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CASAMENTO ARRANJADO: A OBSESSÃO DO DUQUE

CASAMENTO ARRANJADO: A OBSESSÃO DO DUQUE

5.0
28 Capítulo
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Sinopse

Índice

Annabella Watson. Uma jovem escocesa, dona de uma beleza graciosa, sempre conviveu com a indiferença do pai. Thomas Watson um nobre escocês que ficou totalmente transformado, após a morte da sua esposa ao dá a luz a sua única filha "Anna". Um homem que sempre foi bem sucedido mais por culpa da bebida e jogos está a beira da falência. Um baile acontecerá em Londres . O pai de Annabella fará de tudo para encontra um bom partido para filha e saí do abismo em que se encontra. Henrico II, o temido Duque de Gordon, sempre comandou com mãos de ferro todo o seu patrimônio. Chamado pelos próprios funcionários como o Duque Perverso. Um homem que vive cercado pela escuridão e atormentado pelos fantasmas do seu passado. Por acaso do destino, após tantos anos sem aparecer diante da sociedade resolve aceitar o convite em ir ao baile . Henrico e Anabella sentem uma ligação quando seus olhos se cruzam pela primeira vez, porém ele prometeu a si mesmo que jamais o amor entrará novamente em sua vida. Um acordo será feito, mudando para sempre a vida de Anna.

Capítulo 1 O convite

Cinco dias antes do "Baile"

HENRICO

Enxugava a minha navalha quando um barulho chamou minha atenção e interrompeu meus movimentos. Escuto atento, com os nervos já tensionados. O barulho perceptível de uma carruagem se aproximando me fez deixar o objeto que usava sobre a pia, pego uma toalha e, enquanto enxugo o meu rosto, uma batida na porta ecoa pelo ar.

Deixei a sala de banho, indo em direção à porta, assim que a mesma foi aberta meus olhos ficaram fixos em uma figura de estatura baixa, pele enrugada e com uma expressão grave, "Alfred".

— Vossa Graça, acabou de chegar uma visita.

— Seja quem for o infeliz, diga-lhe para voltar numa hora decente.

— Meu senhor, é um mensageiro do Palácio de Buckingham.

— Que inferno! — digo, mas estava plenamente consciente naquele momento de que ninguém seria enviado pela rainha para me informar de alguma futilidade.

— O que devo dizer Vossa Graça?

— Vou terminar o meu banho. Diga-lhe para esperar.

Minutos depois, de banho tomado, caminhei até o meu roupeiro. Mesmo depois de tudo que me aconteceu, dos fantasmas que me atormentam até hoje, não deixei de aproveitar o luxo e não os poupo ao me dar uma vida de conforto, grandeza e esplendor. Eu sou poderoso, podendo e fazendo tudo que me agradar. Infelizmente quase todos que estão a minha volta são incompetentes. Batalhei pelo que possuo hoje, me tornando a cada dia, um homem frio e implacável, porém, respeitado. Sei que por trás, às minhas costas, me chamam de o duque perverso, porém, meu império não vive de caridade e seja quem for o infeliz que cruzar o meu caminho, não pensarei duas vezes antes de enviá-lo ao inferno.

Afasto os pensamentos e deixo o meu quarto, atravessando o corredor rumo ao ambiente onde o desconhecido me aguardava. Ao descer a escada, meu olhar atento se voltou para o homem de trajes refinados, e assim que ele notou minha presença, sua voz se fez presente.

— Bom dia, Vossa Graça, duque de Gordon.

— Bom dia! Por que está aqui? — se tem uma coisa que odeio, são as pessoas que não vão logo diretamente ao que desejam e ficam fazendo rodeios. Com as mãos hesitantes e um tanto trêmulas, o homem estendeu um pequeno envelope em minha direção, observei que tinha o selo real, segurei e então ele disse:

— Daqui a cinco dias haverá um grande baile no Palácio de Buckingham. A própria rainha Alexandrina Vitória Regina, solicita sua presença.

Com os olhos fixos no envelope em minhas mãos, a minha vontade era amassar o papel e jogar bem longe, porém, uma sensação totalmente desconhecida pairou sobre mim, era como se uma força muito maior que tudo que já houvesse sentido, me forçasse a aceitar aquele convite e sem que eu pudesse controlar, as palavras saíram dos meus lábios.

— Diga-lhe a Her Majesty a rainha Vitória, que estarei presente.

— Com a sua permissão Vossa Graça, irei me retirar.

Depois que o homem sumiu do meu campo de visão, um único pensamento pairou em minha cabeça.

"Porque depois de seis anos vivendo isolado de todos, me senti impelido a aceitar em ir a esse baile, e por que essa sensação pairou sob mim?”

Enquanto isso em Edimburgo - Escócia...

ANNABELLA

Ouço uma batida na porta. Eu ainda estava deitada, enrodilhada entre as cobertas, com os olhos fechados, a mente enevoada e sonolenta, rezando para conseguir voltar a dormir. No entanto, as batidas se repetiram de maneira mais insistente.

— Menina Anna?

Sento-me abruptamente, tirei as cobertas para o lado e corri para abri-la.

— Bom dia, menina Anna! Desculpe-me por acordá-la.

— Bom dia Betha! Eu já estava acordada.

— Você precisa tomar logo o seu banho. Lord Watson solicita sua presença com urgência na sala para acompanha-lo no dejejum.

