Os joelhos de Isolde bateram no linóleo. Ela procurou desajeitadamente pelo celular. Seus dedos tremiam com tanta violência que ela o derrubou duas vezes antes de conseguir desbloquear a tela.
Grayson.
Ela discou o número particular dele.
Chamou uma vez. Duas.
Chamada recusada.
Um segundo depois, uma mensagem de texto vibrou em sua palma.
Em reunião. Não perturbe. Pare de ligar.
Isolde encarou a tela. As letras brancas no fundo cinza se borraram.
A oito quilômetros dali, as taças de cristal na Gala de Caridade Lancaster tilintavam como sinos delicados.
Grayson Lancaster ajeitou sua gravata de seda, sua expressão era a máscara perfeita de uma afabilidade entediada. Ele estava parado perto da fonte de chocolate, observando Belle Escobar limpar uma mancha de fondant da bochecha de Kaiden, de seis anos.
"Você está mimando ele", disse Grayson, mas o canto de sua boca se ergueu. Não era exatamente um sorriso, mas foi o mais próximo de afeto que ele demonstrou a noite toda.
Belle riu, um som leve e ensaiado. "Alguém tem que mimar. Onde está a dona da casa? Pensei que Isolde traria a Effie hoje à noite."
O rosto de Grayson endureceu. O afeto evaporou. "Ela está fazendo drama. Effie teve febre ou algo assim. Isolde usa a saúde da menina como desculpa para evitar esses eventos. Ela sabe que eu odeio quando ela fica emburrada."
"Coitadinha", murmurou Belle, embora seus olhos estivessem vasculhando o salão em busca de fotógrafos. "Ela realmente lida mal com a pressão, não é?"
"Ela lida mal com tudo", resmungou Grayson, tomando um gole de seu champanhe.
De volta ao hospital, a enfermeira entregou a Isolde um saco plástico. Ele continha um par de meias pequenas e rosas e uma presilha de cabelo em formato de borboleta.
"Sra. Lancaster", disse a enfermeira suavemente, a pena marcando linhas ao redor de seus olhos. "O... o seu marido vem? Para os preparativos do transporte?"
"Ele está ocupado", sussurrou Isolde.
Ela saiu para a noite de New York. Caía uma chuva torrencial. Ela não tinha um guarda-chuva. Não chamou um motorista. Apenas andou.
A água encharcou seu casaco de lã barato. A chuva fria se misturou com as lágrimas quentes que ela finalmente se permitiu derramar, mascarando-as.
Ela chegou à cobertura duas horas depois.
O apartamento estava escuro. Silencioso.
Sobre a lareira, havia uma foto emoldurada. O retrato de "Família". Grayson estava sentado em uma poltrona de couro, com Kaiden em seu colo. Belle estava de pé atrás deles, com a mão apoiada com familiaridade no encosto da poltrona. Isolde estava ao fundo, um pouco fora de foco, segurando uma Effie desfocada.
Ela se sentou no chão em frente à lareira fria, tremendo.
Já passava da meia-noite quando o elevador soou. Grayson entrou, trazendo o cheiro de chuva e do perfume característico de Belle - sândalo e rosas - para o ar parado.
Ele afrouxou a gravata, seus olhos se estreitando ao ver Isolde sentada no escuro, ensopada.
"Pelo amor de Deus, Isolde", ele disse bruscamente, jogando as chaves no aparador. "O que você está fazendo? Estragando o piso de madeira?"
Isolde não ergueu o olhar. Estava encarando as próprias mãos.
"Onde está a Effie?", ele perguntou, em um tom seco. "Presumo que esteja dormindo? Ou você a deixou com a babá para poder ficar aí sentada sentindo pena de si mesma?"
"Ela se foi", disse Isolde.
Grayson suspirou. Ele massageou as têmporas. "Foi dormir? Ótimo. Não tenho energia para o choro dela esta noite. Nem para o seu."
Ele passou por ela em direção ao quarto principal. Não viu o saco plástico no chão.
"Grayson", ela disse.
Ele parou na porta, sem se virar. "O quê?"
"Nada", ela sussurrou.
Ele bateu a porta com força.
Isolde estava sentada no escuro, ouvindo o silêncio de uma casa que não mais abrigava o bater do coração de sua filha.