Livros e Histórias de Da Cao Mei
O Retorno de Isabella
O cheiro de mofo e morte ainda pairava, a escuridão da masmorra grudada na minha pele. Lá fora, os sinos dobravam, não em festa, mas anunciando minha execução pelo crime de traição que não cometi. A porta rangeu, e neles vi as figuras de Verônica, minha meia-irmã, e Ricardo, meu noivo. "Eu falsifiquei as cartas, plantei as provas. Ricardo me ajudou" , Verônica sussurrou, seu sorriso frio rachando meu mundo. Ricardo, cujo toque um dia prometera o mundo, olhou-me com desprezo: "Você nunca foi o suficiente para mim, Isabella. Verônica, sim, ela sabe como tratar um homem." A lâmina desceu, e a dor da traição era excruciante, pior que a própria morte iminente. Se eu pudesse ter outra chance, eles pagariam, eu jurei. Então, a escuridão cedeu à luz. Abri os olhos, em meu quarto, nos meus lençóis de seda, não na pedra fria da prisão. Corri para o espelho: era eu, aos dezesseis anos, no dia da minha festa de debutante – o dia em que tudo começou a desmoronar. Eu havia retornado. Uma risada fria escapou dos meus lábios, uma melodia de vingança ressoando na promessa de que, desta vez, tudo seria diferente. Desci as escadas para o salão de baile e a vi: Verônica, com o grampo de safira que meu Imperador tio me dera, roubado e brilhando em seu cabelo. Ela sorriu, um sorriso falso e doce. Eu a encarei, a raiva e a dor de uma vida passada fervendo. E dei-lhe um tapa.
Corpo Trocado, Destino Alterado
Dona Clara, a babá que me criou como uma segunda mãe, entrou no meu quarto com o sorriso de sempre e um copo de leite morno, prometendo energia para o vestibular. Mas o brilho em seus olhos denunciava algo mais: ganância. Eu já havia vivido essa cena. Lembrei-me de beber o leite, sentir um sono estranho e acordar presa no corpo de Bruna, a filha dela, enquanto a "minha" Bruna, em meu corpo, destruía meu futuro no vestibular. Fui desqualificada, humilhada publicamente, e meus pais, convencidos por elas, me abandonaram, acreditando na farsa da minha própria loucura. Voltei, desacreditada, sozinha, enlouquecendo dentro de um corpo que não era o meu, até não suportar mais e morrer. Mas, para minha surpresa, acordei de volta no meu quarto, no dia da tragédia, com Dona Clara, novamente, oferecendo o leite envenenado. Desta vez, a raiva fervia mais forte que o medo. Eu não seria a vítima. Eu sabia o que elas queriam, e usaria isso contra elas. Precisava entender por que tanto ódio. Com um sorriso doce e falso, peguei o copo. Desta vez, quem sorriria por último seria eu.
Justiça Por Minha Avó
Minha vida, que antes era uma tela em branco pronta para ser pintada com os pincéis da sétima arte, virou um pesadelo em rede nacional. No auge do Festival de Cinema do Rio, meu roteiro, "Sombras do Passado", a culminação de anos de sacrifício, seria finalmente reconhecido. Mas o lendário diretor Bruno, em vez de anunciar o vencedor, subiu ao palco e, diante de todos, me acusou de plágio, rasgando meu trabalho em pedaços. Os flashes explodiram, me cegando, enquanto meu nome e reputação eram destruídos em segundos. Fui publicamente humilhada, virando a "ladra" e "vigarista" na boca de todos, perdendo não só o prêmio, mas minha carreira antes mesmo de começar. Por que ele faria isso com tanto prazer, com um ódio tão pessoal, se eu nunca o havia conhecido? Eu não entendia a razão de tanta crueldade, mas a raiva fria que nasceu da humilhação me deu uma nova direção. No fundo do baú da minha avó falecida, encontrei a resposta: um diário e roteiros que provavam que Bruno não me plagiou, mas sim roubou o trabalho dela décadas atrás, e me destruiu para manter seu segredo enterrado. Agora, com essas provas e a ajuda de um hacker, eu renasceria das minhas próprias cinzas para arrombar as portas do sistema que me fechou.
