Livros e Histórias de Tao Su
Sombra Dela, Sonho Dele
Ele era Ricardo, o marido atencioso, que mantinha a casa impecável e o jantar pronto, à espera de Sofia Marques, a aclamada rainha dos tribunais. O que ninguém sabia era que ele era, na verdade, "Álvaro", o lendário advogado de São Paulo, que abdicou de sua coroa para se tornar sombra dela. Três anos de sacrifício, de ser seu acessório silencioso, seu "dono de casa", terminaram quando, após uma festa cheia de homenagens a ela, ele a levou para casa e ouviu o nome "Gustavo", seu ex-namorado e ídolo, sussurrado nos braços dele. Naquele abraço desesperado dela, ele não era o homem que ela via, mas um mero substituto, um corpo quente enquanto ela sonhava com outro. A dor de ser invisível, de ter seu amor e sacrifício completamente apagados, culminou em um ato de auto-humilhação pública ao protegê-la. Fui pisoteado pela multidão, com costelas quebradas, enquanto ela e Gustavo escapavam. Ali, naquele leito de hospital, com o corpo dolorido, mas a mente mais clara do que nunca, eu soube: o marido atencioso estava morto. Álvaro renasceria das cinzas, e ele não perdoaria.
Cozinheira Traída: Renascimento Ardente
O cheiro de desinfetante hospitalar e o som metálico dos equipamentos eram a trilha sonora do meu fim. Eu estava morrendo, esfaqueada por uma fã louca do meu namorado, Pedro, que gritava que eu era uma "chef malvada" que o havia sabotado. Minha vida passou diante dos meus olhos, mas não foram memórias felizes: só vi minha cozinha, a equipe que treinei e Pedro, o homem cuja carreira construí do zero, todos se virando contra mim. Tudo por causa de uma pote de tempero que Isabela, sua "amiga de infância" e eterna sombra, entregou a ele. Eu sabia que algo estava errado com aquele tempero químico; tentei avisar, que ele continha um forte tranquilizante que abragaria sua carreira. Mas fui ignorada e, pior, acusada de ciúmes e loucura na frente de todos. Meu aviso só serviu para que Pedro me desse um tapa no rosto, a dor da traição sendo muito maior que a física. No dia seguinte, ele competiu, passando mal como previ, mas o público e a própria Isabela culparam meu estresse, pintando-me como a vilã. Enquanto a vida me deixava, ouvi Isabela comemorar minha morte ao telefone com Pedro, revelando que manipulou Pedro e a carreira dele para tê-lo só para ela, fraco e arruinado. Senti uma raiva fria e profunda: a injustiça era imensa, eu não podia morrer assim. Meus olhos se fecharam, e então, se abriram novamente. O familiar cheiro de alecrim e alho invadiu minhas narinas. Diante de mim, estava Isabela, sorrindo e estendendo aquele mesmo pote a Pedro. Eu estava de volta, no momento exato da minha ruína. Desta vez, não haveria tapa, nem sacrifício. Desta vez, eu não protegeria ninguém que me traiu. Desta vez, todos eles iriam pagar.
Do Abismo à Luz: A Minha Segunda Chance
Era o meu 25º aniversário, e em vez de uma festa, recebi o presente mais cruel: a indiferença de quem jurei amar. Perdia o nosso bebé no chão frio da casa de banho, o sangue escorrendo, e tudo o que o meu marido, Leo, disse foi: "Para de arranjar problemas. Estou ocupado a dar banho ao cão da minha mãe." Ele desligou. Fui deixada a sangrar sozinha, enquanto a sua mãe, Sofia, me difamava, dizendo que eu estava a fingir para chamar a atenção. A dor física era excruciante, mas a do coração era um abismo. Onde estava o homem que prometeu estar ao meu lado? Onde estava a família? O Leo achava que a sujidade do cão era mais urgente do que a vida do nosso filho e a minha própria. Quando David, um velho amigo da faculdade, apareceu no hospital e pagou a minha conta, a decisão estava selada. O divórcio era inevitável. Mas justo quando a luz começava a surgir, e a felicidade com David parecia uma realidade, uma sombra começou a pairar. Correios eletrónicos anónimos e mensagens ameaçadoras surgiram, acusando-me de ser "imprópria" e dizendo a David que eu não o merecia. Seguiram-me, tiraram fotos minhas e de David, provando que alguém estava a observar-me. Achei que eram o Leo e a Sofia, sedentos de vingança. Mas a verdade... a verdade era muito mais chocante e próxima do que eu alguma vez poderia imaginar. Quem me queria destruir e porquê?
A Herdeira da Vingança: O Preço da Traição
O médico tirou os óculos, o seu rosto sério. "Sinto muito, a hemorragia interna do seu pai era demasiado grave. Fizemos tudo o que podíamos." Nesse momento, o meu mundo desabou. A dor no meu peito era insuportável, enquanto o cheiro a desinfetante me sufocava, e a minha perna partida latejava. Mas nada se comparava à traição que se seguiu. Liguei ao meu marido, Pedro, para partilhar a notícia devastadora. Ele atendeu com irritação: "Ana? O que foi? Estou ocupado." Quando consegui dizer que o meu pai tinha morrido, o silêncio do outro lado não era de choque, mas de frieza. "Eu sei," disse ele. "Eu estava lá. Tive de tirar a Sofia do carro primeiro. Ela estava a ter um ataque de pânico." A Sofia. A mulher que ele sempre protegia. A minha melhor amiga. Ele deixou o meu pai a sangrar, preso nos escombros, para salvar a sua 'amiga frágil'. O meu próprio marido observou o meu pai morrer. A fúria gelada apoderou-se de mim. A sua mãe, a Sônia, ligou logo a seguir, acusando-me de "birras egoístas" e defendendo o filho. "O teu pai teve um acidente, acontece! Não culpes o meu filho!" Eles não sentiam culpa, nem remorsos. Apenas desprezo pela minha dor. Naquele quarto de hospital, com o meu coração partido e a perna fraturada, soube que a minha antiga vida tinha ruído. Mas o meu pai, mesmo depois de morto, deixou-me uma arma. Era uma cláusula no seu testamento que amarrava o Pedro a mim. Ele precisava da minha assinatura para tocar no maior projeto da sua vida. Quando o Pedro ligou, com a voz subitamente suave e suplicante, eu sorri. O jogo tinha mudado. A guerra tinha começado. E eu ia lutar com tudo o que tinha por justiça.
Depois da Tempestade: A Ascensão Inesperada
O meu carro capotou na A5, a caminho de Cascais. Estava grávida, e a dor que rasgou a minha barriga era a última coisa que esperava. Perdi o nosso bebé. Num hospital frio e estéril, o vazio no meu ventre gritava a verdade. Corri para o telemóvel, o meu último fio de esperança, para ligar ao meu marido. A voz dele, distante e irritada, disse-me que estava "ocupado" com a sua "melhor amiga", Catarina. Nem a minha mãe me confortou, culpando-me por ter "criado um escândalo" e priorizando a "empresa" acima de tudo. Dias depois, exausta, voltei para a minha casa. Encontrei-o no meu quarto, com ela, na nossa cama. Ele confessou, sem uma ponta de remorso, que nunca quis o bebé. O mundo parou. A dor da perda era uma ferida aberta, e aquilo era sal puro. Como pude ser tão ingénua? Mas a raiva gelada deu-me clareza. No seu portátil antigo, encontrei o diário da traição: e-mails, planos para me descartar após o parto, e um rasto de milhões desviados da empresa para a conta dela. Ele não me traiu, ele roubou. Agora, eles vão pagar. Um por um.
