Livros e Histórias de Bao Fu Ya Ya
A Vingança de Ana Lúcia Começa
As lágrimas escorriam, mas por dentro, eu ria. Depois de cinco anos, ele finalmente teve a coragem de me deixar. Pedro, meu ex-namorado e "artista" medíocre, estava ali na minha frente, espumando de raiva. Ele jogou um bolo na parede, melando tudo. "Acabou, Ana Lúcia! Chega do seu amor sufocante, de você me controlar!" Ele disparou um monólogo cruel, me chamando de "obcecada" e "mãe perseguidora" . Ele se gabou que Sofia, a cantora em ascensão, o "entendia de verdade" , ao contrário de mim, a "designer de rabiscos inúteis" . Pedro acreditava que estava me abandonando e me destruindo. Ele estava tão enganado. Eu o ouvia, mas já estava a quilômetros de distância, calculando meus próximos passos. Com um sorriso falso, eu sussurrei: "Então é isso… você vai ficar com ela." Ele triunfou: "Vamos ser grandes! Enquanto você… lamenta o que perdeu." Ele saiu, batendo a porta, certo de sua vitória. O silêncio que se seguiu foi a coisa mais doce que já ouvi. Eu não o amei, nunca. Ele era apenas um trampolim. Um investimento. E agora, o jogo estava para começar.
O Jogo de Um Bilionário
O telefone tocou, cortando o silêncio pesado da sala e anunciando o fim do meu mundo. Um acidente na Bandeirantes. Meu João. Morto. Eu mal tinha processado a dor, e o golpe veio: um advogado me entregou uma pasta com uma dívida de cinco milhões de reais no nome dele. Inacreditável para um vendedor que mal pagava o aluguel. Eu estava prestes a renunciar a tudo, quando uma dor de cabeça lancinante trouxe flashes. Imagens da minha vida passada. Eu, sozinha na rua com Pedrinho, depois de renunciar à herança. Minha "melhor amiga" Ana Paula aconselhando-me a ceder, enquanto meu filho era levado e torturado por um agiota. O corpo dele, encontrado em um terreno baldio. E a verdade chocante: João vivo, bilionário, com Ana e o filho "secreto" deles, Lucas. Tudo um plano para se livrar de mim e Pedrinho e ter acesso à verdadeira fortuna. O inferno que vivi antes, por causa da minha ingenuidade, foi um pesadelo real. Mas, desta vez, as regras do jogo mudaram. O advogado ainda me olhava, esperando por uma resposta. "Eu aceito", eu disse, minha voz firme e irreconhecível. "Eu aceito a herança. E a dívida. Eu vou pagar tudo."
A Casa Que Ele Perdeu, a Vida Que Eu Ganhei
Era o nosso aniversário de casamento. O Pedro prometeu-me um jantar especial. Mas, em vez disso, ele deixou-me a esperar por três horas... para ajudar a ex-namorada dele, Sofia, que "não tinha para onde ir" . De regresso a casa, sozinha, sob uma chuva fina, sofri um grave acidente de carro. Quando acordei no hospital, a primeira pessoa que vi foi a minha irmã, não o meu marido. O Pedro só apareceu horas depois, com cheiro a perfume de outra mulher e uma expressão de impaciência fria. "Como estás? Os médicos disseram que não é nada grave. A Sofia estava muito assustada, tive de ficar com ela para a acalmar." A sua voz era desprovida de qualquer preocupação ou remorso. Ele parecia mais irritado pelo meu acidente do que preocupado comigo. "Eu tentei ligar-te ontem à noite, Pedro. Muitas vezes. Mas estavas ocupado a consolar a Sofia." A minha voz tremeu quando disse: "Eu podia ter morrido, Pedro." E ele suspirou, como se eu fosse um fardo insuportável. Disse que eu era "dramática" e que "a vida da Sofia é tão difícil" . A minha vida? Casada com um homem que amava outra, ignorando a minha dor e a minha quase morte? Naquele momento, soube que não havia mais nada a dizer. Respirei fundo e as palavras que estavam presas na minha garganta disseram-se sozinhas: "Pedro, quero o divórcio."
