"Feliz aniversário, meu bem," disse Elinor, sua voz falhando apenas um pouco. Ela colocou delicadamente a coroa de papel na cabeça de Cece, evitando o emaranhado de tubos intravenosos e fios do monitor. O papel parecia berrante contra o branco estéril dos travesseiros do hospital.
Cece não sorriu. Seus olhos, grandes e fundos em seu rosto pálido, permaneceram fixos na tela. Seus dedos minúsculos e frios encontraram a mão de Elinor e a apertaram com uma força que surpreendeu Elinor.
"Quando o papai vai me levar para ver o Mickey?" Cece sussurrou.
A pergunta atingiu Elinor como um golpe físico no peito. Seus pulmões se recusaram a expandir. Ela olhou para a filha, para a esperança que tremeluzia naqueles olhos cansados, e sentiu o ácido das mentiras queimar o fundo de sua garganta.
"Ele está em uma reunião muito importante agora," disse Elinor, as palavras com gosto de cinzas. "Mas assim que ele terminar, virá direto para cá. Eu prometo."
Cece assentiu lentamente, confiante. "Ele disse que viria."
O monitor acima da cama apitou. Uma vez. Duas. Então o ritmo mudou. Acelerou, um passo frenético e errático que correspondia ao pânico repentino que arranhava o peito de Elinor.
O aperto de Cece no dedo de Elinor se intensificou, depois afrouxou. Seu peito arfou, um som terrível de estertor escapando de seus lábios. Sua pele, já pálida, assumiu um tom azulado ao redor da boca.
"Cece?" Elinor se inclinou. "Cece, olhe para mim!"
O monitor soltou um grito agudo e contínuo. A linha verde que rastreava os batimentos cardíacos de Cece despencou, achatando-se em uma linha irregular e sem esperança.
"Não!" Elinor bateu a mão no botão de chamada. Ela se virou para a porta, sua voz rasgando a garganta. "Socorro! Alguém me ajude!"
A porta se abriu com um estrondo. O Dr. Evan Cole liderava o carrinho de parada, com uma equipe de enfermeiras se aglomerando atrás dele. Eles se moveram com velocidade praticada, empurrando Elinor para o lado. Ela tropeçou, seu quadril batendo na quina afiada do balcão, mas não sentiu. Ela não conseguia sentir nada além do terror congelando seu sangue.
Ela pressionou as mãos contra o vidro frio da janela de observação. Lá dentro, o Dr. Cole estava posicionado sobre o corpo minúsculo de Cece, com as mãos entrelaçadas, bombeando com força o peito dela. A coroa de papel caiu, pisoteada sob o arrastar dos sapatos médicos.
"Vamos," Elinor sussurrou, seu hálito embaçando o vidro. "Vamos, meu bem."
A cena na televisão mudou. Um programa de notícias de entretenimento interrompeu com uma reportagem especial. "Estamos indo ao vivo para o tapete vermelho no Peninsula Hotel," o apresentador anunciou animadamente, "O Sr. Derick reservou a Disneyland inteira para comemorar o aniversário de Kiana!" Flashes de câmeras disparavam como relâmpagos, iluminando o tapete vermelho. Derick entrou em cena, sua figura alta impecável em um smoking feito sob medida. Ele segurava a mão de uma garotinha - Kiana. Kamryn Turner caminhava do outro lado, seu vestido brilhante agarrado às suas curvas, o braço possessivamente entrelaçado no de Derick.
O telefone de Elinor vibrou em seu bolso. Ela o pegou com as mãos trêmulas. Era uma mensagem de texto do assistente de Derick, enviada uma hora atrás: O Sr. Grant não está disponível.
Dentro do quarto, o Dr. Cole parou. Ele olhou para a enfermeira. Ela balançou a cabeça negativamente. Ele olhou para Cece, seus ombros caindo um pouco. Ele recuou, tirando as luvas.
Ele pegou o lençol branco.
"Não," Elinor sussurrou. Ela bateu no vidro. "Não! Não se atreva!"
O lençol pousou sobre o rosto de Cece, escondendo a coroa de papel no chão.
