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Casamento de contrato com Dono de Fazenda

Casamento de contrato com Dono de Fazenda

5.0
11 Capítulo
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Eles tinham tudo para se destruir... até que um contrato os amarrou ao mesmo destino. Helena Albuquerque é a definição da bruta de coração mole. Criada na lida da roça, ela sabe manejar o gado e enfrentar qualquer peão, mas usa essa armadura para esconder as dores de um luto recente. Quando seu pai morre repentinamente, Helena se vê diante do maior pesadelo de sua vida: a fazenda da família está atolada em uma dívida milionária e prestes a ir a leilão. Otávio Barreto é o impiedoso herdeiro da estância vizinha. Um fazendeiro raiz, de poucas palavras, olhar intimidador e mãos calejadas, que comanda suas terras com punho de ferro. Ele tem o poder de salvar o legado dos Albuquerque, mas não fará isso de graça. Otávio tem uma condição inegociável para quitar a dívida: ele quer Helena como sua esposa. Para Helena, a proposta é uma humilhação inaceitável, um ato de pura ganância para unificar as terras da região. Mas, sem saída, ela aceita o sacrifício. Ela entra na igreja jurando odiá-lo por cada dia de suas vidas, prometendo que ele comprou apenas o seu sobrenome, mas nunca o seu respeito. O que ela não imagina é que, por trás da marra desse cowboy implacável, existe um segredo guardado a sete chaves: Otávio a deseja em silêncio há anos, e o casamento forçado foi a única saída desesperada que ele encontrou para protegê-la de uma ameaça ainda maior. Agora, trancados sob o mesmo teto, duas forças da natureza vão colidir. Entre brigas explosivas no curral, provocações à luz de lampião e uma tensão sexual impossível de conter, eles vão descobrir que o orgulho pode até ditar as regras... mas a paixão bruta é quem manda nesse chão.

Índice

Casamento de contrato com Dono de Fazenda Capítulo 1 A Porteira do Destino

O cheiro de terra úmida e flores de maracujá ainda pairava no ar, como se o pai dela ainda estivesse ali, caminhando devagar pelos corredores da sede da fazenda, com o chapéu de aba larga na cabeça e as mãos sempre sujas de barro. Helena Albuquerque Barreto - ou apenas Helena Albuquerque, como ela ainda se chamava no coração - estava de pé na varanda de madeira, os cotovelos apoiados no parapeito gasto pelo tempo, os olhos fixos na imensidão verde que sempre foi o seu mundo.

A Fazenda Albuquerque era mais do que terra, gado e plantações: era o legado de gerações, o lugar onde ela aprendera a montar a cavalo antes de saber ler, onde aprendera a tratar de feridas em animais e a defender cada palmo de chão como se fosse parte do próprio corpo.

Mas naquela tarde, o verde parecia cinza. Há três dias, o pai, Seu Antônio, caíra morto no meio da pastagem, vítima de um ataque cardíaco repentino. O luto pesava no peito dela como uma pedra, mas nos últimos meses, ela já vinha sentindo um aperto estranho, uma preocupação que ela não sabia explicar direito, só sentia que algo não andava bem.

Lembrou-se, então, de vários sinais que antes ela achara que eram apenas cansaço ou idade chegando: o pai, que sempre fora aberto e falante sobre tudo o que acontecia na fazenda, passou a trancar o escritório com chave, a levar papéis para ler na cama, a fazer contas em cadernos que ninguém podia ver. Algumas vezes, ela o viu sentado à mesa, a cabeça entre as mãos, com um olhar tão pesado que parecia carregar o mundo nas costas.

Quando ela perguntava se havia problema, ele apenas sorria fraco e dizia: "É só coisas da terra, filha. Nada com que você precise se preocupar".

Outras vezes, ele adiava compras de novos equipamentos, economizava em coisas que antes nunca deixava faltar, e até mesmo atrasou o pagamento de alguns peões - algo que para ele era vergonha, pois sempre pagou em dia e com generosidade. Helena chegou a comentar com ele, certa vez: "Pai, a gente tem dinheiro guardado para essas despesas, por que apertar tanto?", e ele apenas desviou o assunto, mudou de rumo ou saiu andando sem responder. Ela sentiu, na época, que havia segredos, mas respeitou o silêncio dele, pensando que era apenas a forma dele de resolver os problemas sozinho.

Hoje, ela entendia: tudo aquilo eram sinais claros. Ele já lutava contra algo que não conseguia vencer, e tentava esconder para não assustar a família.

