Livros e Histórias de Smoke
Do Bode Expiatório à Justiceira
O meu casamento acabou no dia em que o meu sogro, Miguel, morreu. Ele caiu da escada, um acidente trágico, mas para a minha família, eu era a culpada. Cheguei ao hospital, telemóvel partido, para encontrar a minha sogra, Sofia, e a minha cunhada, Clara, aos gritos. "Onde estavas? É tudo culpa dela!" Elas me acusaram de ter causado a morte de Miguel por uma simples observação sobre uma lâmpada. O Pedro, o meu marido, assistiu a tudo em silêncio. O seu silêncio foi a sentença de morte para o nosso casamento. Fui tratada como uma intrusa, uma mancha, um lembrete vivo da sua perda e do seu ódio. No funeral, ninguém me dirigiu a palavra. Eu era invisível, ou pior, o bode expiatório perfeito. Expulsaram-me de casa, rejeitaram-me como se nunca tivesse sido parte da família. Pedro dobrou-se aos desejos delas, a sua fraqueza selou o nosso destino. Assinei os papéis do divórcio sem hesitar, o seu silêncio já tinha dito tudo. A sua família reescreveu a história, apresentaram-se como vítimas impecáveis nos jornais. Eu fui apagada, como se nunca tivesse existido. A raiva e a dor sufocavam-me, a injustiça queimava a minha alma. Sonhava com os seus olhares acusadores e o silêncio do Pedro. Então, um dia, recebi uma mensagem. Era de Rui, um velho amigo de Miguel: "Precisamos de falar. É sobre o Miguel." Ele tinha um frasco de comprimidos misteriosos e uma verdade chocante sobre a minha sogra assassina. Não foi um acidente. E eu, sem nada a perder, decidi que a verdade viria à tona.
Noiva Abandonada, Vida Reconstruída
No dia do meu casamento, o altar estava pronto e a música tocava. Mas o meu noivo, Pedro, desapareceu. Não foi um acidente trágil, nem uma emergência inesperada. Ele estava com a sua ex-namorada, Clara, que alegava ter sofrido um acidente de carro. Deixada sozinha no altar, com o meu vestido branco a parecer uma piada cruel, senti o olhar de pena de todos os convidados. A minha cunhada, Sofia, confessou a verdade: Pedro correu para a mulher que uma vez jurou ter superado, no dia mais importante da nossa vida. A raiva borbulhava dentro de mim, seguida por um vazio frio. Como ele pôde fazer isto? Abandonar-me para consolar uma mulher com um simples arranhão? Fui confrontá-lo ao hospital, apenas para vê-lo beijar a testa dela, com uma ternura que ele nunca me dedicou. Naquele momento, atirei-lhe o anel de noivado. «Está acabado. Não me procures mais.» Perdeu uma noiva, uma casa, uma empresa, mas ganhou a Clara. Mas, ao contrário do que ele esperava, eu não chorei. Eu decidi naquele instante que era hora de reconstruir a minha vida, mas desta vez, apenas para mim. Venderia tudo o que nos ligava e partiria para um lugar onde ninguém me conhecesse. Seria o meu novo começo. Mas será que o passado, e o próprio Pedro, me deixariam seguir em frente tão facilmente?
