"Relaxa. A carteira de criptomoedas está configurada. Ela só quer que essa vadia suma", respondeu o outro, cuspindo no chão.
Ela foi sequestrada.
Kinsley forçou sua respiração a desacelerar.
Seus dedos roçaram em algo afiado perto de seu quadril direito. Uma engrenagem de metal afiada e enferrujada de algum maquinário descartado.
Ela agarrou a borda de metal irregular.
O metal cortou seu polegar, mas ela ignorou a ardência. Começou a serrar a corda grossa que amarrava seus pulsos atrás das costas. Para frente e para trás.
O atrito queimava suas feridas abertas. Era um trabalho agonizantemente lento.
O cânhamo grosso mal se desfiou no início, mas ela manteve seus movimentos firmes, escondendo o esforço atrás das costas.
Dez minutos se passaram em uma tensão agonizante enquanto os homens discutiam sobre o pagamento, dando a ela o tempo precioso de que precisava para desgastar as fibras.
O sequestrador mais alto se aproximou e chutou sua coxa. O impacto enviou uma onda de dor por sua espinha.
"Seu marido de Wall Street não dá a mínima para você", ele riu, soprando fumaça em seu rosto. "Nós te pegamos há três horas. Sem polícia. Sem equipe de busca. Você não é nada."
Ela manteve a boca fechada. Seus olhos se fixaram no celular descartável barato, de modelo antigo, preso ao cinto dele.
Uma sirene de repente soou, não distante, mas gritando no quarteirão ao lado. As luzes vermelhas e azuis piscantes vazavam pelas frestas da porta de rolo, pintando o armazém escuro com flashes frenéticos.
Ambos os homens enrijeceram, pensando que era uma batida policial. Eles largaram os cigarros e correram em direção à porta de rolo de metal para olhar para fora.
Esta era sua chance. Ela afastou os braços com toda a força que tinha. A corda puída arrebentou.
Seus pulsos sangravam livremente agora, mas ela não parou. Rastejou pelo concreto, silenciosa como uma sombra, e alcançou o barril de metal. Ela pegou o celular descartável da mesa onde o homem o havia acabado de jogar.
Ela se jogou atrás de uma pilha de caixotes de madeira podre bem no momento em que eles se viraram.
Suas mãos tremiam violentamente enquanto ela discava o número particular de Joaquin. Seu coração martelava contra suas costelas com tanta força que ela pensou que poderia quebrá-las.
A linha chamou duas vezes. Ele atendeu.
"Que tipo de jogo você está jogando agora, Kinsley?", a voz de Joaquin era puro gelo.
"Joaquin, por favor", ela sussurrou rapidamente, pressionando a mão sobre a boca para abafar o som. "Fui sequestrada. Estou em um armazém, talvez nos arredores do Brooklyn. Eles têm facas. Você tem que chamar a polícia."
Uma tosse suave e fraca veio pelo receptor.
"Joaquin, meu peito dói", a voz frágil e aguda de Ember resmungou ao fundo.
A temperatura da voz de Joaquin caiu para o zero absoluto. "Você enlouqueceu? Fingindo um sequestro porque está com ciúmes da Ember? Ela está doente, Kinsley."
"Estou sangrando. Eles vão me matar", ela implorou, com as lágrimas queimando seus olhos.
"Nunca mais ligue para este número e perturbe o descanso da Ember de novo", Joaquin rosnou.
A linha ficou muda. O som de discagem zumbia em seu ouvido.
Ela encarou a tela escura. As lágrimas pararam de cair. A fria realidade de seu casamento de três anos se instalou em seu estômago como um bloco de chumbo. Ele a deixou para morrer para que sua amante pudesse dormir.
"Onde está o celular?", uma voz rugiu pelo armazém.
Passos pesados soaram contra o concreto, vindo direto em direção ao seu esconderijo. Ela colocou o celular no silencioso e o enfiou no sutiã.
Seus dedos se fecharam em torno de um cano de ferro enferrujado jogado na sujeira. Ela o segurou com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
O sequestrador mais alto espiou por trás do caixote de madeira.
Ela balançou o cano com toda a força que tinha. O ferro pesado acertou em cheio o joelho dele.
Ele gritou, um som úmido e de algo quebrando ecoando pela sala, e desabou no chão.
O segundo homem tirou um canivete automático do bolso e avançou contra ela.
Ela empurrou a pilha de caixotes pesados e podres. Eles tombaram, caindo sobre ele e bloqueando seu caminho.
Ela não olhou para trás. Escalou a madeira caída e correu em direção a uma janela quebrada na lateral do prédio.
O homem se lançou, sua lâmina cortando o tecido de sua jaqueta e arranhando seu ombro.
Ela se jogou através da moldura de vidro estilhaçado. Atingiu o chão lamacento do lado de fora com força. Seu tornozelo torceu, enviando uma pontada aguda de agonia por sua perna.
A adrenalina inundou suas veias. Ela se forçou a levantar.
A porta do armazém foi aberta com um chute atrás dela. Feixes de lanterna cortaram a escuridão.
Ela correu para a mata densa. A chuva congelante caía em torrentes, encharcando suas roupas instantaneamente e lavando seu sangue.
Espinhos rasgavam suas bochechas e braços. Seus pulmões ardiam. Ela continuou correndo.
Através das árvores, ela viu o brilho amarelo e fraco dos postes de luz. Uma rodovia.
Ela tropeçou para fora da linha das árvores e caiu no asfalto liso e molhado. Faróis perfuraram a chuva pesada, vindo direto em sua direção.
Ela deu um passo para o meio da estrada e levantou os braços.