Livros e Histórias de Bank Brook
Corações Partidos
A tela enorme da sala de conferências deveria exibir a apresentação do projeto trimestral, mas, em vez disso, fotos íntimas minhas foram expostas para todos. Eram fotos que eu só tirara para Pedro, meu marido, expondo meus momentos mais privados para parceiros de negócios e colegas. O silêncio chocado da sala logo se transformou em sussurros, olhares de pena e, o pior, de zombaria, enquanto Ana, a nova secretária, fingia desespero, arrancando o pen drive USB depois que o estrago já estava feito. Perdi o contrato, minha carreira estava em ruínas, e a humilhação queimava no meu rosto, enquanto Pedro, ao regressar, não me defendeu, mas me rebaixou diante de todos, culpando-me por seu egoísmo. Em casa, Ana vestia minhas roupas, sorrindo vitoriosa ao lado de Pedro, que me olhava com frieza, fazendo-me perceber que, após anos de devoção cega, eu era apenas um hábito, descartável. Naquela noite, assinei o divórcio que ele me dera na noite de núpcias, o mesmo acordo que ele usaria para me descartar como uma amiga inconveniente. Ele me forçou a comer um jantar picante, sabendo da minha gastrite crônica, ameaçando demitir minha melhor amiga se eu não o fizesse. A dor física em meu estômago era agonizante, mas a dor em meu coração era maior quando liguei para ele, e Pedro me recusou ajuda para levar Anna ao hospital por causa de um tornozelo torcido. Eu estava completamente sozinha no hospital, sem saber que estava grávida, e perdi nosso bebê. Eu era "nada" para ele, e, naquele instante, a Sofia que o amava morreu, libertando-me para uma nova jornada, em busca de quem realmente me amava há anos.
Traída no Altar, Amada na Crise
Minha avó completaria 80 anos. A mansão Ribeiro celebrava, cheia de risadas e o brinde de taças de cristal. Tudo parou quando Sofia Santos, minha noiva, subiu no palco. Seu sorriso, antes tão familiar, era agora estranho. Quase predatório. "Peço a atenção de todos por um momento." A música silenciou. Todos esperavam um discurso emocionante. Talvez um brinde à matriarca. Eu sorri, alheio ao que viria. "Hoje é um dia de celebração", ela começou, a voz clara e firme. "E é em nome da honestidade que sinto que devo falar a verdade, aqui, diante de todos que amamos." Uma pausa dramática. Seus olhos não encontraram os meus, mas os de Gabriel, nosso motorista. Ele estava tenso, perto da porta de serviço. "Eu não posso me casar com Lucas Ribeiro." Um murmúrio chocado percorreu o salão. Meu sangue gelou. Meu avô ao meu lado endureceu, a mão apertando a bengala até os nós dos dedos ficarem brancos. "Eu descobri o que é o amor verdadeiro", Sofia continuou, com um tom de superioridade moral. "Um amor que não se compra com ações de empresas de tecnologia ou sobrenomes tradicionais, um amor puro e real." Ela estendeu a mão na direção de Gabriel. "Eu amo o Gabriel. E nós vamos ficar juntos." O silêncio era denso, pesado. Quebrado apenas pelo som de uma taça que se estilhaçou no chão. Sofia desceu do palco com confiança absurda. Puxou Gabriel para o centro do salão, como um troféu. "O amor dele é mais valioso do que qualquer fortuna que a família Ribeiro possa oferecer", ela declarou. Olhou para mim com pena e desprezo. "Espero que um dia você entenda, Lucas." A humilhação era física, uma onda quente e sufocante. Pena, choque, e o deleite malicioso de alguns rivais. Meu avô não se conteve. Deu um passo à frente, sua voz um trovão. "Desrespeito! Traição! Dentro da minha casa! Você ousa humilhar meu neto e manchar o nome da minha família na frente de todos?" Ele ergueu a bengala, apontando para Sofia. O corpo tremia de raiva. "Fora! Saia da minha casa agora, sua mulherzinha sem honra! E leve esse aproveitador com você!" Finalmente encontrei minha voz, rouca e distante. "Sofia, o que você pensa que está fazendo?" Ela sorriu, condescendente. "Estou sendo fiel a mim mesma, Lucas. Algo que você, com todo seu dinheiro, nunca entenderá." Ela se virou, puxando Gabriel. Ele parecia um cervo assustado, mas a mão dela em seu pulso era firme. Eles caminharam para a saída, deixando uma festa arruinada. E um silêncio devastador.
