida até o pescoço e vai se prejudicar por pessoas que te deixam sozinha?
- Eles estão delatando a própria família pra se livrar, imagina você, que nem é nada deles. Seu envolvimento com o Noah é um agravante nisso, porque ele é o cabeça das piores coisas e você está com ele desde o ano passado, imagino que como amante, pelo que pudemos ouvir nas conversas. Temos fotos suas na casa dele, na sua cidade natal.
Rebeca respondeu friamente sem demonstrar qualquer sentimento:
- Eu o conheço faz um tempo mesmo, era amiga da irmã dele e depois virei funcionária. Babá, faxineira, garçonete, caixa. Com quem eu tran.so não é da conta de ninguém, imagino!
O homem começou a falar, mostrando fotos de obras de arte roubadas:
- Acho que a Kimberly não está a par do envolvimento de vocês. Como ela reagiria ao saber?
- Poderia te incriminar para te tirar do caminho? Reconhece alguma dessas obras? Ouviu ou viu alguma conversa sobre isso? Roubos de obras raras?
- Como babá e funcionária, deve ter visto e ouvido muitas coisas, é só falar do que se lembra.
- Encontrando informações e os compradores, podemos poupar você e mais alguém. Seus amigos fazem parte, não? Otaviano, Ramon, Levi.
- Acho que preciso refrescar sua memória sobre as leis e penas para crimes cometidos por pessoas assim. Com isso aqui e uma pequena fraude, podemos fazer você pegar uns quinze vinte anos.
- Um quilo de coca no seu carro, um revólver associado a qualquer assassinato da região, obstrução da justiça, falso testemunho, sonegação e corrupção.
Rebeca permaneceu calada. A Eloá falou:
- O que aconteceu hoje? Sabe quem estava atrás de você? Por que essa pessoa queria te matar?
- Você teve muita sorte, coloquei um rastreador no seu carro, a semanas.
Rebeca respondeu com indiferença, bocejando:
- Já vou ser presa? É que estou precisando dormir. Esses remédios todos e a agitação, vou dormir como um bebê.
Ele disse, irritado:
- Vai ter muito tempo pra dormir na cadeia. Essa semana prendemos um traficante apontado como um dos líderes da facção.
- Ele disse que negociou com você recentemente. Seu nome está ligado ao hotel que estava lavando dinheiro pra ele.
- Então, de uma forma ou de outra, você vai se dar mal. Ajude a gente só a conseguir provas, algumas conversas gravadas com escutas, uma lista de compradores. Se quer ajudar seu amante e a você mesma, é bom começar a falar.
- Ele vai a julgamento sozinho e não vai ver a rua até você chegar à terceira idade.
Ele saiu, deixando as duas a sós, porque achavam que a Rebeca ia confiar na Eloá e falar. Ela perguntou de novo quem tinha feito aquilo, atirado nela, quis saber o que aconteceu. Rebeca respondeu, encarando-a nos olhos fixamente:
- Por que você fez isso comigo?
- Precisava ir tão longe?
Eloá começou a falar que só estava fazendo o trabalho dela, mas foi interrompida, Rebeca falou decepcionada:
- Era seu trabalho fazer eu me apaixonar pra me usar e brincar comigo? Fingir ser minha amiga já não estava bom?
- Engraçado que você falou de como eu uso as pessoas. Quem te alertou sobre eu ser falsa? O Neto?
- A pessoa por quem eu morreria sem pensar duas vezes? Eu não fiz nada!
- Ele está cego, e você é igual.
A Eloá chegou mais perto da cama e falou, séria:
- Às vezes, a pessoa por quem você levaria um tiro é a mesma que vai atirar em você. Não vem tentar me manipular, eu sei do seu jogo.
- Pude ver e sei de muito mais coisas da sua vida íntima do que pode imaginar. Noah, Lara, Ramon, Pablo, todos que tinham algo a te oferecer.
- Você se faz de frágil e sozinha, manipula todo mundo. Imagina a hora que o seu namorado souber de nós.
- Ahhhhh, e sua amiga grávida, quando vir você dormindo com o marido dela, tem fotos né.
- Espera, tem a Helena, ela é mente aberta, mas não o suficiente pra dividir o Ramon com você. Há muito tempo estamos com uma operação muito grande.
- Você não gosta de ajudar os pobres? Então, começa a falar. Como, por exemplo, virou sócia e diretora do hotel sem um puto no bolso?
- O DNA do seu paizinho deu negativo, você queimou sua casa, tem sustentado sua madrinha e como? De onde vem o seu dinheiro?