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Alemão: O Dono do Morro

Alemão: O Dono do Morro

5.0
11 Capítulo
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''No asfalto, o teu namorado pode achar que é dono do mundo. Mas aqui em cima, a lei sou eu." Alice é uma patricinha italiana de classe alta, presa em um relacionamento tóxico que quase a levou à morte. Alemão é o temido chefe do Complexo, um homem sem rosto e sem nome para a sociedade, que resolve tudo no silêncio e na bala. Quando o destino joga Alice no caminho de Alemão, uma barreira perigosa é rompida. Ela precisava esquecer a dor e ele só queria saciar um instinto. Mas no jogo do crime e do luxo, o desejo é uma armadilha. Aviso: Uma história sobre dependência, libertação, possessividade e um romance proibido que vai queimar seus neurônios. • Contém violência, uso de drogas, gravidez e traição. Leia se não for sensível aos temas.

Índice

Alemão: O Dono do Morro Capítulo 1 Prólogo

POV ALICE 💖

O cheiro de couro importado e o perfume caro de Felipe de repente pareceram sufocantes dentro daquela BMW blindada. Eu mantinha os olhos fixos na tela do celular dele, que ainda brilhava entre meus dedos trêmulos.

As mensagens eram explícitas. Fotos, vídeos e conversas nojentas com outra mulher, uma das muitas com quem ele vinha se encontrando pelas minhas costas.

​Toda a fachada de namorado perfeito, o homem que meu pai tanto admirava e que estava prestes a assumir o império da família Bianchini, desmoronou em segundos.

Senti o estômago revirar. Meu sotaque italiano, que costumava se misturar suavemente ao português quando estava nervosa, sumiu, dando lugar a um nó na garganta.

Travei o celular quando ele entrou no carro. Encarei minhas unhas belíssimas e respirei fundo mil vezes antes de ter coragem e confrontar.

​- Quem é Jeniffer, Felipe? - a voz de saiu baixa, trêmula, mas carregada de ódio. Desbloqueio o celular e esfrego na cara dele. - Me diz quem é essa mulher.

​Felipe, que dirigia em alta velocidade pela Linha Amarela após sairmos de um jantar de gala, olhou de relance. O semblante charmoso dele se transformou em uma máscara de puro ódio.

​- Devolve a porra do meu celular, Alice. - ele esbravejou, o tom de voz subindo a um nível que eu nunca tinha ouvido antes.

​- Eu larguei a minha vida na Itália, implorei para o meu pai me deixar ficar no Brasil por você... e você quer me tratar como uma idiota?

​- Cala a boca, porra. - O grito dele ecoou no espaço fechado. - Teu problema é ser intrometida, não tinha nada que mexer no meu celular.

- Vai se fuder, porra. Não vem dá uma de vítima, não vou sair como errada estando certa. - Grito de volta.

Felipe dirige mais rápido do que já dirigia, seu ego tentando me causar medo.

- Para esse carro, agora. Eu quero descer.

Ele acelera mais ainda me encarando.

- ACABOU FELIPE, para essa porra, caralho.

​Antes que eu pudesse reagir, senti meu rosto doer. O punho fechado de Felipe atingiu em cheio a lateral do meu rosto. O impacto jogou a minha cabeça contra o vidro da janela. Uma dor explodiu na minha mandíbula, seguida por uma sequência de tapas violentos na cabeça que me deixaram completamente desorientada.

​- Você não é nada sem mim, mimada do caralho. - Felipe rugia, os nós dos dedos brancos ao redor do volante enquanto o carro ziguezagueava pela pista escura. - Você vai baixar a cabecinha e esquecer o que viu.

​Chorei tentando proteger o rosto com os braços, meu coração batia tão forte que parecia que ia rasgar meu peito. A agressão física já era um pesadelo, mas o horror real começou quando Felipe surtou e usou uma das mãos para puxar o punhal do bolso.

​O reflexo do aço brilhou sob a luz fraca do painel.

​- Você quer brincar de me peitar, Alice? Quer estragar a minha vida, porra? - ele rosnou, avançando com a lâmina em direção ao meu rosto enquanto mantinha o carro em movimento.

