- Onde você está? - a voz dela soou aflita, sem qualquer cumprimento.
- Saindo de uma entrevista agora. O que aconteceu?
- Preciso que você venha até a clínica agora. É muito sério.
Ela desligou antes que eu pudesse responder. O tom urgente fez minha pele se arrepiar. Ana nunca ligava assim. Estendi o braço e chamei o primeiro táxi que passou.
Quando cheguei à clínica, paguei o motorista e corri para o consultório dela. Bati na porta e entrei sem esperar resposta. Ana estava sentada, segurando um papel.
- O que está acontecendo? - perguntei, confusa, me aproximando.
- Uma oportunidade irrecusável. - Ela estendeu o papel para mim. - Um cliente está procurando uma barriga de aluguel. E está pagando muito bem.
Meus olhos percorreram o documento sem muito interesse, até que o valor chamou minha atenção. Levei a mão à boca, surpresa.
- Isso é... é o dobro do que eu preciso para a cirurgia da minha mãe.
- Eu sei. - A voz de Ana era baixa, mas carregada de esperança.
Franzi a testa, confusa.
- Por que eu?
Ela hesitou por um instante, depois suspirou e sentou-se novamente.
- Porque a candidata precisa ser virgem. E eu sei que você é. Além disso, você tem o perfil que ele está exigindo.
Meu peito se apertou. Olhei para o papel novamente, tentando processar a informação.
- Ana... isso é insano.
- Eu sei que parece, mas, Kath, isso resolveria tudo. Você não precisa fazer nada além de gerar um bebê. Receberia o dinheiro antes mesmo do parto. E você está precisando muito.
Senti a mente girar. Sentei na cadeira à frente dela, a voz saindo fraca:
- Eu não sei, Ana... Gerar um bebê é algo muito sério. Requer muita responsabilidade.
Ela segurou minhas mãos, os olhos fixos nos meus.
- Só pense nisso, ok? Ele é um dos clientes mais importantes da clínica. Guardei esse papel a sete chaves antes que chegasse às mãos de outra pessoa. - Ela suspirou. - Se decidir, aqui está onde pode encontrá-lo.
Ela virou o papel e anotou um endereço.
- Essa é a sua chance, Kath. Pense direitinho.
Assenti, ainda atordoada, e saí da clínica. Meu coração acelerado e minha cabeça uma bagunça. Antes que pudesse refletir direito, o telefone tocou novamente.
- Senhorita Katherine? Precisamos que venha ao hospital imediatamente.
Meu corpo congelou. Respirei fundo e saí correndo à procura de um táxi.
Ao chegar ao hospital, o cheiro de antisséptico invadiu meu nariz, causando enjoo. Mas o pavor que sentia era pior. Caminhei apressada até o quarto da minha mãe e, ao abrir a porta, encontrei o lugar vazio.
O medo tomou conta de mim.
Assim que me virei para buscar informações, a médica veio em minha direção.
- Katherine, sua mãe precisa da cirurgia imediatamente. Ela sofreu um aneurisma. Não podemos esperar mais. - Ela estendeu um papel. - Aqui estão os custos.
Engoli seco ao ler o valor.
- Tudo isso?
- Sinto muito. - O olhar de pesar da médica dizia tudo.
- Pode fazer. Eu vou conseguir esse dinheiro.
Ela se afastou, e eu saí do hospital com a certeza de que minha mãe estava em boas mãos. Mas minha decisão já estava tomada. Eu só tinha uma opção: aceitar a proposta de Ana.
Olhei para o papel com o endereço. Ficava a apenas duas quadras dali. Respirei fundo e decidi ir andando.
O lugar era sofisticado. Luzes baixas, blue jazz tocando ao fundo, clientes bem-vestidos. Não estava cheio; alguns casais e grupos conversavam em tom educado. No balcão, um homem estava sozinho. Imaginei que fosse ele.
Ele exalava poder. Terno escuro perfeitamente alinhado, ombros largos, relógio caro no pulso. Seu rosto era impecável, traços esculpidos e um olhar frio, calculista.
Caminhei até ele e estendi o cartão.
- Senhor Sterling? Sou Katherine Hayes. Aceito. Aceito ser sua barriga de aluguel.
Ele arqueou as sobrancelhas, me analisou de cima a baixo, virou o líquido do copo que estava em cima do balcao. Deu um gole da bebida antes de voltar seus olhos a mim
- E então? - perguntou.
- Então vamos marcar a inseminação. - minha voz saiu firme, apesar do nervosismo.
Ele soltou um riso seco.
- Marcar a inseminação? Acho que não te informaram direito. Só pago esse valor... se for eu quem tirar sua vidginidade