A rotina ao levantar era simples e sagrada, principalmente quando vestia seu hábito. Diante de um espelho simples, em um quarto austero, sem luxos, onde a luz suave da manhã se misturava ao brilho tímido de uma vela. A túnica cinza cai sobre seu corpo com delicadeza, o crucifixo de madeira repousa sobre seu peito, e o cordão branco na cintura guarda discretamente o rosário que balança com o menor movimento possível. Com delicadeza, Sofia segura o véu branco entre as mãos para colocá-lo sobre a cabeça, seus olhos se encontram no reflexo: há muita serenidade, mas também o frescor de sua juventude que se abre ao mistério da fé. Cada gesto é lento, quase como um ritual sagrado, como se o tecido fosse feito de silêncio e oração, pois para ela o hábito não é apenas uma roupa, mas um manto, cheio de promessas, um sinal de sua entrega e de esperança por um futuro cheio de fé e paz em seu coração. Sofia sorriu ao tocar o crucifixo de madeira que descansava sobre seu peito, era um presente da madre superiora no dia de sua entrada.
No corredor, outras noviças também se moviam como sombras silenciosas. Irmã Margarida, com seus olhos sempre marejados de gratidão, acenou-lhe com um sorriso. Irmã Joana, a mais velha do grupo, já carregava o peso de cinquenta anos de votos, mas ainda encontrava energia para corrigir o passo das mais novas. Sofia se sentia em casa ali, naquela comunidade de mulheres que haviam escolhido o amor divino acima de qualquer outro. A capela estava mergulhada na penumbra quando elas entraram, a única luz vinha das velas tremeluzentes no altar, onde o sacrário brilhava como um coração de ouro. Sofia ajoelhou-se no último banco, como sempre fazia. Não por humildade, embora fosse humilde, mas porque ali, das últimas fileiras, ela podia ver todas as outras irmãs. Podia vê-las rezando, cada uma à sua maneira, e isso a enchia de uma alegria tão pura que às vezes lhe doía no peito.
"Aqui estamos, Senhor!" pensou, fechando os olhos. "Tuas filhas, Tuas servas, Tuas noivas."
A missa das seis horas da manhã começou com o canto gregoriano. As vozes das freiras subiam como incenso, enchendo o pequeno espaço de uma beleza que Sofia julgava ser o mais próximo do céu que se podia alcançar na Terra. Ela cantou com todo o coração, cada sílaba latina como um fio que a ligava à eternidade. Quando o padre elevou a hóstia, Sofia sentiu as lágrimas quentes escorrerem por seu rosto.
Não era tristeza. Era plenitude.
Depois da missa, o café da manhã no refeitório. Pão duro, leite fresco das vacas do convento e um pouco de mel que Irmã Clara, a apicultora, colhia com tanto carinho. As conversas eram baixas, sempre sobre os afazeres do dia, sobre a horta que precisava ser regada, sobre os panos que precisavam ser costurados para os órfãos da cidade vizinha.
"Sofia, você terminará o enxoval hoje?" perguntou Irmã Margarida, quebrando o pão em pedaços pequenos.
O enxoval. Sofia sentiu um calor subir às suas bochechas. Não era um enxoval de casamento, como o mundo entendia. Era o conjunto de vestes que ela usaria no dia de sua profissão solene, quando finalmente faria os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência. A data estava marcada: três meses. Apenas três meses a separavam de se tornar, de fato, uma esposa de Cristo.
"Sim, Irmã. Falta apenas bordar o nome de Jesus no véu" respondeu, a voz tremendo levemente de emoção.
"Que alegria, filha!" exclamou a madre superiora, que se aproximou com sua andarilha silenciosa. Madre Teresa era uma mulher pequena, de olhos azuis como o céu depois da chuva, e sua presença sempre trazia uma sensação de acolhimento. "Há quanto tempo esperamos por este dia. Você é uma das noviças mais dedicadas que já tivemos."
Sofia baixou os olhos, sentindo o peso do elogio como uma bênção. "Tudo é graça de Deus, Madre."
"Sim, e Ele a escolheu para uma missão belíssima." Madre Teresa tocou seu ombro. "Você trará muita luz a este convento, Sofia. Sua fé é um exemplo para todas nós."
O dia seguiu seu curso. Sofia trabalhou na horta, suas mãos se sujando de terra fértil, arrancando ervas daninhas com a mesma paciência com que arrancava de sua alma qualquer pensamento que não fosse de louvor. Plantou sementes de manjericão, cantarolou um salmo enquanto regava os canteiros, e até os pássaros pareciam escutá-la.
À tarde, no silêncio do scriptorium, ela bordou. A agulha entrou e saiu do linho branco, traçando letras douradas com fios de ouro que brilhavam sob a luz da janela. JESUS. Era o nome que ela levaria para sempre no coração. Cada ponto era uma promessa: Eu Te escolho. Eu Te amo. Eu sou Tua.
"Sofia, você está sorrindo de novo."
Era Irmã Joana, que a observava de sua própria bancada, onde copiava manuscritos antigos. Sofia passou a mão pelo véu, envergonhada.
"Não posso evitar, Irmã. Penso no dia dos votos e meu coração transborda."
"Isso é bom, filha. É bom que sua alma cante." Irmã Joana suspirou, um suspiro de quem já havia visto muitas noviças como Sofia. "A vida religiosa não é fácil. Haverá dias de deserto, dias em que o silêncio de Deus parecerá um abandono. Mas quem começa assim, com o coração em chamas, tem mais força para atravessar a noite escura."
Sofia ouviu as palavras, mas não as compreendeu verdadeiramente. Como poderia Deus abandoná-la? Ela o sentia em cada fibra de seu ser, em cada batida de seu coração, em cada raio de sol que entrava pela janela. Sua fé era uma certeza tão sólida quanto as paredes de pedra do convento.
Quando o sino tocou para as Vésperas, Sofia fechou o bordado com cuidado e seguiu as outras irmãs para a capela. O pôr do sol pintava os vitrais de vermelho e dourado, e a luz caía sobre o altar como uma promessa divina. Ela ajoelhou-se, juntou as mãos e rezou. Não pediu nada. Sua oração era apenas presença: "Estou aqui, Senhor. Tu és tudo o que preciso."
Enquanto as vozes se erguiam no Magnificat, Sofia sentiu uma paz tão profunda que lhe pareceu flutuar. Ela fechou os olhos, deixando-se levar pela melodia, e naquele instante teve a certeza de que aquele era seu lugar. Sua vocação. Sua vida.
"Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador."
Sim, ela estava alegre. Mais alegre do que jamais estivera. E enquanto o sol se punha atrás das colinas, Sofia Conti, noviça do convento Santa Clara, mal podia esperar para que os dias passassem e ela pudesse finalmente dizer, diante de Deus e dos homens: Sim, para sempre. Mas o que ela ainda não sabia é que o mundo lá fora, o mundo que ela havia deixado para trás, não estava disposto a deixá-la ir, e em breve, sua fé inabalável seria posta à prova de maneiras que nem mesmo Irmã Joana, com toda sua sabedoria, poderia imaginar.