Foi quando ouviu passos apressados atrás de si e se virou, vendo o irmão, Pedro, chegar carregando uma pilha de papéis amassados, cadernos antigos e documentos amarelados, o rosto pálido, os olhos vermelhos de tanto chorar e de desespero. Ele era mais novo, sempre fora o menino da casa, aquele que o pai protegera dos problemas mais duros da fazenda, enquanto Helena era quem caminhava ao lado dele, quem decidia, quem resolvia.

- Helena... - a voz dele saiu embargada, quase um sussurro, enquanto deixava tudo em cima da mesa de madeira da varanda. - Eu fui arrumar o escritório do pai, como você pediu. E achei tudo isso. Coisas que ele escondia, papéis que ele não deixava ninguém ver. E... é pior do que eu pensei. Muito pior.

Ela endireitou a postura, a mesma postura que usava para enfrentar peões teimosos ou negociar com compradores difíceis. A armadura de mulher forte já estava vestida, como sempre, para que ninguém visse o quanto ela estava frágil por dentro.

- Fala logo, Pedro. Não me deixe esperando. E me mostre o que encontrou.

Ele apontou para os documentos, as mãos tremendo. Havia contratos com letras miúdas, recibos de valores altos, anotações feitas à mão com números que se repetiam e se somavam, cartas de cobrança que chegavam há meses e que deviam ter sido escondidas pelo pai.

- Olha isso - ele disse, pegando um papel amarelado e desgastado, como se tivesse sido guardado há muito tempo. - O pai... ele foi enganado. Há seis meses, ele assinou um contrato com um homem que dizia ser parceiro de negócios. Era um golpe, Helena. O empréstimo que ele fez tem juros que cresceram como mato, e ele não conseguia mais pagar nem mesmo os juros. Olha essas anotações: ele calculou tudo, tentou encontrar uma saída, vendeu alguns cabeças de gado escondido, reduziu despesas ao máximo... mas não adiantou nada. A dívida já passa de dois milhões e meio de reais. E o prazo final para pagar é até o fim do mês. Se não tivermos o dinheiro, a fazenda vai a leilão. Tudo o que é nosso... tudo o que o pai construiu... vai passar para outra mão.

Helena sentiu o chão desaparecer sob os pés. Dois milhões e meio. Era uma soma que ela não conseguia nem imaginar, muito menos reunir em tão pouco tempo. Pegou os documentos antigos, folheou cada um com atenção, reconhecendo a letra do pai em cada linha, vendo as contas que ele fez, os erros que cometeu por confiar demais, os sinais que ela agora entendia perfeitamente. Cada página era um soco no peito: a preocupação que ela sentira antes era real, o silêncio do pai era medo, e agora o preço daquela dor e daquela confiança era o legado da família.

- Como ele não me contou? - perguntou, a voz baixa, cheia de mágoa e de compreensão tardia. - Eu percebi que algo estava errado, que ele estava preocupado, que as coisas tinham mudado... mas ele nunca deixou eu ajudar. Disse que ia resolver sozinho. E agora...

- Ele não queria que você carregasse esse peso - respondeu Pedro, com a cabeça baixa, olhando para os papéis. - Disse que iria proteger a fazenda e a gente de qualquer jeito. Mas agora... agora não temos nada. Nenhuma reserva, nenhum bem que dê para vender e cobrir nem metade da dívida. Estamos perdidos, Helena. Perdidos de verdade.

Ela olhou para fora novamente, para as terras que ela amava mais do que a própria vida, e lembrou de cada sinal que ignorou: o escritório trancado, as contas escondidas, o olhar cansado do pai. Não podia deixar que tudo acabasse assim. Não podia deixar que o nome Albuquerque fosse apagado dali. Mas, por mais que pensasse, por mais que procurasse uma solução nos documentos antigos, nas contas, em qualquer canto, não havia nenhuma saída. Era um beco sem saída.

Foi então que ouviram o som de um carro chegando, um caminhão forte, que fazia a poeira da estrada subir em nuvens altas. Helena franziu a testa. Ninguém os visitava naquele momento, e muito menos com aquela presença que parecia dominar tudo antes mesmo de chegar à porteira.

Pedro levantou a cabeça, os olhos arregalados.

- É ele. É Otávio Barreto.

