Meu trabalho era como babá na casa de uma família rica, cuido de uma menina mimada e sem limites... Mas o pior de tudo é que me apaixonei pelo irmão mais velho dela, Anthony.
Ele é bonito demais, estilo playboy e cheio de manias estranhas. Estou me sentindo pressionada por esse relacionamento, ser virgem a essa altura da vida parece estranho para ele.
Prometi que logo isso aconteceria entre nós, mas eu me enganei completamente sobre tudo. Eu não ia trabalhar na sexta-feira, a mãe da pirralha me deu folga e eu já pretendia sair para o cinema com uma colega... Quando recebo uma ligação:
- Cristina, me perdoe, mas tive um imprevisto e você precisa vir trabalhar agora!
Droga, telefonei desmarcando o filme e tive que ir para a mansão praticamente no meio da noite. Assim que cheguei, percebi uma movimentação estranha no quarto do Anthony e ele me disse que estudaria a noite inteira para o vestibular.
Encosto a cabeça e ouço os gemidos de uma mulher, desço as escadas e pego a cópia da chave do quarto dele que ficava com a empregada. Ela sai correndo atrás de mim implorando que eu não faça uma loucura.
Abro a porta e me deparo com ele transando com uma ruiva, meu coração se parte em vários pedaços e eles me olham assustados.
- Era assim que você dizia gostar de mim?
- O que esperava? Você se recusou a me dar o que eu queria e tive que procurar com outras!
O nojo que senti com a fala dele me fez perder totalmente a razão, saí correndo antes que ele me visse chorar. Apenas gritei para a empregada que cuidasse da menina, pois não estou em condições de fazer isso.
Enquanto caminho para minha casa, esbarro com força em um homem alto que usava roupas pretas e estranhamente óculos de sol em plena noite... Ele parecia importante, pois havia seguranças ao seu redor.
- Me desculpe! - Minha voz saiu trêmula, ele estica a mão e me entrega uma flor amassada. Por educação, pego e continuo meu trajeto sem olhar para trás.
Assim que entrei em casa, recebi uma mensagem da patroa me xingando por ter deixado a menina, bloqueei o contato... coloquei a flor amassada sobre a cômoda e tentei dormir.
No dia seguinte, eu tinha algo para fazer no orfanato. Théo é um menino que chegou recentemente e muito carente de afeto pelas coisas que sofreu até chegar ao abrigo.
Ele tem apenas três anos, mas é muito esperto e nos tratamos como irmãos desde o primeiro momento. Quando precisei sair de lá, ele chorou e continua a sofrer... Por isso, preciso ir todos os dias para abraçá-lo.
- Cris! - Ele corre em minha direção e o pego no colo.
A madre superiora se aproxima de nós.
- Me telefonaram há pouco dizendo que você foi demitida, é verdade?
- Sim senhora, mas não se preocupe... Encontrarei outro trabalho bem rápido.
- Por Deus, Cristina! A mulher está furiosa e ela é uma das maiores empregadoras que temos aqui. Essa família sempre nos ajuda com trabalhos para as internas!
- Peço desculpas por isso, madre, mas mudando de assunto. A senhora já pensou melhor sobre o Théo?
Ela vira de costas para nós dois.
- Não podemos menina, você sequer tem um emprego agora. Nunca autorizariam uma adoção... E...
- E? A senhora está evitando olhar para mim, por quê?
Caminho e fico em sua frente.
- Há uma família interessada em adotar Théo, eles são de São Paulo!
- Não é justo fazer isso, nos separar desse jeito. A vida já foi tão cruel e agora até a senhora madre!
- Olhe para mim Cristina, acha mesmo que na atual situação daria um lar melhor para esse menino?
- Um lar feliz é com pessoas em quem ele confia. Nem sabemos quem são essas pessoas que querem levá-lo!
- Sinto muito, mas está decidido!
Apenas ouvindo tudo o que a madre disse, ele sabe que esse pode ser nosso último encontro e me abraça mais forte. Toda a minha vida eu passei aqui esquecida nesse lugar até completar a maioridade. Théo não merece isso e nem ser forçado a se adaptar a estranhos.
Quando eu era menor, havia uma saída secreta, uma espécie de túnel que nos levava para a rua.
- Théo preciso ir...
- Não! - Ele me abraçou e começou a chorar. Eu precisava ter certeza de que essa loucura que estou prestes a cometer seja o que ele deseja.
Saí puxando-o pela mão, quando estive certa de que não nos veriam sair. Corri com ele pelo corredor, era uma caminhada razoavelmente longa, mas valeria a pena.
Cerca de meia hora caminhando pelo labirinto no subsolo, saímos. Sei que já devem estar no albergue me procurando, não posso voltar agora.
- Estou com fome! - O menino resmunga,
Tiro do meu bolso um pouco de dinheiro, seguimos a uma lanchonete e ele come. Meu coração ainda acelera, sei que sofrerei muito para dar uma vida melhor para ele e estou disposta a tudo!
Telefono de um telefone público para uma das meninas com quem divido o quarto, elas não atendem e temo ter que pagar um quarto essa noite.
- Tenho pouco dinheiro, mas tenho uma ideia melhor!
Eu ia para a casa de um amigo ex interno, ele tem um salão de beleza e poderia nos dar abrigo por uma noite. Théo saiu do meu lado no instante em que esse pensamento me distrai.
- Théo? - Chamo-o, acabo entrando em um corredor escuro de uma rua quase deserta.
Não o encontro, mas paro de falar assim que vejo dois homens batendo em outro que implorava pela vida. Um tiro foi dado, eles me olham antes do corpo cair e saio correndo...
Sou pega pouco antes de alcançar a outra rua, eles me levam até a escuridão e temo pela minha vida.
- Onde pensa que vai vadia? - disse um deles, apontando a arma.
- A lugar nenhum, estou procurando meu filho...
- Tão novinha assim!
- Espera, não atira nela. Não acha que essa garota pode ser nossa solução?
Os dois me olham fixamente.
- Ela não parece a Charlotte.
- Não para nós que enxergamos, mas o porte dela... Altura, estilo dos cabelos e até uns traços!
- Tem razão! Isso pode acalmar o chefe, até acharmos aquela vagabunda. Essa foi sua noite de sorte, você vem com a gente.
- Por favor, não posso... Meu filho! Sem ele eu não saio daqui...
- Qual o nome do pivete? - Um deles pergunta.
- Théo, ele tem três anos e cabelos castanhos.
Sou colocada no carro, um deles me vigia enquanto o outro chega com Théo e felizmente, estamos juntos novamente.