O Preço de Um Amor Tóxico
Eu estava de oito meses de gravidez, ansiosa pela chegada do meu bebé, quando o impossível aconteceu. Um som metálico ensurdecedor, o cheiro a gasolina e a dor aguda na minha barriga foram o meu último pensamento consciente. Tentando chamar o meu pai, que jazia inconsciente, liguei ao Leo, o meu marido. A sua voz impaciente quebrou o meu coração. "Sofremos um acidente. Pai não se mexe. Estou a sangrar. Por favor, vem!" Mas em vez de ajuda, ouvi a voz chorosa da Sofia, a ex-namorada dele: "Leo, o meu tornozelo dói tanto!" A resposta dele foi gélida: "Chama uma ambulância. Não posso ir. Tu és forte, consegues resolver." Ele desligou, abandonando-me à beira da estrada. Despertei no hospital, a barriga vazia. O meu bebé tinha morrido. O Leo só apareceu horas depois, com flores, cinicamente preocupado com as contas. A minha sogra, Helena, veio não para me consolar, mas para me culpar pelo "stress" causado ao filho dela. "Acidentes acontecem. Pelo menos és nova, podes ter outros", disse ela, sem escrúpulos. Leo, usando o meu pai doente, tentou chantagear-me para ficar no casamento. Como pude ser abandonada assim, com o meu filho a morrer dentro de mim, por um tornozelo torcido de uma ex-namorada? Porque é que a minha dor, a minha perda, a minha família, valiam tão pouco para ele? A injustiça queimava a minha alma. Havia algo de terrivelmente podre por trás de tudo isto. Foi então que uma enfermeira revelou a verdade chocante: o "acidente" da Sofia não foi acidente, mas uma manipulação deliberada. "Cair das escadas foi a melhor ideia que ela já teve. O Leo nem sequer hesitou." Naquele momento, a minha dor transformou-se em fúria fria. Eu não seria mais a vítima. Eu iria expor a verdade e fazê-los pagar por cada lágrima. A batalha tinha começado.
A Infiltração Fatal
Estava grávida de nove meses, o nosso Martim prestes a nascer. O meu carro parado no meio da rua inundada na Baixa de Lisboa. A água já me batia nos tornozelos, e o pânico começava a instalar-se. Tentei ligar ao Tiago, o meu marido, a voz esganiçada de medo, dizendo-lhe que o bebé estava a caminho. Mas ele, com música de fundo e risos da prima Clara, desvalorizou tudo. Disse que a Clara precisava dele por causa de uma "pequena infiltração" e desligou-me o telefone na cara. Acordei no hospital, a barriga vazia, o coração desfeito. O meu filho Martim tinha morrido, vítima da falta de oxigénio. No dia seguinte, Tiago apareceu com a prima, fingindo preocupação e revirando a história. Até o pai dele meteu-se, culpando-me por não ter "sensibilidade" e por não ser grata por estar viva. A dor da perda era excruciante, mas a mentira e a indiferença deles eram uma agonia ainda maior. Como puderam ser tão cruéis? Como conseguiram dormir, enquanto eu vivia o meu pesadelo mais profundo? A cada palavra deles, sentia-me mais traída, mais injustiçada, e a minha confusão transformava-se em fúria. Será que a Clara era mais importante que o nosso filho? Foi então que uma amiga em comum me enviou uma foto. Tiago e Clara, sorridentes, com pipocas, a ver um filme na Netflix. A hora? Treze minutos depois de eu lhe ter ligado, pedindo socorro. A "infiltração" era uma única gota de água. Naquele instante, a minha tristeza deu lugar a uma fria e calculista determinação. Ele ia pagar por isso, e eu ia garantir que todos soubessem a verdade.