A Mulher Que Ele Subestimou
Acordei no hospital, com a barriga vazia. O nosso bebé não estava lá. Só havia um vazio gelado. Peguei no telemóvel: 27 chamadas não atendidas para Miguel, o meu marido. Liguei-lhe uma última vez: "Miguel, o bebé... perdemos o bebé." Do outro lado, silêncio de impaciência. "Outro pesadelo? A Sofia teve um ataque de pânico. Não tenho cabeça para os teus dramas." Vinte e sete chamadas ignoradas enquanto eu sangrava. Ele escolheu a meia-irmã. A minha sogra, Helena, invadiu o quarto, chamando a perda do meu filho "uma dor de barriga". Miguel irrompeu, furioso, culpando-me: "Estás sempre a queixar-te! Pensei que era só mais um drama teu!" A sua crueldade era tão casual. Na versão dele, eu era a histérica que lhe custara um filho. Como podiam ser tão cegos, tão egoístas? Onde estavam quando eu mais precisei? Uma raiva fria e cortante consumia-me. A injustiça era imensa, mas a dor dava lugar a uma clareza gelada. O meu irmão, Pedro, salvou-me daquele inferno. Ele trouxe-me a verdade nua e crua: viu Miguel e Sofia rindo, de mãos dadas, em público. Aquela imagem confirmou a minha intuição mais sombria. Não era apenas negligência; era traição calculada. A última peça encaixou. Liguei à minha advogada. "Joana, mudei de ideias. Já não quero ser justa. Quero tudo a que tenho direito."
Ele Desligou: O Abandono Premeditado
Grávida, presa nos destroços do meu carro, a minha única preocupação era o bebé. Liguei ao meu marido, Tiago, a voz a tremer, a vida pendurada por um fio. Mas a sua resposta foi um choque gélido. Enquanto eu me debatia por socorro, presa entre ferragens, ele desligou. Disse que tinha de cuidar da irmã, Lara, que estava a "sofrer" de um tornozelo torcido. No hospital, perdi o nosso bebé. E ele? Ele só apareceu na manhã seguinte, com a mãe e a irmã, cheios de acusações. A minha sogra, Helena, acusou-me de ser descuidada e de "causar problemas". Para piorar, ele esvaziou a nossa conta conjunta – 50 mil euros – para comprar um carro de luxo para a Lara, exibindo o roubo no Instagram. Como podia o pai do meu filho, o homem que jurei amar, ser tão frio? Tão cruel? A dor da perda era insuportável, mas a traição dele… essa partiu-me em mil pedaços. Será que a minha vida valia menos que uma torção de tornozelo forjada? Sentia-me descartada, a minha dor ignorada pela crueldade deles. Mas a dor transformou-se em raiva, e essa raiva deu-me uma clareza assustadora. Então, encontrei-o. A prova irrefutável. Um tablet antigo, com gravações que revelavam a verdade chocante: o abandono não foi um acaso, foi um plano premeditado para me descartar. Eu tinha todas as armas para destruir o império de mentiras e crueldade que eles construíram. A guerra ia começar, e eu ia vencer.
O Outro Lado da Certidão
Há cinco anos, pensei ter encontrado o amor da minha vida. Isabela. Vivíamos juntos, numa bolha de felicidade que parecia perfeita. Até que perdi a minha carteira. E fui ao cartório pedir uma segunda via da nossa certidão de casamento. Foi então que o mundo desabou. Não havia registo do nosso casamento. Em vez disso, a funcionária revelou uma verdade chocante: Isabela já era casada. Há sete anos. Com um homem chamado Ricardo. Sete anos. Isso significava que ela já estava casada antes de sequer nos conhecermos. Toda a nossa vida juntos, cada "eu te amo", cada promessa de futuro... era uma farsa. Eu não era o marido; era o "outro". O pânico transformou-se em náusea quando descobri o quão profunda era a teia de mentiras. Ela usava o casamento falso para negócios, e a "filha adotiva" do orfanato era, na verdade, a filha dela e de Ricardo. A indiferença dela atingiu o auge quando, por causa de um jantar de negócios, ela me forçou a comer algo que quase me matou. Parti o pé, e ela priorizou um objeto caro à minha saúde. Senti-me mais sozinho do que nunca, com a minha própria família ainda ressentida pela minha escolha passada. Como pude ser tão cego? A dor da traição era insuportável, misturada com uma raiva fria. Eu era um peão num jogo que nem sabia que estava a jogar. Por que me arrastou para esta mentira cruel? O que restou dos meus cinco anos de vida? Mas no hospital, com o pé engessado e o coração em mil pedaços, uma verdade se impôs: eu não estava sozinho. Marquei um número que não discava há cinco anos. Era a Helena, a minha ex-noiva. Ela sabia de tudo. E estava à minha espera. Era hora de parar de ser vítima e lutar pela minha vida de volta.
