Livros e Histórias de New Day
Renascida da Culpa
Eu tinha cancro do estômago terminal, e a culpa pela morte da minha amiga Clara era um fardo mais pesado que a doença. Eu merecia o tormento que Tiago, o irmão dela, me infligia; era a minha penitência. Um dia, exausta de humilhações e dores, o meu corpo desabou sob um carro. "Finalmente," pensei, enquanto o sangue manchava o asfalto. Mas João, meu amigo médico, recusou-se a deixar-me ir. Ele forjou a minha morte, tirando-me do abismo de culpa e do domínio de Tiago. No Alentejo, em segredo, tentei reconstruir-me. A pequena Alice, sobrinha órfã de João, surgiu, e com ela, uma chama de esperança. Ela e João tornaram-se a minha salvação. Eu acreditava que só na morte encontraria paz. Conseguiria eu, afinal, livrar-me da autodepreciação e do peso esmagador do passado, aceitando a inesperada felicidade que a vida me oferecia? Anos depois, Tiago, atormentado pela culpa da minha "morte", descobriu-me viva no hospital. Ele suplicou por perdão e um recomeço. Mas a mulher à sua frente já não era a Sofia de antes. A minha resposta, tão fria e definitiva quanto o seu desprezo passado, selaria o destino de todos nós, garantindo a liberdade que eu tanto ansiava.
O Coração Escolheu Ana
O som agudo dos pneus. Depois, só escuridão. Acordei em um hospital, sem memória, sem saber quem eu era ou por que meu corpo doía tanto. Uma mulher linda, Sofia, se apresentou como minha noiva. Ela falava sobre nossa vida, meu restaurante famoso, nosso casamento... mas nada parecia meu. Eu era um estranho na minha própria história. Até que Sofia trouxe Ana, sua melhor amiga, para "cuidar de mim" enquanto ela "resolvia umas coisas urgentes" . Ana tinha olhos gentis, cansados, muito diferentes dos de Sofia. Pouco depois, ouvi a conversa: Sofia abandonando-me, deixando Ana para fingir ser minha noiva. "Você sempre gostou dele, não é? Agora é sua chance." Minha cabeça doeu. Não era pela batida, mas pela amarga descoberta da traição, da farsa. Eu podia confrontá-la, gritar que sabia de tudo. Mas uma parte curiosa de mim queria ver até onde essa farsa iria. Queria entender Ana. Quando Ana entrou, pálida, com a história ensaiada sobre a viagem de Sofia, eu assenti. "Minha noiva?" repeti, saboreando a ideia. Ela engoliu em seco. "Sim. Eu. Ana." Segurei a mão dela. Estava quente, trêmula. E, pela primeira vez desde o acidente, senti uma conexão real. O jogo havia começado.
Divórcio Forjado: O Jogo do Destino
O médico entregou o relatório do teste de ADN, com uma expressão séria. O tipo de sangue do meu filho, Leo, era AB, e o meu O, tal como o do meu marido, Pedro. Geneticamente, o Pedro não podia ser o pai biológico do nosso filho. A mão que segurava o relatório começou a tremer. Pedro arrancou-mo, o rosto dele ficou pálido e, de repente, furioso. "Impossível! Clara, explica-me isto!" Antes que eu pudesse respirar, a minha sogra, Helena, irrompeu, lendo-o e gritando para todos ouvirem: "Clara Costa! Eu sabia que não eras uma mulher decente! Como te atreves a trair o meu filho? Dás à luz um bastardo!" Fui humilhada publicamente, as acusações de adultério ecoavam no corredor do hospital, sentindo-me nua sob olhares a julgar. Pedro virou-me as costas, a sua voz dura: "Vamos para casa. Precisamos de falar sobre o divórcio." Divórcio? O nosso filho acabara de fazer um ano. Eu sabia que nunca tinha traído Pedro, mas a lembrança de uma noite embriagada com um colega lançou uma sombra de dúvida. Como era possível? Eu só tinha estado com Pedro. O relatório de ADN parecia uma sentença, esmagando a minha vida. Mas o quê? Porquê? De quem era o filho, então? Eu não entendia... Nada fazia sentido! Tudo o que se seguiu foi uma traição impensável. Mas eu não ia ficar de braços cruzados. Tinha de lutar pela minha inocência e pela verdade. Pelo meu filho.
