Livros e Histórias de Bai Bian Zhong Jie
O Erro Deles, Minha Salvação
O telefone tocou, cortando o silêncio e a paz da minha tarde. Era o instrutor de equitação da minha filha, Lara. "Senhor Acosta, a Lara caiu do cavalo. Mas não se preocupe, não é grave." O meu coração disparou, larguei tudo e corri. Mas ao chegar, não encontrei uma filha assustada. Vi a minha esposa, Raegan, e a Lara, nos braços do ex-namorado dela, Hugo Ferreira. Eles formavam uma imagem de família perfeita. Eu era o estranho. A minha própria filha, a quem dediquei cada segundo, virou-me as costas. "Não me toques! Quero o tio Hugo!" Raegan nem sequer olhou para mim. "Foi culpa tua," disse ela, fria. "Estás sempre enfiado na cozinha." Chocada, tentei argumentar sobre a minha dedicação. Mas Hugo, com um sorriso falso, encerrou a conversa, fazendo-me parecer o vilão. Eles foram-se embora, rindo. Deixaram-me sozinho, com o sol a pôr-se, mas uma escuridão a tomar conta de mim. Lembrei-me: a Lara era o resultado de uma noite de fraqueza de Raegan, forçada a casar pela avó dela. Eu a amava, mas para ela, eu era apenas uma obrigação. Depois, Hugo voltou. Ele, em poucos meses, conquistou o afeto de Lara, algo que eu nunca consegui em cinco anos de dedicação. E a situação só pioraria. Descobri que a queda no centro hípico não foi um acidente. Lara tinha combinado tudo com Hugo para me manipular. Pensei que o destino não podia ser mais cruel. Mas quando a minha mãe querida morreu, e Raegan ignorou o funeral, senti um frio ainda maior. Voltei para casa e encontrei Hugo na minha cozinha, com a minha esposa e filha. Estavam a comer a cataplana que a minha mãe, já falecida, tinha feito para mim. O último presente dela. Raegan encolheu os ombros: "Era só comida. Se quiseres, compro-te outras." Naquele momento, algo dentro de mim quebrou. O amor deu lugar a um vazio assustador e uma calma gelada. Peguei na mala e comecei a fazer as malas. "Quero o divórcio, Raegan." Ela riu, pensando que era por "umas cataplanas estúpidas". "E por tudo o resto. Não te quero a ti. E não quero a ela." Deixei para trás seis anos de uma vida de farsa. Livre da mentira e da dor, eu estava pronto para criar a minha própria felicidade.
Humilhação e Recomeço
A música alta da festa da empresa ecoava no meu peito, mas o champanhe na minha mão não tinha gosto, pois eu era apenas um funcionário júnior no meio de diretores. De repente, a voz de Lucas, amigo de infância de Ana, minha namorada e CEO da empresa, cortou o barulho: "Meu relógio! Meu Patek Philippe sumiu!" e seus olhos se fixaram em mim, gelando meu estômago. A música parou. Centenas de olhos se viraram para mim, julgando. Ana, que poderia ter me defendido, olhou-me com decepção fria e proferiu a sentença: "Miguel, mesmo que sua mãe precise urgentemente de dinheiro para o tratamento, você não deveria roubar." Instantanemante, os sussurros me isolaram: "A mãe dele está doente?", "Coitado, mas roubar já é demais." Senti a humilhação pura e crua, sem entender como ela poderia dizer algo assim. Naquele momento, enquanto ele saboreava minha destruição, a única certeza era que minha vida, como eu a conhecia, havia acabado e que eu levaria minha mãe e desapareceria daquela cidade.
A Dor da Mulher Traída
Na sala fria do hospital, um sorriso de satisfação moldava o rosto de João. A cirurgia de Clara, sua filha e de sua amante Sofia, era um sucesso. Mas o Dr. Ricardo, seu cúmplice, tinha os olhos cheios de medo. "O que fizemos é monstruoso, João! Usamos sua esposa e seu filho como... peças de reposição!" Minha mente não conseguia processar. Maria? Pedro? Peças de reposição?! Ele riu, um som seco e arrogante. "Maria me ama. Acredita em tudo que digo. Vai pensar que foi um milagre que todos sobreviveram ao 'acidente'." Meu mundo desabou ao ouvir cada palavra, minha dor física eclipsada pela dor avassaladora da traição. Como fui tão cega? O monstro dormia ao meu lado todas as noites. Pedro, meu filho de sete anos, tremia ao meu lado, seus olhos inocentes arregalados em um terror quebrado. "Sofia, meu amor," ouvi João dizer ao telefone, a voz cheia de um carinho falso. "Clara está salva. Vocês duas podem voltar para casa. Para a nossa casa." Recuei, puxando Pedro comigo. Eu tinha que esconder a verdade em meus olhos, para que ele não soubesse que eu sabia. Quando ele nos viu, o pânico brilhou em seus olhos por um segundo. "O que vocês ouviram?" Tive que mentir, a voz surpreendentemente firme. "Nós só… só viemos te procurar. Eu estava tonta." Ele nem suspeitava. "Com a melhora da Clara, pensei que talvez fosse uma boa hora para elas virem ficar conosco por um tempo." A audácia dele queimou em mim, mas minha máscara permaneceu calma. Pedro se encolheu atrás de mim. "Claro," eu disse, sem emoção. "Por que não?" Ele sorriu, completamente alheio à tempestade que eu estava me preparando para liberar. As lágrimas finalmente escorreram quando ele se afastou. "Mãe, não chora", Pedro sussurrou, suas pequenas mãos me apertando. "Nós vamos embora, não vamos?" "Sim, meu amor", prometi. "Para bem longe daqui." Naquela noite, Pedro rasgou todas as fotos do pai de seu diário. "Papai mentiu. Não teve acidente. Ele me machucou. Ele machucou a mamãe. Eu odeio ele. Eu não tenho mais um pai." Ver a dor do meu filho solidificou minha decisão. Não era mais sobre ir embora. Era sobre justiça. "Nós vamos embora, Pedro", eu disse, minha voz dura como aço. "E ele vai pagar por cada lágrima que você derramou."
