Meu nome é Mônica e, mesmo depois de crescer, aquela criação extremamente protetora continuou influenciando minha maneira de enxergar o mundo.
Minha rotina sempre foi muito diferente da de outras meninas da minha idade. Mesmo acompanhada dos meus pais, eu frequentava uma igreja evangélica existente no nosso bairro e cresci aprendendo a ser uma pessoa extremamente caseira. Enquanto minhas amigas começavam a descobrir festas, namorados e outras coisas da adolescência, eu ainda brincava de boneca aos dezesseis anos e não sentia que havia alguma coisa errada nisso. Era simplesmente o universo no qual tinha sido criada.
Sempre fui estudiosa e dedicada. Antes mesmo de completar meus dezoito anos, ainda virgem, consegui passar em uma universidade pública para cursar Pedagogia. Foi uma felicidade enorme para meus pais, que sempre depositaram muitas expectativas nos meus estudos, mas ninguém percebeu que aquela conquista também representava o começo da minha independência.
De repente, adquiri uma liberdade à qual não estava acostumada.
Passei a sair sozinha, conhecer pessoas diferentes e conviver com homens e mulheres que tinham experiências completamente diferentes das minhas. Somente então comecei a descobrir, na prática, coisas que até aquele momento conhecia apenas na teoria, por ter lido a respeito, ouvido conversas escondidas ou assistido na televisão.
Namorar.
Desejar alguém.
Fazer s.exo.
Aos vinte e um anos, eu já não era mais aquela adolescente inocente que precisava ser acompanhada pela família para todos os lugares, embora ainda carregasse muito daquela criação comigo. Antes de começar o segundo período da faculdade, eu já estava de namorico com um colega da universidade. Foi com ele que, algum tempo antes, perdi minha virgindade no quarto onde ele morava.
Depois daquela primeira experiência, voltei algumas vezes ao quarto dele para tr.ansar. Eu estava principalmente tentando descobrir aquele tal prazer que tantas mulheres diziam sentir fazendo s.exo.
Eu queria entender o que havia de tão maravilhoso naquilo.
O problema era que nunca conseguia.
Era sempre a mesma história. Meu namorado g.ozava em menos de dois minutos, enquanto eu mal tinha começado a sentir alguma coisa. Depois, vinha com a desculpa de que a camisinha atrapalhava, diminuía a sensibilidade e por isso ele não conseguia controlar.
Eu escutava, aceitava e ficava pensando se o problema estava comigo.
Talvez eu simplesmente não gostasse tanto de s.exo quanto as outras mulheres.
Foi nessa época que uma colega da faculdade, Mariza, me convidou para ir até sua casa. Precisávamos fazer juntas uma pesquisa pedagógica usando o computador dela.
Aceitei sem imaginar o que estava me esperando naquela casa.
Mariza era órfã de mãe e morava com o pai.
Assim que cheguei, ela fez questão de nos apresentar.
Foi quando conheci Sérgio.
E alguma coisa dentro de mim simplesmente enlouqueceu.
Sérgio tinha quarenta e três anos. Era um coroa pintoso, daqueles homens maduros que pareciam saber exatamente o efeito que causavam quando entravam em algum lugar. Tinha aproximadamente 1,80 metro de altura, cerca de setenta quilos, alguns fios grisalhos começando a aparecer entre os cabelos e um sorriso franco, bonito e extremamente charmoso.
Mas foram os olhos dele que me desmontaram.
Sérgio tinha um olhar penetrante, seguro, quase desconcertante.
Quando Mariza nos apresentou, ele se aproximou para me cumprimentar com dois beijinhos no rosto e, por algum motivo que eu mesma não consegui compreender naquele instante, minhas pernas ficaram bambas.
Meu coração começou a bater em um ritmo alucinante.
Senti minhas mãos esfriarem.
Era absurdo.
Eu tinha acabado de conhecer aquele homem.
Mesmo assim, quando Sérgio segurou minha mão e ficou me olhando diretamente nos olhos, tive a estranha impressão de que estava nua diante dele.
- Muito prazer, Mônica!
Engoli em seco antes de conseguir responder:
- O prazer é todo meu, senhor Sérgio!
O sorriso dele aumentou discretamente.
Tive que me controlar para esconder aquele nervosismo inexplicável.
Dei graças a Deus quando Mariza finalmente me levou para seu quarto, onde estava o computador, porque precisava desesperadamente me afastar daquele homem e entender o que diabos estava acontecendo comigo.
Só que, mesmo tentando me concentrar na pesquisa, minha cabeça continuava voltando para ele.
No dia seguinte, na faculdade, Mariza comentou casualmente:
- Meu pai disse que gostou muito de te conhecer... Falou que te achou muito linda!
Meu coração deu aquele pulinho ridículo novamente.
