Livros e Histórias de Hamid Bawdekar
Traição em Dose Dupla
O cheiro do aeroporto me deixava ansioso, mas hoje era diferente. Finalmente, depois de dois longos anos, minha amada Ana voltaria para casa. Mas meu sorriso congelou no instante em que a vi empurrando um carrinho de bebê duplo. Dentro, dois bebês, em mantas azuis. \"São nossos filhos\", ela disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo, ignorando nosso acordo de \"dupla renda, sem filhos\" e as fortunas gastas em tratamentos de fertilidade. Levei-a para casa em torpor, e lá, a bomba explodiu: \"Eles não são biologicamente nossos. São filhos do Pedro. Você precisa largar seu emprego para cuidar deles.\" Pedro, o ex-namorado moribundo que Ana \"ajudou\" em sua \"viagem de negócios\". Minha mente girava, mas o estômago despencou quando uma notificação bancária surgiu: duzentos mil reais da nossa conta conjunta, transferidos para Pedro Almeida. A traição não era só emocional e física; era financeira. Ana, sem remorso, tentou me manipular: \"Ele precisava do dinheiro para o tratamento. Eu ia te contar.\" Mas eu sabia que não ia. Eu, o marido ingênuo, o caixa eletrônico. Naquele momento, mais do que a dor, um vazio gelado preencheu o espaço onde antes havia amor. Minha vida, como eu a conhecia, acabara.
O Preço da Escolha Dele
Estava grávida de oito meses, à espera do nosso filho e de uma vida perfeita. Mas o som de metal a rasgar mudou tudo. No carro capotado, pendurada e a sangrar, chamei pelo Miguel. O pai do meu filho. Ele ouviu-me, mas rastejou para a Sofia. "Espera! Ela é mais frágil." Fui deixada para trás, a sangrar até desmaiar, enquanto ele a salvava. Acordei num hospital, mas com a barriga vazia. O nosso bebé não sobreviveu. Miguel e Helena, a mãe dele, não lamentaram o neto, só me culparam. "Por tua causa, a Sofia podia ter morrido." Naquele silêncio gélido, percebi: eu não era família. Era uma intrusa. Fotos e conversas secretas revelaram a verdade: eu era um "útero" para um herdeiro, o amor de Miguel era para outra. A humilhação transformou a minha dor em fúria. Como pude ser usada e descartada assim? Não chorei mais. "Eu quero o divórcio, Miguel," declarei. Ele recusou, mas a minha decisão era inabalável. Minha vingança seria a liberdade. No tribunal, com provas da sua negligência e manipulação, eu os exporia. Finalmente, eu seria livre.
