"Sr. Holder, o senhor já vem buscá-la? Ótimo, ótimo. Estaremos esperando na entrada."
Depois de desligar, o sorriso obsequioso do médico desapareceu, substituído por um olhar frio. "É melhor você manter a boca fechada. Saiba o que dizer e o que não dizer. Caso contrário, tenho muitas maneiras de trazê-la de volta para cá."
Adaline empalideceu e balançou a cabeça vigorosamente. "Não... não vou dizer." Faltava um pedaço de sua língua, o que tornava sua fala entrecortada. O médico imaginou que ela não teria coragem de contar a verdade de qualquer maneira.
Logo, um Rolls-Royce Cullinan preto parou lentamente. A janela se abriu, revelando um rosto surpreendentemente bonito. "Entre."
Ao som daquela voz familiar, ela ficou paralisada, depois levantou lentamente a cabeça para encontrar aqueles olhos escuros e pesados. O nome que veio aos seus lábios - "Carter" - ela engoliu de volta. "Sr.... Sr. Holder."
O homem que era legalmente seu marido. Tudo o que restava era aquele tratamento frio e distante. "Não me faça repetir." Sua voz era gélida, tingida de impaciência.
Quatro anos depois, ele estava mais imponente do que nunca, mais devastadoramente bonito - e mais aterrorizante para ela. Houve um tempo em que ela o perseguiu implacavelmente por dez anos, pegajosa e sem vergonha, o motivo de chacota de toda a cidade. Agora, ela tinha um medo mortal dele, desesperada para evitá-lo a todo custo.
Ela abaixou a cabeça e mancou em direção ao carro preto, mancando visivelmente do pé esquerdo. Carter olhou para o pé dela, um traço de zombaria em seus olhos. "Adaline, ainda usando esse truque? Tentar despertar pena só funciona até certo ponto. Parece que aquele lugar não curou seus maus hábitos. Você..."
No momento seguinte, ela começou a tremer violentamente, suas pupilas se contraindo. Seus joelhos cederam por ficar de pé por muito tempo, e ela desabou no chão. Ela não podia voltar! Ela morreria lá! Sua perna esquerda havia sido quebrada anos atrás, quando ela tentou escapar e um enfermeiro a pegou. Nunca cicatrizou direito.
Nestes quatro anos, ela aprendeu a lição. Ela nunca mais competiria com Elois por nada, nunca mais se apegaria ao título de Sra. Holder. Ela devolveria tudo! "Me... desculpe. Eu sei... que errei. Por favor... não me mande de volta para lá!"
"Você..." Carter parou no meio da frase. A antiga Adaline - arrogante, autoritária, implacável - nunca teria pedido desculpas. Ela tinha sido insuportável, feito todas as coisas ruins imagináveis, entrado na cama dele, forçado-o a se casar com ela. E agora estava pedindo desculpas.
Mas os erros precisavam ser pagos. "Parece que mandá-la para lá finalmente lhe deu um pouco de juízo. Entre."
Adaline não se moveu. Ela olhava para o carro como se fosse um monstro. Foi assim que ela foi levada - forçada a entrar em um carro exatamente como este e levada para o Westcliff Rehabilitation Center. Um suor frio brotou em suas costas. Seus dentes batiam enquanto ela forçava as palavras a saírem: "Posso... não ir?"
"Não estou perguntando. Entre."
Finalmente, ela entrou e se encolheu no canto, mal tocando o assento, tentando ocupar o mínimo de espaço possível. Carter franziu a testa. Antes que ele pudesse falar, ela começou a tremer e a se desculpar sem parar. "Desculpe... desculpe... eu sujei seu carro. Vou limpar... deixar limpo." Ela se ajoelhou no assento e começou a esfregar o couro com a manga, embora não houvesse nenhuma marca. "Quase... limpo. Não está sujo. Eu não estou suja..."
As feridas em seus dedos se abriram e o sangue pingou no couro. Ela ficou mais frenética, esfregando com mais força. "Vou deixar limpo. Não me bata. Não me bata..."