Livros e Histórias de Helen
Meu Mundo Parou: A Traição Que Custou Uma Vida
Quando o médico me disse que a minha mulher, Eva, e o nosso filho recém-nascido tinham morrido, o mundo parou. Eu estava sentado no corredor frio do hospital, o cheiro a antisséptico sufocava-me. Mas no meu momento de maior desespero, os meus próprios pais não estavam lá. Não atenderam as minhas dezoito chamadas desesperadas enquanto a Eva estava a morrer. Em vez disso, correram para socorrer a minha ex-namorada, Sofia, que tinha "arranhado o joelho" e o seu "cão ansioso". Pior, quando finalmente lhes dei a notícia terrível, a fúria do meu pai explodiu. Ele acusou-me de "brincar com a morte" e de usar a tragédia da minha mulher para "o fazer sentir culpado". Eles mandaram-me de volta as coisinhas do nosso bebé que nunca chegou a respirar, com um bilhete cruel da minha mãe: "Talvez isto te ajude a lembrar do que perdeste por tua própria culpa." Como podiam fazer isso? Como podiam escolher uma ex-namorada e o seu cão em vez do seu próprio filho e neto? A sua frieza, a sua traição, a sua crueldade quebrou-me. Mas um fio de raiva acendeu-se. Com o apoio inabalável do meu irmão Leo, que abandonou a empresa da família, decidimos que era hora de levá-los a tribunal. Não por dinheiro. Por justiça. Eles iriam pagar pelo inferno que me fizeram passar.
Adeus, Amor de Segunda Mão
"Vou me divorciar do Alex", eu disse à Carla, minha melhor amiga. Ela quase engasgou com o café, chocada. Por três anos, minha vida de casado foi uma sombra tênue, onde o verdadeiro amor do meu marido sempre foi outro. Alex, a estrela do time de natação da faculdade, nunca me amou. Eu era o porto seguro, o substituto convenientemente disponível quando seções de seu coração se estilhaçaram pela partida de Daniel, seu noivo, no altar. Casei-me com ele, sabendo que era amor de segunda mão, mas alimentava a esperança tola de que um dia eu seria suficiente. Essa esperança definhou a cada vez que Alex corria para o lado de Daniel, a cada crise - real ou fabricada - do homem que ele ainda idolatrava. Eu era a figura de fundo, o zelador, aquele que cuidava da casa enquanto ele vivia sua vida, em constante devoção a Daniel. Ele me defendia casualmente, mas o fez porque eu era seu "marido", não Leo, a pessoa. No dia do meu aniversário, quando ele cantou "Parabéns pra Você" com um bolo em mãos, meu coração vacilou. Mas então, o celular tocou, o nome "Daniel" brilhou na tela, e Alex se desculpou, apressado para atender ao chamado de seu verdadeiro amor, deixando-me sozinho com a vela acesa. Naquele momento, não houve mais hesitação. "Desejo nunca mais te amar", sussurrei para o silêncio, apagando a vela. Eu não era mais um prêmio de consolação. Não era mais o estepe. Era hora de me libertar de uma década de amor não correspondido e três anos de uma mentira. Com uma calma assustadora, preparei os papéis do divórcio. Seria a última vez que Alex me subestimaria. Seria a minha própria libertação.
Rainha do Castelo Próprio
A tela do meu celular iluminava meu rosto, refletindo toda a ansiedade e a expectativa. Amanhã eu finalmente conheceria Pedro Albuquerque, meu "príncipe" virtual, herdeiro de uma famosa marca de café. Ele era charmoso, rico e, aparentemente, apaixonado por mim – tudo o que eu sonhava para uma garota pobre do interior com grandes sonhos de ser estilista. Mas a ansiedade não me deixava dormir. Levantei para beber água e ouvi vozes vindo do quarto da minha colega de quarto, Patrícia. Era ela, sussurrando ao telefone. "Sim, Pedro... Ela está aqui, toda animada. Mal sabe ela... Coitadinha." O nome de Pedro fez meu estômago gelar. "Claro que ela acreditou em tudo. Ela é tão ingênua, uma garota pobre do interior. Acha mesmo que um cara como você se interessaria por ela de verdade?" Cada palavra era um soco. "Não se preocupe, eu te ajudo a se livrar dela. Mas e o seu amigo, o João? Ele realmente vai no seu lugar amanhã?" Ele ia me humilhar, me dispensar por meio de um amigo, como se eu fosse um brinquedo. E Patrícia, minha "amiga", era cúmplice. Minhas lágrimas foram engolidas pela fúria. Eu não seria humilhada. Peguei meu celular e sorri amargamente no escuro. Eles queriam um jogo? Eles teriam um. Mas agora, as regras eram minhas.
Cicatrizes de Concreto
O barulho da broca de impacto ecoava pelo meu crânio, mas o estrondo que veio a seguir foi o do meu mundo a desabar. Presa debaixo de uma viga de concreto, com a perna esmagada, e a água da tempestade a subir rapidamente. O meu telemóvel, com o ecrã estilhaçado, ainda funcionava. Com a mão trémula, disquei o número do Pedro, o meu marido. A voz da minha cunhada atendeu, leve, quase alegre: "O Pedro está a conduzir. O que se passa?" Consegui balbuciar que o prédio onde eu estava tinha desabado, que estava presa. Então ele veio ao telefone. Gritei: "Pedro! Ajuda-me! Estou presa no estaleiro! O prédio ruiu!" A resposta dele foi fria como o aço. "Helena, para de fazer drama. Estou ocupado. O Trovão está a passar mal." "A minha perna está esmagada, a água está a subir!" "Liga para os bombeiros, eles são pagos para isso." E desligou. O som do "tu-tu-tu" foi mais devastador que o desabamento. Escolheu salvar o cão da irmã em vez de mim. A ironia amarga: o cão chamava-se Trovão, e a tempestade que me matava era uma piada cruel. Quando acordei, a minha perna tinha desaparecido. Amputada. E ele? A sua "preocupação" era com o cão. Vi a foto da minha cunhada nas redes sociais: Pedro abraçando o Trovão, legenda "O meu herói!". Enquanto eu perdia a perna, ele "recuperava do susto". Perdi a perna, mas ele perdeu o meu coração. Eu não queria o dinheiro dele. Eu queria justiça. E o meu advogado tinha uma surpresa para ele: a gravação da minha chamada aos bombeiros e o registo do GPS do carro dele. Ele podia ter chegado a tempo. Mas não se importou. Eu ia provar que a minha vida valia mais do que o desconforto de um animal. E que a minha força não se media em pernas, mas na capacidade de me levantar. Eu era a Helena. E ele ia pagar por ter escolhido o Trovão.