O nome caiu entre eles como uma maldição. A Estância Barreto era a maior propriedade da região, moderna, cheia de tecnologia, com terras que se estendiam por léguas e mais léguas. E a rivalidade entre as duas famílias era antiga, vinha de avós e bisavós, de disputas por água, por pastagem, por prestígio. Os Barreto sempre foram vistos como os que cresciam às custas dos outros, os que compravam o que não conseguiam conquistar. E Otávio era o pior de todos: homem de poucas palavras, de olhar duro, de uma força que vinha tanto do tamanho do seu império quanto da sua própria presença. Dizia-se que ele não pedia, mandava; que não negociava, impunha condições.

Helena ficou parada, os punhos cerrados, ao lado da pilha de papéis que contava toda a tragédia financeira da família, enquanto o caminhão parava em frente à casa. A porta se abriu, e ele desceu.

Otávio Barreto era alto, ombros largos, o corpo marcado por anos de trabalho duro na terra. Usava botas de couro já gastas, calça de brim e uma camisa de algodão de mangas arregaçadas, deixando à mostra os braços musculosos e calejados. O chapéu cobria parte do rosto, mas quando ele o tirou, os olhos escuros e profundos se encontraram com os dela, diretos, sem desvio, como se já soubesse de cada detalhe dos documentos que estavam sobre a mesa, como se já conhecesse cada erro e cada preocupação que os atormentavam há meses. Ele não sorriu, não fez nenhum cumprimento amigável. Apenas ficou ali, parado, impondo respeito só de estar presente.

Ele subiu os degraus da varanda devagar, cada passo pesado, e olhou rapidamente para os papéis espalhados - os sinais da falência iminente, o histórico de tudo o que dera errado - antes de falar.

- Eu já sabia da situação de vocês - disse ele, a voz grave, rouca, sem rodeios. Nenhuma saudação, nenhuma palavra de condolências pela morte de Seu Antônio. Era como se o luto não existisse para ele, e apenas a realidade dura dos números e das terras importasse. - Sei das dívidas, dos juros, dos contratos que o seu pai assinou sem saber o que fazia. Sei de tudo o que ele tentou fazer para esconder, para resolver sozinho, e que não deu certo. E vim trazer uma solução.

Pedro deu um passo à frente, desesperado, com os olhos cheios de esperança que pareciam quase impossíveis de existir naquele momento.

- O senhor... o senhor pode nos ajudar, Otávio? Por favor, qualquer coisa... nós temos todos os documentos, podemos tentar negociar, pagar aos poucos...

Otávio ergueu uma mão, calando-o com um gesto seco. Os olhos continuavam fixos em Helena, como se ela fosse a única pessoa que realmente importava ali, a única capaz de decidir o destino de tudo o que estava em jogo.

- Eu quito toda a dívida. Cada centavo. Assumo o débito, pago tudo, e ninguém mais mexe com a Fazenda Albuquerque. Acaba a cobrança, acaba o risco de leilão, tudo fica no lugar onde sempre esteve. - Ele fez uma pausa, e um brilho estranho passou pelos olhos dele, algo que Helena não conseguiu decifrar de primeira. - Mas tem uma condição.

Helena apertou ainda mais os punhos, sentindo o coração bater forte, de raiva e de medo, ao lado de todos os papéis que provavam a derrota da família.

- Qual é a condição? - perguntou, a voz firme, sem tremer, mesmo que por dentro ela estivesse um caos.

- Você se casa comigo.

As palavras caíram como um raio. Pedro abriu a boca, sem saber o que dizer. Helena sentiu o sangue subir ao rosto, uma mistura de vergonha e fúria que queimou dentro dela, olhando para os documentos antigos, para as preocupações passadas, para o futuro que parecia perdido.

- Casar com o senhor? - repetiu, incrédula, e deu um passo à frente, chegando perto dele, olhando bem nos olhos, como ninguém nunca tinha feito. - O senhor acha que isso é uma negociação? Que pode comprar a minha vida como compra um pedaço de terra ou um cabeça de gado, só porque descobriu que a gente está afundado em dívidas?

Otávio não recuou. Pelo contrário, pareceu ainda mais atento, como se a coragem dela fosse algo que ele não esperava, e que, de alguma forma, o surpreendesse. Ele olhou novamente para os papéis sobre a mesa, e depois voltou o olhar para ela.

- Eu não estou aproveitando nada - respondeu ele, sem alterar o tom de voz. - Eu estou salvando o que é de vocês. E quero unificar as terras. Fazenda Albuquerque e Estância Barreto, tudo sob um mesmo nome, uma mesma gestão. O casamento é a garantia. Assim, nada vai ser dividido, nada vai ser perdido. E você continua aqui, cuidando do que ama, do que o seu pai lutou a vida inteira para construir. Mas agora como minha esposa.

