Livros e Histórias de Eleanor
A Vingança da Ana Beatriz
A voz irritada de João Pedro, meu marido, ecoava pelo saguão do aeroporto enquanto a crise de saúde global se agravava lá fora. Ele insistia em esperar por Mariana, sua amiga, ignorando os avisos do piloto e o pânico crescente das outras famílias. Era o dia em que tudo desmoronou na minha vida passada. Naquela vida, eu cedi à sua manipulação, esperando por ela, por um capricho egoísta. Minha recompensa? Fui usada como bode expiatório, humilhada publicamente e culpada por todos. Ele transferiu todas as minhas ações da empresa da minha família para o nome dele, e meu pai, com o coração fraco, não suportou a notícia e faleceu. Minha mãe adoeceu de tristeza, e eu, sem nada, acabei com minha própria vida. Mas, de alguma forma, eu estava de volta. De volta ao mesmo aeroporto, ao mesmo dia fatídico. Minhas mãos estavam lisas, sem as cicatrizes da miséria que viria. Eu não era mais a Ana Beatriz ingênua e apaixonada. Meu peito encheu-se de uma raiva fria e determinada, lembrando da dor aguda da traição. Desta vez, não haveria sacrifício. Não haveria perdão. Haveria apenas vingança.
Adeus, Vida Antiga
Na mansão de Ricardo, eu era um fantasma, uma sombra silenciosa que, por cinco anos, serviu a um homem que me via menos que um acessório. A festa borbulhava quando sua prima, Mariana, me atacou por usar vermelho – "A cor de Helena, sua falecida ex-noiva! Só ela ficava bem de vermelho!" . A humilhação foi pública, afiada, brutal. Eu, a mãe do filho dele, Lucas, era insignificante, uma mera substituta. Esperei que Ricardo me defendesse, mas ele apenas franziu a testa, os olhos frios, e disse: "Mariana tem razão. Vá para o quarto e troque. Coloque algo mais discreto". Fui para o banheiro, olhando meu reflexo, confrontando cinco anos de esperança estúpida. Quando Ricardo irrompeu, impaciente, exigindo que eu trocasse o vestido, a palavra escapou: "Não". Ele ficou chocado. Eu não voltei para a festa, apenas segui em frente, para longe daquela vida que nunca foi minha. Voltei apenas por Lucas, meu filho, o único pedaço de amor real que restava. Mas Dona Beatriz, a avó, o havia afastado de mim. Na manhã seguinte, no chão da sala, Lucas, meu próprio filho, para quem eu era uma estranha, rejeitou meu abraço, escolhendo a avó. "Vovó disse que você foi embora porque não me ama mais", ele disse, as palavras claramente ensinadas. Naquele instante, tudo desabou. Eu não era mais a segunda opção; era a estranha. Não restava nada para mim ali. Peguei uma mala e parti, deixando o jardim, a casa e toda a minha vida para trás. Mesmo assim, Ricardo, em sua arrogância, acreditou que eu voltaria. Ele não compreendia que, para mim, o jogo havia mudado, e ele não estava mais no controle.