Um som rasgou a garganta de Elinor - não um grito, mas algo animalesco, um lamento que ecoou pelo corredor vazio. Ela bateu com as palmas das mãos no vidro até latejarem, mas a barreira resistiu.
A porta se abriu. O Dr. Cole saiu, seu rosto uma máscara de pesar profissional. "Sinto muito, Sra. Grant. Fizemos tudo o que podíamos."
Os joelhos de Elinor cederam. Ela caiu no chão de linóleo, o impacto sacudindo seus ossos. Ela não conseguia respirar. O ar havia sumido, sugado para fora do universo, deixando apenas um vácuo onde seu coração costumava estar.
Uma maca passou por ela no corredor. Na tela da televisão acima do posto de enfermagem, Derick se inclinou e deu um beijo suave na testa de Kiana Turner.
Inúmeros fogos de artifício brilhantes explodiram no ar à distância, do lado de fora da janela, seguidos por uma linha de palavras que apareceu no céu noturno--
Feliz aniversário para a nossa Kiana!
Elinor olhou fixamente para a tela. Suas mãos se fecharam em punhos, as unhas cravando tão fundo em suas palmas que ela sentiu o calor úmido do sangue. A dor estava lá, vasta e esmagadora, mas algo mais estava surgindo por baixo dela. Algo mais frio. Mais afiado.
Um capelão do hospital se aproximou, seus passos hesitantes. "Sra. Grant? Já fez os arranjos? Quer esperar por seu marido?"
"Não," disse Elinor. Sua voz estava rouca, esfolada, mas firme. Ela se levantou do chão. "Sem espera. Quero que ela seja cremada. Agora."
O capelão piscou. "Normalmente as famílias levam um tempo-"
"Eu disse agora." Os olhos de Elinor estavam secos, ardendo. "Não vou deixar que ele toque nela."
Algumas horas depois, ela estava no porão do crematório. O ar estava denso com o calor e o cheiro de fumaça industrial. Milo, o atendente, empurrou a maca de aço inoxidável em direção ao forno crematório.
"Senhora, você precisa confirmar," disse Milo gentilmente.
Elinor deu um passo à frente. Ela colocou o coelho de pelúcia favorito de Cece - uma coisa gasta e cinza, sem um olho - sobre o lençol, bem acima de onde estaria o peito de Cece.
"Eu te amo," Elinor sussurrou. "Sinto muito."
Milo apertou o botão. A porta pesada se abriu, revelando as chamas alaranjadas e rugidoras. A maca rolou para dentro. A porta se fechou com um clangor metálico final.
Elinor ficou ali, olhando para a porta fechada, até que o calor se tornou insuportável, até sentir sua própria pele enrijecer. Ela não se moveu até que Milo voltou, segurando uma caixa pequena, pesada e selada.
"As cinzas," ele disse suavemente. "Sinto muito pela sua perda."
Elinor pegou a caixa. Ainda estava quente do processo. Ela a apertou contra o peito, os cantos afiados cravando em suas costelas. Parecia impossivelmente pequena. Enquanto saía do hospital, ela já estava discando o número do joalheiro mais exclusivo da cidade, sua voz um sussurro frio e preciso enquanto encomendava um medalhão de prata personalizado, grande o suficiente para conter o pó precioso. Seria sua armadura. Seria sua arma.
Ela saiu pelas portas do hospital. O céu havia se aberto, despejando lençóis de chuva fria na calçada. A água encharcou suas roupas em segundos, gelando-a até os ossos, mas ela não se encolheu. Ela parou nos degraus, a caixa apertada contra o peito, e olhou para trás, para as janelas brilhantes do hospital.
A dor ainda estava lá, mas havia se cristalizado. Não era mais algo suave e dolorido. Era uma lâmina.
Ela pegou o telefone, seus dedos escorregando na tela molhada. Discou um número de memória.
"Vance & Associates," uma voz nítida atendeu.
"Aqui é Elinor Grant," ela disse, a chuva lavando as lágrimas de seu rosto. "Quero entrar com o pedido de divórcio. Hoje."