​O instinto de sobrevivência assumiu o controle. Num reflexo desesperado, estiquei as mãos para empurrar o braço dele. A lâmina afiada rasgou a palma da minha mão esquerda e deslizou pelo meu braço, cortando o tecido do vestido de festa. Num movimento brusco de Felipe, a ponta do punhal alcançou a lateral do meu pescoço.

​O corte não foi profundo, mas o sangue jorrou imediatamente, quente, manchando o tecido do meu vestido caro.

​O pânico cego tomou conta de mim. Com a mão direita que ainda restava livre, destravei a porta do passageiro. O vento forte da noite invadiu o veículo.

Aproveitando que Felipe reduziu a velocidade por um segundo, me joguei pra fora do carro em movimento.

​O impacto com o asfalto doeu e eu rolei pelo chão, sentindo a pele das pernas e dos ombros se rasgarem na pista. Gritei com a dor e ouvi os pneus da BMW cantar, mas Felipe não parou.

​Mesmo com minha visão embaçada pelas lágrimas olhei ao redor. Vi de lado um paredão cheio de luzes cortada por vielas escuras e o som distante de um batidão de funk.

Segurando o pescoço com a mão ensanguentada pra tentar estancar o sangramento, corri pra fora da pista e comecei a subir a primeira rua pavimentada que encontrei. Tirei os saltos e corri sentindo o corpo doer e o vestido rasgar mais ainda.

​Entrei em um beco mais escuro, o fôlego falhando, as forças sumindo rapidamente. O choque e a perda de sangue começavam a cobrar o preço.

Eu sabia que tava entrando em uma comunidade, não sou idiota. Mas não tinha o que fazer.

​- Coé, pega a visão... tem uma dondoca adentrando o morro. Tá toda ensanguentada. - uma voz ecoou perto dali, áspera e baixa.

​Parei de andar, o corpo tremendo. Do meio da escuridão do beco, três homens armados com fuzis surgiram, bloqueando a saída. Os rádios em suas cinturas estalavam com chiados altos.

​- Que porra é essa? É isca? Cadê os alemão? - uma voz no rádio ecoou.

​- Eu... por favor... - Tentei falar, mas a voz falhou. Cai de joelhos no chão úmido do beco tentando respirar, eu já nem estava mais raciocinando.

- Taliba, cola aqui, pô, a dondoca vai de ralo, mané. - o cara fala no rádio. Obtendo uma resposta em seguida avisando que o tal Taliba estava descendo.

Continuei respirando tentando me acalmar enquanto os três apontavam os fuzis pra mim.

Escutei barulho de motos rasgando as ruas e em questão de segundos, duas motos pararam no beco.

​O silêncio que se instalou no beco foi quase instantâneo, interrompido apenas pelos passos lentos e firmes de alguém que se aproximava. Os homens recuaram um passo, abaixando levemente as armas em sinal de respeito absoluto.

​Juntei as forças e olhei pra cima.

Acho que minha visão já estava embaçada, porque eu via dois homens andando na minha direção, mas só um deles parou, enquanto o outro se aproximou.

Ele vestia roupas escuras, simples, mas carregava uma aura de respeito. Seus olhos não transmitiam nada, apesar de serem verdes e extremamente bonitos, frios e calculistas, analisando cada detalhe da cena em frações de segundo.

​Ele olhou para o vestido de alta costura rasgado, para as joias e finalmente, para o sangue que cobria meu corpo das mãos até o pescoço.

​Dando um passo a frente, ele fez um gesto curto com a mão direita. Os homens finalmente baixaram a guarda e se posicionaram na entrada do beco.

​Ele caminhou até mim e se agachou.

O perfume importado dele, com certeza da marca Bvlgari, chegou até mim.

​- Qual foi? Tu sabe onde tu tá? - a voz dele saiu baixa, rouca, mas cheia de autoridade, em outras circunstâncias eu estaria totalmente atraída por ele. Balancei a cabeça negando. - Quem foi o desgraçado que te cortou desse jeito aí?

​Tentei responder, mas meus lábios apenas tremeram. Comecei a sentir que ia desmaiar e meus olhos foram ficando pesados. A última coisa que eu vi antes de apagar completamente e desabar para a frente foi o cara me segurando e a sensação de braços fortes e firmes me levantando antes que eu atingisse o chão.

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