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Meu Doce Recomeço

Meu Doce Recomeço

5.0
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Bianca Olsen é uma mulher jovem e herdeira de uma fortuna bilionária. Sua vida em New York era perfeita, tinha uma família amorosa, amigos, viagens e luxo. Todavia, tudo isso desmorona, quando ela se casa com um homem extremamente violento e abusivo. Para fugir de seu agressor e recomeçar a sua vida, Bia tomará uma atitude drástica, que pode lhe causar muitos problemas futuros. John Cooper é um homem experiente e um CEO renomado, dono da maior empresa de Tecnologia de Sydney na Austrália. Após sofrer uma dupla traição, decide se fechar para o amor, e nunca mais ser fiel a ninguém. Só existe uma pessoa nesse mundo, a quem ele ama verdadeiramente, sua filhinha de cinco anos, Lívia. Entretanto, tudo muda, quando a nova babá, chega abalando todas as suas estruturas, e fazendo com que ele quebre a sua única regra: Não se envolver com nenhuma funcionária. Ela precisa de uma nova vida, ele precisa curar seu coração. Juntos irão descobrir, que sempre há tempo para recomeçar. Afinal, a vida é cheia de segundas chances! Você está pronta para o Recomeço?

Índice

Meu Doce Recomeço Capítulo 1 Problemas no paraíso

Copyright © 2023 de Elisa Bianchi.

Trata-se de uma obra de ficção. Nomes, personagens, locais e eventos mencionados são fruto da criatividade da autora. Qualquer similaridade com nomes, datas, pessoas vivas ou falecidas e eventos reais é pura coincidência.

Conteúdo para maiores de 18 anos.

PLÁGIO É CRIME.

Os direitos autorais foram garantidos. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Esta narrativa trata de assuntos sensíveis que podem provocar reações emocionais em alguns leitores, como: violência física e verbal, linguagem ofensiva, sexo explícito, relacionamento tóxico, abuso familiar, tortura, entre outros. No entanto, caso ainda opte por embarcar nessa aventura, desejo-lhe uma excelente leitura!

Seja bem-vindo(a) ao meu universo. Um beijo, Elisa Bianchi.

Capítulo um: Problemas no paraíso.

Dois anos antes...

BIANCA OLSEN

A gente nunca esquece a dor do primeiro tapa. E não falo da dor física, mas sim da emocional. Aquela que se impregna em nossa alma e deixa uma ferida eterna no coração.

- Nunca mais me cobre porra nenhuma! - brada James, me atingindo com força no rosto.

Hoje completamos nosso primeiro ano de casados. Deveria ser uma noite feliz. Eu colocaria um lindo vestido, faria uma maquiagem caprichada e sairíamos para jantar. Imaginei ele me presenteando com uma joia, talvez flores, dizendo o quanto me ama. Pensei que teríamos um momento único, trocando juras de amor e planejando o bebê que pretendíamos ter em breve. Todavia, nada disso aconteceu. Minha vida perfeita era apenas uma fantasia que eu mesma havia criado.

James, mais uma vez, chegou em casa bêbado, agressivo e com um cheiro doce - certamente perfume de outra mulher. Nas últimas semanas, venho notando suas mudanças de comportamento; está sempre nervoso e rude, tratando-me com grosseria e falta de respeito. Tem bebido muito e seu horário de chegada é cada vez mais tarde. Ele usa o cargo de delegado no departamento de homicídios do FBI como desculpa todas as vezes que chega em casa de madrugada, o que tem se tornado rotina.

Nesta noite, ele se esqueceu por completo do nosso aniversário de casamento e de tudo o que eu havia planejado para nós. Foi a gota d'água que me fez transbordar. Explodi ao vê-lo nesse estado. Discutimos e, para minha surpresa e desespero, o homem que eu amo, o meu príncipe encantado, enfureceu-se e me agrediu.

Sinto o gosto de sangue na boca; o golpe foi tão forte que rasgou meu lábio. Meu rosto arde e minha cabeça lateja, mas nada é pior do que a dor da decepção. Caída no chão, choro em agonia, sem querer acreditar que o homem lindo, carinhoso e gentil que conheci há pouco mais de um ano em um bar - aquele por quem me apaixonei perdidamente, entreguei meu coração e me casei um mês depois - seja, na verdade, um monstro.

- Tive um dia infernal na delegacia. Acha que é fácil comandar a homicídios? - berra, andando até o bar e servindo uma dose de uísque para si mesmo. - Eu sou um homem importante, não tenho tempo para as suas frescuras, está me ouvindo? Você não faz nada da vida, não sabe o que é ter que trabalhar! Não passa de uma inútil! - Sua fala é carregada de arrogância.

Aquelas ofensas inflamam meu ódio. Seco minhas lágrimas e o encaro.