Tentei parecer indiferente.
- Também gostei dele. Achei-o muito simpático!
Mariza imediatamente fez uma expressão desconfiada e respondeu em tom de brincadeira:
- Iiiiihhhhh! Cuidado, menina... Meu pai não é flor que se cheire, hein?
Eu ri.
Tentei tratar aquilo como brincadeira.
Deve ter passado pouco mais de uma semana quando Mariza voltou ao assunto.
- Hoje meu pai perguntou por você... Quis saber por que você não foi mais lá em casa!
Dessa vez, achei realmente estranho.
Olhei para ela, curiosa.
- Mas por que será que ele perguntou por mim, Mariza?
Ela deu risada.
- Ué... Pelo que ele falou, ficou gamadão em você... Hahahahaha!
Mesmo sabendo que Mariza provavelmente estava brincando, aquelas palavras mexeram comigo de uma maneira que eu não gostaria de admitir.
Durante vários dias, fiquei me lembrando da primeira vez que vi aquele homão lindo.
O sorriso.
Os cabelos começando a ficar grisalhos.
A segurança.
A voz.
Principalmente aquele olhar.
Eu estava quase conseguindo esquecer quando, certo dia, abri meus e-mails e encontrei uma mensagem cujo remetente era "Sérgio Romero".
Meu coração disparou imediatamente.
Abri.
"Oi, gatinha! Nunca mais esqueci de você... Será que eu posso te encontrar?"
Fiquei olhando para a tela durante vários segundos.
Não sabia se respondia.
Não sabia sequer como ele tinha conseguido meu endereço de e-mail, embora fosse bastante fácil imaginar.
A verdade é que fiquei empolgada.
Muito.
Acho que trocamos mais de cinquenta e-mails antes que eu finalmente concordasse em encontrá-lo. A cada mensagem, Sérgio escrevia coisas bonitas, fazia elogios e demonstrava um interesse que me deixava cada vez mais impressionada.
Sem perceber, comecei a me apaixonar.
Na verdade, desde os primeiros e-mails eu já tinha vontade de encontrá-lo.
O meu maior medo era Mariza descobrir.
Ela era minha colega. Sérgio era pai dela. Além disso, havia uma diferença de vinte e dois anos entre nós. Eu tinha vinte e um; ele, quarenta e três.
Não queria confusão para o meu lado.
Por isso, somente aceitei encontrá-lo com uma condição: tudo teria que acontecer escondido.
Combinamos uma quinta-feira, às dezenove horas.
Eu faltaria às aulas.
Sérgio me buscou em um lugar previamente combinado e dirigiu até o estacionamento de um grande shopping de São Paulo. O movimento era intenso, mas ele procurou uma parte mais reservada. Os vidros fumê do carro impediam que as pessoas que eventualmente circulassem por perto enxergassem claramente o que acontecia no interior do veículo.
Eu estava tão nervosa que mal conseguia conversar normalmente.
Não demorou nem dez minutos para Sérgio se aproximar, me puxar para perto dele e beijar minha boca com tanta intensidade que senti um calor enorme tomar conta do meu corpo.
Foi completamente diferente dos beijos do meu namorado.
Havia segurança na maneira como aquele homem me tocava.
Experiência.
Firmeza.
E aquilo mexeu comigo imediatamente.
Achando que não deveria me comportar como uma menina muito fácil, tentei resistir à nova investida, empurrando-o com uma das mãos contra seu peito. Sérgio segurou meu braço e voltou a me beijar, fazendo desaparecer boa parte da minha determinação.
Sua língua entrou na minha boca, arrancando de mim uma reação que não consegui controlar. Quando sua mão começou a apertar meu peitinho, levei um susto e imediatamente fiquei ainda mais consciente do lugar onde estávamos.
Mesmo assim, aqueles braços fortes foram minando o restinho da minha vontade de resistir.
Fui deixando.
Não demorou para Sérgio baixar a alça da minha blusa, colocar meu peito para fora e começar a ch.upar.
Assustada e excitada ao mesmo tempo, eu olhava para fora e enxergava os vultos das pessoas passando perto do carro. O medo de alguém perceber alguma coisa tornava meu coração ainda mais acelerado.
- Para, Sérgio... Para... Por favor!
Ele percebeu meu nervosismo e propôs me levar para algum lugar mais discreto.
Eu me apavorei.
Insisti tanto que ele acabou me levando para a faculdade, e ainda consegui pegar as duas últimas aulas.
Duas esquinas antes da faculdade, porém, Sérgio perguntou se poderíamos nos encontrar novamente na semana seguinte. Antes que eu respondesse, aproximou-se e voltou a me beijar.
Então fez um pedido:
- Gostaria que você viesse de saia. Tudo bem?