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Depois do fim

Depois do fim

5.0
25 Capítulo
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Quinze anos de casamento deveriam representar estabilidade, amor e futuro. Para Ariane, representaram silêncio, medo e uma lenta anulação de si mesma. Quando a violência rompe definitivamente os limites do aceitável, ela descobre que o fim de uma história pode ser, na verdade, o começo de outra - muito mais difícil, mas finalmente verdadeira. Decidida a sobreviver, Ariane deixa para trás tudo o que a prendia e atravessa fronteiras em busca de recomeço. No Texas, ela reconstrói sua carreira, sua rotina e, aos poucos, a própria identidade. Mas o passado não aceita ser abandonado tão facilmente. Diego, o homem que um dia jurou amá-la, se recusa a perder o controle, transformando a distância em vigilância e o amor em obsessão. É nesse território instável entre medo e liberdade que Ariane conhece Caleb - um homem marcado por cicatrizes próprias, cuja presença firme e silenciosa revela uma nova forma de afeto: sem posse, sem gritos, sem dor. Enquanto sentimentos nascem com cautela, Ariane precisa enfrentar a ameaça que insiste em persegui-la, descobrir até onde vai sua coragem e decidir quem ela quer ser depois de tudo o que foi quebrado. Depois do Fim é uma história sobre ruptura, força feminina e a difícil aprendizagem de amar sem medo - inclusive a si mesma.

Índice

Depois do fim Capítulo 1 PROLOGO

***ATENÇÃO***

Antes de iniciar a leitura, você deve saber que neste livro pode conter gatilhos para quem sofreu abusos psicológicos e/ou físicos. Não leia caso você seja uma dessas pessoas.

***************************

Eu sempre soube que, quando me casasse, não seria fácil.

Não porque o amor fosse difícil - mas porque o homem que escolhi já vinha tentando moldar a minha pele, minha voz e até meus silêncios, como se eu fosse uma peça de argila nas mãos dele.

No começo, eu achava que isso era cuidado.

Depois, que era ciúme.

E, por fim, que era amor.

Eu era muito nova. Inexperiente. Nunca tinha namorado ninguém antes, e não imaginava que relacionamento nenhum tinha luzes de advertência. Achava que todos os casais enfrentavam brigas que terminavam em desculpas vazias, crises que se repetiam como estações, olhares que pesavam como culpas.

Eu não sabia que aquilo não era amor.

Era controle - mas eu só aprendi a diferença tarde demais.

A única bússola que eu carregava vinha da minha mãe.

A frase dela ecoava dentro de mim como uma oração proibida:

"Filha, nunca deixe um homem levantar a mão para você. O primeiro golpe não é o começo de nada - é o fim."

Cresci ouvindo isso.

Cresci acreditando nisso.

E, ainda assim, tropecei no destino que ela temia.

Aguentei insultos, crises de ciúme, acusações sem sentido. Aguentei a manipulação silenciosa, a vigilância disfarçada de amor. Aguentei tanto que, quando percebi, já não lembrava quando tinha sido a última vez que eu me reconheci no espelho.

E então, numa noite qualquer - a noite que deveria ser de celebração - ele atravessou a linha que minha mãe tinha traçado quinze anos antes.

Não houve aviso.

Não houve discussão que justificasse.

Não houve momento para respirar.

Houve apenas o primeiro golpe.

E depois o segundo.

E o terceiro.

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