- Fico em casa porque você me pediu. Você não quer que eu trabalhe! Eu não sou inútil e quero voltar para a empresa, lá é o meu lugar! - Apesar do meu tom alterado, sinto medo por não saber do que ele é capaz.

- Cale-se! - vocifera. Seus olhos azuis ficam vermelhos e ainda mais assustadores. Ele vira a dose e atira o copo com força contra a parede. - Quem manda nesse caralho sou eu! Mulher minha não trabalha! Você ficará em casa me servindo e ponto final!

- Me solta! Socorro! - grito, ao ser agarrada pelos cabelos.

- Você faz o que eu mandar, entendeu?

- Está me machucando! Me solta, James! Por favor! - imploro, aos prantos.

- Você precisa de um corretivo para aprender a respeitar o seu marido.

Outro tapa arde em meu rosto. Ah, Deus, me proteja, Senhor! - clamo mentalmente.

- Vagabunda! Quem você pensa que é para me desafiar? Cansei de você, cansei! - Tomado pela fúria, o homem me pega pelo pescoço e aperta, tirando meus pés do chão.

- Ja... James, n... não, p... por favor... M... me des... culpe... - peço com dificuldade, tentando afastar as mãos dele do meu pescoço.

Com um empurrão brusco, ele me joga no chão e se afasta.

- Levante-se daí e pare de chorar. Vamos para o quarto, agora! - ordena ríspido, passando por mim e subindo as escadas de madeira que levam ao andar de cima.

Sempre trabalhei. Desde muito nova, meus pais me inseriram nos negócios da família. A Tex Olsen International foi fundada pelo meu avô materno, Nicholas Olsen, há quarenta anos. Somos os maiores fabricantes de tecidos do país, além de possuirmos inúmeras lojas.

Quando conheci James, meus pais estavam me preparando para sucedê-los no cargo de CEO. Porém, ele me convenceu de que eu era muito jovem. No auge dos meus vinte e um anos, ele achava muito cedo para eu assumir uma responsabilidade tão grande. Suas palavras me desencorajaram e me deixaram insegura. Com medo de decepcionar meus pais, decidi me afastar por um tempo da empresa.

James, um homem experiente de trinta e cinco anos na época, quis assumir o cargo por mim, mas meus pais não concordaram. Deixaram claro que iriam esperar o tempo necessário até que eu me sentisse segura para assumir o lugar que me pertence por direito.

Em suma, neste momento sou uma dona de casa frustrada que apanha do marido. Não posso aceitar isso.

- Bianca, tenho que falar com você duas vezes? - escuto o berro de James vindo do quarto.

- Já estou indo, James! - respondo, engolindo em seco.

Ergo meu corpo do chão, tomo fôlego e subo as escadas. Dentro do quarto, evito olhar para ele. Caminho direto para o banheiro e, com o corpo ainda trêmulo, lavo a boca suja de sangue, sentindo a ardência da água contra a pele. Sigo para o closet, pego uma mala pequena e começo a enfiar minhas roupas dentro. Imediatamente, James surge na porta.

- Mas o que é isso? Enlouqueceu? - indaga, entrando na minha frente e puxando a mala para si.

- Você não pode me bater, não pode! Não vou aceitar isso, James! Acabou, voltarei para a casa dos meus pais! - aviso, tentando puxar a mala de volta.

Ele joga a bagagem longe e me abraça forte.

- Meu amor, não diga isso nem de brincadeira! Eu te amo, minha linda! Só fiz isso porque você me deixou nervoso. Me desculpa, por favor, amor! - explica com a voz suave, parecendo até mesmo outra pessoa.

- James, eu... - Sou impedida de terminar minha fala pelos lábios dele, que invadem os meus com força.

- Ai! - reclamo, me afastando. - Minha boca está machucada.

Seus olhos azuis estão brilhantes. Ele sorri e acaricia meu rosto.

- Perdão, meu amor! Perdão! Você me conhece, sabe que isso nunca mais irá se repetir.

É assustador, mas, mesmo sentindo no fundo que aquela promessa era uma mentira, simplesmente não consegui ir embora. Eu o perdoei e, pouco tempo depois, tudo se repetiu, de novo e de novo. A cada vez, o pesadelo era ainda pior.

Após as agressões e humilhações, eu recebia flores, joias e promessas falsas. Sendo gentil e amoroso, James conseguia me manipular. Eu sempre o absolvia, acreditando que daquela vez seria diferente, que ele mudaria e que nossa vida voltaria a ser perfeita como antes. Mas eles não mudam. Eles nunca mudam.

Com seu ciúme possessivo e poder de manipulação, James me tirou tudo: o trabalho, os amigos, a independência, a força e até mesmo a presença da minha família. Mudei meu jeito de vestir, deixei de ir aos lugares que amava frequentar, alterei minha forma de falar... Mudei tudo. Deixei de ser eu mesma. Fui tomada por medo, insegurança e dependência emocional.

