Livros e Histórias de Qu Ye Xiao Fang
O Recomeço de Uma Rainha
A dor me rasgou, um grito silencioso preso na garganta enquanto a vida escorria por entre minhas pernas, manchando o chão de madeira polida. Ergui os olhos, embaçados pela agonia e pelas lágrimas, e vi o rosto triunfante de Clara, minha irmã adotiva. Ao seu lado, Lucas, o Quarto Príncipe e meu marido, desviava o olhar, cúmplice da carnificina. "Por quê?", sussurrei, enquanto o mundo escurecia, levando comigo a vida do nosso filho ainda não nascido. Clara se agachou, seu rosto perfeito contorcido em desprezo, e suas palavras finais ecoaram em minha mente: "Como posso deixar uma bastarda me dominar? A culpa é sua e daquele bastardo por estarem no meu caminho!" Despertei em minha cama, tremendo, o suor frio escorrendo. Não havia sangue, não havia dor. Minhas mãos estavam limpas, meu ventre ainda plano. Meu bebê... ainda estava lá. A raiva fria tomou o lugar do pânico, e a determinação de aço substituiu a tristeza. Eu não era mais a Sofia ingênua. Eu renasci. Olhei para o calendário de bronze: era o dia. O exato dia em que, na vida anterior, o médico da corte anunciara minha gravidez. O ódio me deu um propósito. Eu não cometeria os mesmos erros. O jogo havia começado, e desta vez, não seria eu a morrer.
Meu Filho, Minha Prioridade: A Batalha de Helena
Naquela manhã, descobri que o meu filho estava livre de uma doença genética, mas o meu marido, Diogo, era portador. Um alívio imenso, que durou segundos. Minutos depois, liguei para partilhar a boa notícia, mas Diogo estava "ocupado" a levar a mãe da ex-namorada, Clara, ao hospital por um "ataque de pânico". Onde estava a sua família? Helena, Pedro? Sempre em segundo plano. Não era a primeira vez, nem a décima. Ele sempre teve desculpas para a Clara, a "fragilidade" dela. Mas eu? Eu estava sozinha no hospital, a tremer à espera de um diagnóstico que podia mudar as nossas vidas. E ele não sabia que tinha a mesma doença, porque estava demasiado ocupado a "ajudar" a ex. Naquele hospital, com o relatório do ADN nas mãos, uma decisão tornou-se mais clara que a luz da manhã: Se eu e o Pedro não éramos a sua prioridade, então ele também não seria a minha. Ele não sabia o que iria enfrentar no futuro, mas eu sim. Era hora de lutar pelo meu filho e por mim. Era hora de fugir. Era hora de lhe mostrar as consequências das suas prioridades.
