Livros e Histórias de Xu Guzi
Vingança do Marido Esquecido
A festa de comemoração estava no auge, música alta e todos os funcionários sorrindo. Eu, João Carlos, observava Ana Paula, minha esposa e CEO, brilhando no centro das atenções. Nosso casamento era um segredo, um acordo para o "profissionalismo" até a empresa estabilizar com o financiamento milionário que eu ajudei a conquistar. Mas antes que ela pudesse falar, Pedro, o estagiário novo, subiu ao palco e, com uma intimidade provocadora, a chamou de "Chefe" . O salão emudeceu, todos os olhos em mim. Ana Paula riu, não o desmentindo, e anunciou: "Para recompensar o trabalho duro de todos, e especialmente para dar ao nosso jovem talento Pedro mais experiência, decidi colocá-lo em nosso projeto mais importante, o 'Núcleo Alfa' !" Os aplausos estrondosos e os sussurros - "Eles formam um casal tão lindo!" - me atingiram como punhaladas. Meu sorriso congelou. Um colega sussurrou: "João, sua posição vai ser roubada." Com uma calma que eu não sentia, entreguei meu crachá de gerente de projeto para Pedro. "Meu cargo de gerente de projeto será o presente de anúncio de vocês." Desci do palco e saí, sem olhar para trás. Mais tarde, Pedro me encurralou, balançando meu crachá: "A Ana Paula precisa de alguém ambicioso, não de um peso morto." Então, Ana Paula apareceu, e Pedro simulou medo. "Ana," ele disse, "o João Carlos… ele está me ameaçando." Ela passou por mim como se eu não existisse e foi direto a ele: "Pedro, você está bem? Ele te machucou?" Virou-se para mim, os olhos frios e acusadores: "João Carlos, peça desculpas a ele. Agora." Recusei. "Tudo bem. Mas se eu souber que você o incomodou de novo, você vai se arrepender." Ela o levou embora, me deixando sozinho no corredor. Em casa, ela me deu um relógio velho e arranhado, uma ninharia comprada em penhor há três anos. Olhei para ela, já distraída no celular, e a desilusão transbordou. Joguei o relógio no lixo. Peguei meu celular e liguei para Sofia, CEO de uma concorrente que me ofereceu uma proposta generosa meses atrás. "Alô?" a voz dela soou. "Sofia? É o João Carlos," eu disse, minha voz firme. "Aquela sua proposta… ainda está de pé?"
Sufocada Pelo Amor Perverso
O cheiro do trem é uma mistura nauseante de metal velho e suor, um presságio familiar do inferno. Fecho os olhos com força, e uma memória me atinge como um soco: o mesmo vagão, o mesmo assento, o mesmo sol poeirento. Da outra vez, eu era Sofia, uma estudante de psicologia ingênua voltando para casa, feliz por ter economizado na passagem. Lembro da mão áspera de Dona Lúcia, do sorriso babado de João, do copo d' água… Lembro do porão úmido e escuro. A tontura. O medo. E o cheiro de mofo e desespero. Abri os olhos de repente, o coração martelando. Estou de volta. No mesmo dia, no mesmo trem. Lá está ela. Dona Lúcia, o Pedrinho e o João. A mesma família, o mesmo plano. Ela me vê. O sorriso de caçadora se forma em seu rosto enrugado. "Com licença, minha jovem", ela diz, a voz trêmula e doce. "Será que você se importaria de nos ajudar?" A mesma desculpa. A mesma mentira. Da outra vez, eu sorri e disse "Claro". Desta vez, eu a encaro. "Não", digo, a palavra fria e dura. O sorriso dela vacila. O coração martela. A raiva ferve. Ela não sabe com quem está lidando. A estudante de psicologia ingênua morreu naquele porão. Quem voltou foi outra pessoa. Alguém que não sentiria mais pena.
O Recomeço Após o Coração Partido
Na minha vida passada, passei cinquenta anos construindo um império. No dia do meu 60º aniversário, na mesma mansão que chamei de lar, minha esposa, Sofia, me entregou um envelope. Um teste de DNA. "Marcelo não é seu filho. Ele é filho do Thiago. Meu, primo." A mansão, as festividades, o amor de uma vida... tudo desmoronou em uma sucessão brutal de revelações. Fui traído por aqueles que considerei minha família. Eles me expulsaram, sem nada, humilhado, e meu coração não aguentou. Morri ali, no chão frio. Mas então, abri os olhos novamente. Eu era jovem, de volta ao dia fatídico em que Sofia escolheria seu noivo. E o mais assustador: ela também se lembrava. Desta vez, as regras seriam minhas.