James me ludibriou. Entretanto, mesmo que fingisse ser um bom marido, meus pais pareciam perceber que algo não estava certo. E isso o irritava profundamente; ele tinha ódio deles, óbvio, já que eram os únicos que poderiam me libertar daquele tormento. Mas eu não conseguia dizer a verdade. Sempre que me questionavam, eu mentia, dizia que estava tudo bem, que eu era feliz e que James era bom.

Quando se está dentro de uma relação abusiva, o medo fala por você. O agressor confunde a sua cabeça e faz você duvidar da sua própria sanidade. Era como se eu estivesse presa em areia movediça, afundando mais a cada passo. E não importava para onde eu tentasse me mover, simplesmente não conseguia me libertar do domínio de James.

Meses depois, meus pais, Carol e Connor, sofreram um grave acidente de carro. Houve uma falha nos freios, o veículo derrapou na pista coberta pelo gelo, capotou e despencou em uma ribanceira. O automóvel afundou e, presos aos cintos, ambos faleceram por afogamento.

Achei que já havia sofrido o suficiente, mas a dor de perder as pessoas que mais se ama na vida é impossível de superar. Não existiam mais lágrimas para chorar; me sentia inerte, dominada pela tristeza.

Em vez de me apoiar, James aproveitou meu pior momento para agir. Quinze dias após o enterro dos meus pais, desci as escadas e o encontrei sentado na sala de jantar.

- James, chegou cedo! Vou mandar servirem o jantar.

- Não quero comer. Temos que conversar. Sente-se! - ordena em um tom frio que já conheço muito bem.

- Estou cansada, podemos falar depois? - argumento, porém em vão.

- Sente-se aí, porra! Estou mandando! - esbraveja, batendo os punhos sobre o tampo de vidro escuro da mesa.

Derrotada, faço o que ele manda. James deposita duas folhas brancas de papel e uma caneta na minha frente.

- Assine! - impõe.

- O que é isso? - pergunto, confusa.

- Isto é um laudo médico!

- Um laudo? De quem? - volto a questioná-lo, entendendo menos ainda.

- Seu! Aqui você está sendo diagnosticada com depressão em estágio grave e alguns sinais de esquizofrenia - explica, sorrindo.

- O quê? Mas eu não me consultei com nenhum médico, James! Isso é um erro! - digo, incrédula.

- Não, Bianca, não é. E aqui está uma procuração em que você passará o controle total das empresas Olsen e de toda a sua herança para mim. - Aponta para o segundo documento e pega a caneta. - Sua doença te impedirá de assumir o cargo de CEO. Portanto, eu o farei. Assine! - exige.

- Você só pode estar ficando maluco, não irei assinar nada! Esse é o legado da minha família, você não vai tirar isso de mim! - vocifero revoltada, tentando me levantar.

Contudo, rapidamente ele se põe de pé e me impede, forçando meus ombros para baixo com violência.

- Você está doente, meu amor! - debocha, apertando-me ainda mais forte, e continua: - Com esse laudo, consigo até mesmo te internar compulsoriamente. É isso o que você quer? - Seu tom é rude e ameaçador.

- Eu não sou louca, James! Não estou doente e não vou assinar! Está me machucando, me solta! - exijo, aumentando meu tom de voz. Ele se enfurece.

- Assine essa merda agora, Bianca! - berra, empurrando meu rosto para perto do papel sobre a mesa. - Assine, ou vai se arrepender, eu juro! Eu te interno, te enterro em um sanatório clandestino para o resto da sua vida! - ameaça, gritando no meu ouvido. - Você está desequilibrada. Somente eu sei o que é bom para a sua vida. Você não tem capacidade para administrar os negócios; isso é coisa de homem.

James é um homem influente e respeitado. Conseguir esse laudo não deve ter sido difícil. E sei que suas promessas não são vazias. De qualquer forma, ele terá o que quer: se eu resistir, serei internada em algum buraco e nunca mais ninguém me achará.

Mesmo sentindo meu peito rasgar, pego a caneta e assino a procuração. Não consigo nem ao menos ler o conteúdo antes que ele tome as folhas de mim.

- Agora sim! Tudo em minhas mãos! - gargalha, diabolicamente. - E você ficará guardadinha em casa, como deve ser. Obedecendo e servindo ao seu marido.

Ele segura meu queixo, forçando-me a lhe dar um beijo que me causa repulsa imediata. James se afasta sorrindo, vitorioso. Debruço-me sobre a mesa, chorando em completo desespero. Acabou, minha vida acabou. Agora serei prisioneira deste homem pelo resto dos meus dias.

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