itório dele ficava no canto da redação, separado por paredes de vidro que permitiam uma vis
oração batia acelerado, ecoando o zumbido constante dos telefones e das conversas murmuradas ao redor. Respirei fundo, ergui a mão e dei dois toques leves na madeira polida. "Entre," veio a resposta dele, grave e impaciente, como um juiz convocando um réu. Abri um
ensão de seu corpo. Ele ergueu os olhos por cima dos óculos de armação fina, e sua expressão, já severa, pareceu pior
enuncia a passagem do tempo, fazendo-o parecer mais jovem do que sua idade sugere, como se o jornalismo o tivesse preservado em uma cápsula de determinação. Tudo nele carrega a história de sua carreira notável – das reportagens de guerra nos anos 90 às investigações que derrubaram corruptos em Wall Street. Ele é alto e magro, com uma postura ereta que denota a confiança de alguém que conquistou seu espaço no jornalismo, passo a
precisos, enquanto verificava algo na tela do notebook. Sua voz era baixa, mas carregada de uma autorida
êncio relativo do escritório. Encostei-me à porta por um segundo, segurando os papéis amassados c
ssoas na redação já estavam acostumadas com minhas crises de relacionamento com
es intrincados em tons de vermelho e dourado, um luxo raro em um ambiente tão prático quanto a News Cooperative. Não poderia dar nenhuma explicação diferente para John; não podia contar o quanto havia trabalhado duro até tarde da noite, vasculhando fontes e redigindo rascunhos, porque isso era meu trabalho. Eu tinha a obrigação d
caneta sobre a mesa com um som seco, encostou-se na cadeira de couro preta – que rangia levemente sob seu peso – e pa
nalísticos emoldurados nas paredes creme, e uma janela ampla que oferecia uma vista parcial dos arranha-céus de Manhattan, agora velada pela
péis com uma mão trêmula, tentando mudar o foco para algo produtivo. Mas John ergueu uma das mãos para me interromper,
-me seriamente, com ênfase na última parte da frase. Seus olhos pareciam sondar minha alma
Minha voz saiu calma, porém eu estava confus
ejar oportunidades como um cão de caça, roubando ideias e
mesa com passos deliberados, parando em frente a ela e cruzando os braços sobre o peito. Sua altura o tornava ainda mais intimidante, projetando
rque eu sabia que era verdade. Eu não estava alcançando o que pensei que alcançaria quando comecei a trabalhar aqu
as houve uma reunião e falaram sobre
se resumiam a cobrir feiras locais e casamentos. Não teria condições de manter meu apartamento aqui, com suas paredes finas e vista parcial para o Central Park, pagando um aluguel que já consumia boa parte do meu salário. Tudo iria
hefe agora, mas como um amigo, Mia. Você é uma jornalista incrível, e sou suspeito para falar, já que particularmente sou fã da matéria que você fez quando se inscreveu para o programa de estágio. Aquela garota, mesmo tão jovem, impactou o mercado ao expor empresas conhecidas envolvidas em desvio de dinheiro. Foi essa garota q
entanto, acabei usando uma investigação sobre uma empresa fake que estava sendo investigada por desvio de dinheiro – uma história que desenterrei com noites de pesquisa e contatos arriscados. Tive a brilhante ideia de usá-la no meu teste de admissão, e, para minha surpresa, a matéria foi publicada no mesmo dia em que fui aprovada. O impacto foi imediato: chamadas de elogios, menções em blogs de jornalismo, um sopro de esperança de que eu estava
disse John, sua voz baixa e carregada de uma compaixão que eu raramente via nele. Finalmente consegui encará-lo,
prometo que farei por merecer! - Joguei os papéis em meu colo na poltrona ao meu lado, o som do papel amassado ecoando como um ponto final naquela fase da minha vida. - Mas não algo assim... Quero algo grande... Algo... - Procu
a. Pareceu uma eternidade até que ele finalmente disse algo, o silênc
ia em potencial que talvez p
no ar como uma ameaça velada. Ele me olhou sugestivament
a uma mulher. Não sei se é uma boa ideia.
a enquanto ria baixinho e voltava para perto de sua cadeira, sentando-se com um suspiro. - Qual é? Posso fazer um trabal
tentei mais uma vez, inclina
ano e meio. Alguns decks pegaram fogo e alguns outros lugares da mesma companhia também foram incendiados no mesmo dia. - Ele pegou uma pasta marrom da gaveta l
para verificar seu conteúdo. Havia várias fotos em preto e branco dos locais incendiados – estruturas carbonizadas contra o céu notur
vestigar. O problema é que muitas informações vazaram para a mídia, e ago
ns de destruição contrastando com as descrições de uma
riência diria que podemos estar tratando com algum caso de briga de gangues. - ele me encarou sério e eu apenas assenti, digerindo toda a informação. - Algumas pessoas os defendem, outras os odeiam. Quero que pesquise essas opiniões, ouça as pessoas que moram nessas áreas e tire suas próprias conclusões. - assenti em confirmação, folh
ial com cuidado e fechando a pasta, ciente de que não podia deixar aquela sala sem ela. O peso da mesma em minhas mãos parecia simbólico, um fardo que eu estava disposta a carregar. - Eu sei que posso voltar a ser a jornalista que você co
riso que ameaçava se espalhar pelo meu rosto. - Mas prometa que terá cuidado e me mantenha infor
i contra o peito, sentindo o objeto grosso contra mi
ci mais uma vez antes de me levantar e ir em direção à porta, mas papáginas amareladas. - Você poderia, por favor, não comentar nada disso com o Tyler? - Ele me olhou desconfiado e analítico por cima das lentes no
pondeu ele, com um aceno sutil de cabeça. - Tem minha palavra
maginaria estar. Tinha uma nova matéria, e das grandes. Tinha tudo para ser um sucesso, e eu daria o meu melhor. Isso não só salvaria meu emprego, mas também minha carreira como jornalista investigativa. E e
gitando furiosamente, o cheiro de café requentado pairando no ar. Iris ainda estava e
asta em sua mesa por um momento e respirei fundo, tentando processar o que acabara de acontecer. - Ele te d
omo um predador farejando fraquezas. Assenti, incapaz de não sorrir, o alívio se misturando à empolgação. Mas antes que eu pudesse dizer qualqu
imediato, pegando a pasta de volta e mantendo-a perto do peito, como se protegesse um tesouro. Iris o cu
us olhos me analisavam desconfiados, fixando-se no mater
elmente pensando que era a matéria que ele já havia entregado
ria um prazer ver a expressão em seu rosto quando ele descobrisse que lancei uma matéria à qual ele não teve acesso – algo profundo, perigoso, que exigiria coragem que ele nunca demonstrou. - Bem, eu p
, as vazadas informações, as opiniões divididas da sociedade –, havia uma ligação que eu precisava fazer. Esperava que ele pudesse me ajudar mais uma vez, talvez com contatos ou i

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