Suspirei ao sentir um calafrio percorrer por todo o meu corpo. Há dias não vejo o meu pai, para ser sincera, ele odeia minha presença, sempre vive bêbado e profere palavras que de início, eu não entendia por ser só uma criança, mas com o tempo, eu compreendi que o homem que me deu a vida, não tem nenhum sentimento bom por mim.

Bethany é a minha mãe do coração. Sempre cuidou de mim, desde o momento que vim ao mundo. É a única pessoa que sempre demostrou ter algum afeto pela minha pessoa, por anos a chamei de mãe, até que o meu pai me proibiu de chamá-la assim.

Deixo os meus pensamentos de lado e caminho em direção à sala adjacente, enquanto ela estava arrumando a minha cama desfeita. Alguns minutos depois, já havia tomado um banho rápido, algo que não era muito comum nessa época, já que as pessoas viviam fedendo a suor, e acabavam por banhar somente uma vez na semana, ao contrário de mim que não conseguia manter esse costume de ficar por dias somente fazendo escalda-pés ou um simples asseio matinal. Volto para o meu quarto usando um roupão de seda, cor de safira.

Apressei-me a me vestir, não queria fazer meu pai esperar muito e despertar ainda mais sua ira. Enquanto eu enfiava os braços nas mangas, Betha estava ocupada com os botões minúsculos que seguravam o vestido.

Vestida, mas trêmula interiormente, saí dos meus aposentos e logo estava caminhando pelo longo corredor que dava acesso a sala principal. Comecei a descer as escadas. As luzes das primeiras horas da manhã atravessavam a janela decorativa acima da porta da frente, refletindo-se através do lustre de cristal.

Não demorou muito para meus olhos ficarem fixos no homem que por anos se mantém afastado de mim, com uma coragem que não sentia, continuei caminhando, mas me detive ao ouvir o meu nome. Fiz uma reverência e o cumprimentei:

— Bom dia, Milorde.

Ele direcionou o olhar para mim, me analisando de cima abaixo. Meus batimentos começaram a ficar mais intensos. Ele fez um gesto com a cabeça e sorriu, o que deu alguma ternura às feições severas, fazendo o meu coração se alegrar.

— Sente-se! Temos muito que conversar.

“Depois de muitos anos, será que finalmente o meu pai vai começar a me tratar como sua filha?”

Um turbilhão de pensamentos se fazia presente em minha mente, porém, ouvir as palavras que saíram por entre os lábios do homem a minha frente, me deixou estarrecida.

— Amanhã iremos para a Inglaterra. Um baile acontecerá no Palácio de Buckingham e será a minha única chance de sair do buraco em que me encontro. Desde o maldito dia que você veio ao mundo, só trouxe desgraça para esta casa e para minha vida. Agora chegou o momento de me pagar por todo o mal que trouxe ao nascer.

Trêmula, abri minha boca, mas nenhum som saiu dos meus lábios. Sem que eu pudesse controlar, as lágrimas desciam pela minha face, sentia meu corpo agitado e meu coração batia descompassado. Meu peito queimava com as palavras que não paravam de ecoar em minha mente. Saio do estado estático que me encontrava quando ele volta a falar.

— Todos os homens de grande influência do Reino Unido estarão presentes, e você terá que ter pelo menos alguma utilidade nessa vida. Foi por sua culpa que cheguei até a beira do precipício. Com a beleza que tem, de certo despertará o interesse de alguém que aceite o que tenho em mente.

O meu próprio pai me via como um objeto, sua avareza só era superada pela sua crueldade. Ele não conseguia enxergar nada além das suas próprias necessidades e desejos. Movida por uma raiva que até eu desconhecia, levantei o olhar, encarando-o.

— Nada que o senhor fizer vai me machucar mais do que já não tenha feito. Tive uma infância incomum, a única pessoa que eu tinha em meio à solidão, foi a Betha, no entanto, se o que lhe fará feliz é me ver bem longe, se o meu nascimento trouxe tanto sofrimento para o senhor. Eu farei o que deseja e não importa o que aconteça nesse baile, tudo que não quero é ficar mais ao seu lado.

Antes que eu tivesse qualquer outra reação, senti minhas bochechas queimarem, o estalo do impacto da enorme mão do meu pai, com a minha pele, ecoou no cômodo. Suas órbitas esverdeadas demostravam, assim como suas palavras, o ódio que sentia pela minha existência.

Quando seus lábios se mexeram e ele ia dizer algo, Betha adentrou o ambiente, ao olhar para o meu rosto, seus olhos logo se encheram de lágrimas. O silêncio predominou no ambiente até o momento que o homem a nossa frente perguntou o que ela queria.

— A costureira trouxe o vestido que o senhor encomendou e veio fazer os ajustes necessários.

— Leve essa infeliz junto com você e trate para que o vestido fique perfeito, realçando todos os atributos dela.

Assim que ele terminou de proferir suas últimas palavras, se retirou do cômodo. Eu não conseguia me mexer, sentia que a qualquer momento minhas pernas iam fraquejar, levando-me ao chão. Betha me abraçou, enquanto as palavras proferidas minutos atrás martelavam em minha cabeça.

"Nada que eu possa encontrar naquele baile, será pior do que tenho vivido durante todos esses anos".

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