- Eu não sou mercadoria, Otávio Barreto! - ela gritou, a voz ecoando pela varanda, batendo a mão levemente nos documentos antigos, como se eles fossem a prova de tudo o que ela não queria perder. - O senhor pode ter todo o dinheiro do mundo, pode ter descoberto todas as nossas dificuldades, pode saber cada erro que a gente cometeu... mas não pode comprar a minha vontade, nem o meu respeito! O senhor comprou o meu sobrenome, se é que vai conseguir isso, mas nunca vai ter o resto!

Ele ficou em silêncio por um momento, observando cada traço do rosto dela, cada sinal da raiva e da dor que ela tentava segurar. E, para a surpresa de Helena, não havia raiva nos olhos dele. Havia respeito. E algo mais, algo que ela não conseguia nomear, mas que fazia o coração dela bater ainda mais forte.

- Eu não estou te obrigando - disse ele, devagar, apontando para a pilha de papéis. - A escolha é toda sua. Aceita, e tudo continua como sempre foi, com você ainda podendo andar por essas terras como dona, com toda a dívida paga e todos os problemas resolvidos. Ou recusa, e em trinta dias, tudo o que está escrito nesses papéis vira realidade: a fazenda vai a leilão, e vocês vão ter que ir embora, sem nada, sem lugar nenhum para ir.

Helena olhou para o irmão, que estava com os olhos cheios de lágrimas, implorando em silêncio. Olhou para os documentos antigos, para cada anotação do pai, para cada sinal que ela percebeu antes e não soube interpretar. Olhou para fora, para as árvores, para o pasto, para o estábulo onde ela passava horas quando era criança, para cada canto que guardava uma memória do pai. Ela pensou em tudo o que ele tinha feito, em todo o trabalho, em todo o amor que ele colocara naquela terra, e em como ele lutou até o fim para esconder o problema e protegê-los. E percebeu que não tinha escolha.

Era o sacrifício que ela tinha que fazer. O preço para manter vivo o legado da família, para que todo o sofrimento e todas as preocupações do pai não tivessem sido em vão.

Ela voltou a olhar para Otávio, os olhos brilhando de lágrimas que ela se recusava a deixar cair, a armadura de mulher forte se fechando ainda mais ao redor do peito.

- Tudo bem - disse ela, a voz baixa, cortante. - Eu assino. Eu me caso com o senhor. Mas saiba de uma coisa, Barreto: eu não vou ser a sua esposa troféu, não vou ficar sentada esperando ordens, nem vou fingir que gosto de nada disso. Eu vou continuar tocando a fazenda, vou continuar trabalhando, e o senhor nunca vai ouvir uma palavra de carinho da minha boca. O senhor tem o meu nome, e só.

Otávio acenou com a cabeça, sem demonstrar nada do que sentia, mas os olhos continuavam presos aos dela, como se ela já tivesse conquistado algo que ele não esperava.

- Está combinado - foi tudo o que ele disse. - Os papéis estão prontos. O casamento é daqui a três dias. Você vem morar comigo na Estância Barreto no mesmo dia.

Ele deu meia-volta, caminhou de volta para o caminhão, e partiu, deixando para trás uma nuvem de poeira, um silêncio pesado e os documentos antigos que contavam toda a história de uma queda e de uma salvação amarga.

Helena ficou parada na varanda, sentindo o coração se partir em mil pedaços, mas também sentindo a determinação crescer dentro de si. Ela tinha salvo a fazenda. Tinha cumprido o dever com o pai. Mas agora, teria que viver ao lado do homem que era o maior rival da sua família, em um casamento que era apenas um contrato, uma negociação, uma prisão disfarçada de aliança.

Ela jurou, ali mesmo, diante da terra que amava e dos papéis que revelaram toda a verdade, que nunca iria se deixar vencer. Que Otávio Barreto poderia ter o seu nome, mas nunca iria ter o seu coração. E que, custasse o que custasse, ela iria lutar todos os dias para manter viva a alma da Fazenda Albuquerque, mesmo que agora ela tivesse que carregar também o sobrenome Barreto.

Dentro do peito, a dor do luto se misturava com a raiva, com a saudade e com uma estranha, inesperada, sensação de que a sua vida tinha acabado de mudar para sempre - e que nada, nunca mais, iria ser como antes.

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