Livros e Histórias de Yue Yan
Prioridades Quebradas: O Divórcio de Uma Nova Mãe
Na noite em que o meu filho Lucas veio ao mundo, o meu marido, Pedro, não estava lá. Afinal, ele tinha uma emergência muito mais premente: acompanhar a sua ex-namorada, Sofia, ao hospital porque o gato dela estava doente. Quando finalmente consegui ligar-lhe, a sua voz cheia de impaciência cortou as minhas palavras de dor. "Pedro, o nosso filho nasceu," disse eu, a minha voz a tremer, enquanto ele apressadamente me desligava, preocupado com o "Príncipe" e ignorando o seu próprio bebé recém-nascido. Durante três dias, não houve uma chamada, uma mensagem, nada. Éramos invisíveis para ele. Mas a sua mãe não demorou a aparecer, não com preocupação, mas com acusações e ameaças: "Mariana, não sejas ingrata! Se te divorciares, não vais levar nada, nem mesmo o teu filho!" O meu coração gelou. Afinal, eles não se importavam com o meu filho, apenas com um herdeiro para a sua família. Não conseguia entender como a família do meu marido podia ser tão cruel. Como é que uma ex-namorada e um gato se tornaram mais importantes do que a vida e o bem-estar do seu próprio filho? Nesse momento, decidi. Eu não estava a ser mesquinha, eu estava a proteger o meu filho. Eu pediria o divórcio, e com ou sem eles, o Lucas seria meu. Custasse o que custasse.
Corações Partidos: A Teia da Traição
Quando Clara acordou do coma, três meses após um acidente brutal, o hospital parecia um túmulo. O médico informou-a que o seu pequeno Lucas, de apenas seis anos, não havia sobrevivido. A dor era insuportável, mas o choque maior veio: o seu marido, Pedro, em vez de a apoiar, estava ocupado a "animar" a sua sobrinha Sofia, filha da sua irmã Marta. Ao confrontá-lo, Pedro mentiu descaradamente, e Clara ouviu a voz dele e de Sofia do outro lado da linha, como uma família feliz. O mundo desabou quando Clara pediu o divórcio. Mas o golpe mais cruel ainda estava por vir. O relatório da polícia revelou que Sofia, a única testemunha consciente, havia declarado que Lucas estava sem cinto e que Clara estava a discutir com ele no momento do acidente. Essa mentira hedionda não só manchava a memória do seu filho, mas podia enviá-la para a prisão por negligência. Como a sua própria sobrinha podia inventar uma história tão cruel? Por que Pedro e Marta protegiam aquela mentira, compactuando com a calúnia? Será que a dor da perda a estava a enlouquecer, ou havia algo mais sinistro por trás de tanta falsidade e traição? Clara não se deixaria abater. Agarrando-se à última fotografia e a uma pista improvável – o dente de leite de Lucas –, ela prometeu desvendar a verdade e fazer justiça ao seu filho. Nem que fosse a última coisa que fizesse.
Pelo Meu Filho: A Escolha de Uma Mãe
Eu sou Sofia, e na minha vida passada, a cegueira e o egoísmo do meu marido, João, custaram-me tudo. Fuzileiro e "herói" do bairro, ele dedicava a sua lealdade e recursos à viúva do seu melhor amigo, Isabel, e à sua filha, Carolina, enquanto o nosso filho, Tiago, era negligenciado e eu, quebrada. Vi o meu pequeno Tiago morrer e acabei por segui-lo, consumida pela dor. Mas o destino deu-me uma segunda oportunidade. Acordei de novo em 1991, um ano antes da tragédia. E o padrão repetiu-se: João continuava a sacrificar a nossa família pela "honra" distorcida de proteger Isabel. O derradeiro golpe? Enquanto eu tentava o divórcio, ele, manipulado por mentiras, drogou-me e levou o nosso filho para uma extração de medula óssea forçada, acreditando que salvaria a filha de Isabel. Aquele ato de traição não me matou, mas transformou a minha dor numa raiva fria e calculista. Como podia um homem ser tão cego à verdade, tão cruel com o seu próprio sangue, em nome de uma falsa honra? A minha vida inteira tinha sido um palco para a sua hipocrisia, e eu não choraria mais. Desta vez, não haveria súplicas. Em vez de lutar, comecei a concordar com cada exigência, cada capricho de Isabel e João, com um sorriso vazio nos lábios. Eles pensavam que tinham o controlo, mas eu estava a tecer a minha própria armadilha. Decidi "vendê-lo" à mulher que sempre o quis, para que eu e o meu filho pudéssemos finalmente conquistar a nossa liberdade. Esta era a minha vingança silenciosa, o meu renascimento.
