A chuva forte foi repetina, a pegando desprevenida. Felizmente, a camisa de Gavin estava cuidadosamente embrulhada dentro do seu casaco e não foi molhada pela chuva.
Indo rapidamente para o andar de cima, ela chegou ao quarto de Gavin.
A porta estava ligeiramente aberta. Ao pensar no noivo, um calor reconfortante a invadiu, e ela estendeu a mão para abri-la ainda mais.
De repente, um braço forte surgiu e a arrastou para dentro.
Imediatamente, a escuridão tomou conta da sua visão, seguida pelo peso de um corpo quente a pressionando para baixo, enquanto a mão de um homem apertava sua garganta, a impedindo de gritar.
"Como se atreve a me drogar? Você que procurou por isso!"
A voz do homem estava carregada de raiva e ameaça, atingindo Bethany com tanta força que a deixou atordoada.
E claramente não era a de Gavin!
Quem era esse estranho e por que ele estava no quarto de Gavin?
O pânico a invadiu como uma onda gigante. Segurando o pulso dele, ela forçou as palavras a saírem entre os dentes cerrados: "Eu nem te conheço. Vim aqui para ver meu noivo."
"Ah, é? E você ainda tem a audácia de mentir?", perguntou o homem, que parecia não conseguir se conter ao abaixar a cabeça e morder o lábio dela com tanta força que o sangue começou a escorrer, o sabor metálico se misturando com a doçura dela e despertando algo mais sombrio dentro dele.
Gradualmente, ele afrouxou o aperto na garganta dela, enquanto a levantava e a jogava na cama antes de subir sobre ela.
"Não..." Os protestos de Bethany foram completamente silenciados por ele enquanto ele retirava suas roupas úmidas e frias, a deixando entre o frio persistente da tempestade e um calor sufocante e avassalador.
Três horas se passaram até que ele finalmente se satisfizesse.
Finalmente, o homem se afastou dela, com o torso nu marcado pelo resultado da intensa noite.
Bethany se encolheu sob o cobertor, suas bochechas ainda coradas enquanto seu corpo esguio tremia ligeiramente.
Na escuridão, a voz do homem ecoou com um tom zombeteiro: "Duvido que eu seja o seu primeiro. Quem você está tentando enganar com esse seu jeito inocente?"
Convencido de que ela o havia drogado, ele a desprezava tanto que se recusou até a olhar para ela, indo direto para o banheiro tomar um banho.
O som da água corrente encheu o quarto enquanto o olhar desfocado de Bethany se clareava gradualmente, seus olhos fixos na porta do banheiro sem se mover.
Apesar da dor no seu corpo, ela se levantou e estendeu a mão desajeitadamente para acender a luz e pegar seu celular no chão.
Ao desbloquear a tela, se deparou com uma série de chamadas perdidas e mensagens não lidas.
No momento em que as leu, sua expressão se contraiu instantaneamente. Vestindo-se às pressas, ela saiu do quarto sem olhar para trás.
Algum tempo depois, Connor Roberts saiu do banheiro usando um roupão, caminhando com passos lentos, sua expressão calma e todo o seu comportamento carregando um ar descontraído e satisfeito.
De repente, ele parou e observou o quarto iluminado, mas vazio, seus olhos se estreitando ligeiramente.
Ao se aproximar e puxar as cobertas, encontrou a cama vazia, exceto por um leve rastro de sangue manchando os lençóis.
A visão o pegou completamente de surpresa.
Sério? Ela era virgem?
Pegando seu celular, ele discou um número, seu tom se tornando frio ao falar: "A mulher que me armou escapou. Encontre-a e traga-a de volta imediatamente. Eu mesmo cuidarei disso."
A pessoa do outro lado da linha parecia confusa. "Aquela mulher já foi presa há uma hora. Quer que a enviemos agora?"
As sobrancelhas de Connor se franziram. "Há uma hora?"
"Sim. Descobrimos que seu irmão contratou alguém para entrar no seu quarto e criar uma cena falsa, fazendo parecer que você a forçou para prejudicar sua reputação. No entanto, nossos homens a interceptaram antes mesmo de ela chegar ao hotel."
Após terminar a explicação, o subordinado perguntou cautelosamente: "Então de qual mulher você está falando?"
Connor ficou em silêncio.
Na verdade, nem ele fazia ideia de quem era aquela mulher.
Seus olhos se desviaram para a mancha de sangue nos lençóis e, por algum motivo, a visão dessa marca vermelha se tornou difícil de ser encarada.
Sua respiração ficou mais lenta, mas profunda, e uma estranha tensão se formou na sua garganta.
Será que ele estava errado sobre ela o tempo todo?
No hospital, Bethany saiu do táxi e subiu as escadas correndo, indo direto para o consultório de um médico. Ao abrir a porta, perguntou ansiosamente: "Doutor, o que você disse na sua mensagem é verdade? O doador da minha mãe desistiu?"
O médico soltou um suspiro pesado antes de acenar com a cabeça. "Sim, é verdade. Tentei convencê-los, mas eles insistiram que não estão em condições adequadas para prosseguir com a doação."
Nesse momento, um surto de desespero tomou conta de Bethany.
Shirley Clark, sua mãe, estava lutando contra a leucemia. Meses atrás, elas finalmente encontraram um doador de medula óssea compatível e disposto a ajudar, o que deixou Bethany cheia de esperança.
O transplante estava marcado para hoje, e Shirley já havia concluído o condicionamento, deixando sua medula óssea totalmente inoperante. O doador desistir nessa fase era o mesmo que sentenciá-la à morte.
"Preciso falar com o doador", disse Bethany, sua voz trêmula incontrolavelmente.
O médico hesitou por um momento antes de responder: "É contra as normas que doadores e receptores tenham contato direto."
Então o que ela deveria fazer agora? Será que teria que ficar de braços cruzados e ver sua mãe morrer?
Bethany sentiu vontade de gritar, mas sabia que desabafar sua frustração com o médico não mudaria nada.
No momento em que saiu do consultório, ela ligou para Gavin.
A família Harrison tinha uma influência significativa em Aloridge, e talvez Gavin pudesse ajudar a encontrar outro doador, mesmo que as chances fossem mínimas.
A ligação foi completada, mas cortada quase que instantaneamente.
Recusando-se a desistir, ela tentou ligar mais uma vez.
De repente, um toque familiar ecoou pelo corredor silencioso.
Bethany congelou no lugar, então desviou lentamente o olhar para um quarto do hospital próximo com a porta ligeiramente aberta.
Gavin também estava aqui? Então por que ele a mandou para o hotel?
Essas perguntas inundaram sua mente enquanto ela caminhava rapidamente até a porta, espiando pela fresta.
O que ela viu lá dentro a atingiu instantaneamente, a deixando paralisada em choque.