Livros e Histórias de Qing Jiu Wei Yang
Amor Enterrado com a Família
No meu aniversário de dezoito anos, o cheiro de bolo barato e uma vela solitária marcavam mais um ano de repetição. Mas esta noite, a indiferença dos meus pais me atingiu mais forte do que nunca. Eu sabia o meu lugar: culpada pela morte do meu irmão Pedro, oito anos atrás. Lembro-me de ligar para minha mãe, Lúcia, de um beco escuro, com medo. "Mãe... socorro...", sussurrei, a voz embargada pelo pavor, uma faca na minha garganta. "Não tenho tempo para suas crises. Se você não voltar em dez minutos, vou trancar a porta!" E ela desligou, me abandonando à mercê de um monstro. Eu deveria ter morrido no lugar dele, sempre me diziam. Mas a verdade era um buraco negro prestes a engolir a todos nós. No necrotério, meu pai, Carlos, o perito forense, estava prestes a descobrir a verdade mais cruel. Aquele corpo mutilado na mesa, a vítima anônima do "Carniceiro da Chuva", lentamente tomava forma sob suas mãos. Uma cicatriz acima da sobrancelha, um sinal de nascença sutil. Era eu. Sua própria filha. A garota que ele e minha mãe trancaram para fora de suas vidas, a garota que eles culparam e torturaram por anos. E assim, minha morte abriu as portas de um inferno particular para a minha família, um inferno construído sobre mentiras e negligência.
O Jogo Virou
Na minha vida passada, eu era a garota prodígio, o orgulho da escola, destinada à melhor universidade do país. Mas de repente, tudo desmoronou: minhas notas foram magicamente trocadas, e eu fui publicamente acusada de trapacear, virando a aluna exemplar em uma fraude. Quem me acusou? Minha suposta melhor amiga, Sofia, e meu namorado, Pedro - as duas pessoas em quem eu mais confiava no mundo. Lembro-me do olhar de desprezo e da humilhação, com suas palavras cruéis cortando mais fundo do que qualquer lâmina. Meu mundo acabou naquele dia. Correndo cega pelas lágrimas e pela dor da traição, não vi o carro que vinha em alta velocidade. Por que eles fariam isso comigo? Como puderam me trair de forma tão cruel? O que estava realmente acontecendo? Foi quando o som estridente da buzina, o barulho do metal se contorcendo e a escuridão dominaram, pondo fim à minha primeira vida. Mas, inexplicavelmente, abri os olhos novamente, vendo o teto do meu quarto e pegando meu celular: a data era 15 de março de 2023, exatamente um ano antes da minha morte. Eu estava viva e havia voltado no tempo - e, desta vez, a vingança seria minha.'}]
Um Novo Amanhecer Sem Ele
O cheiro de desinfetante invadiu-me as narinas quando acordei, o teto branco um lembrete cruel.\nO meu corpo doía, mas a maior dor era a de saber que a minha barriga, a um mês de dar à luz o nosso Pedro, estava vazia.\nPeguei no telemóvel, desesperada por consolo do meu marido, Tiago.\nMas quando ele atendeu, a sua voz irritada e distante foi cortada por um sussurro doce e choroso: Sofia, a nossa vizinha.\n"Tiago, onde estás?", perguntei, a raiva fria a subir-me pela espinha.\n"Estou em casa da Sofia! Ela caiu das escadas, o cão dela entrou em pânico! Não havia nada que eu pudesse fazer por ti!"\nEle estava a consolar outra mulher porque o cão dela tremia, enquanto eu estava presa nos destroços, a perder o nosso filho.\n"Eu perdi o nosso bebé, Tiago", disse eu, a minha voz um sussurro.\nO silêncio do lado dele era ensurdecedor, quebrado apenas pela sua voz chocada: "O quê? Como assim?"\nNão havia dor, apenas surpresa, e depois a desculpa: "O meu telemóvel estava sem som, a Sofia precisava de mim!"\nSozinha. E eu? A minha mãe inconsciente, o nosso filho a morrer dentro de mim.\n"Vamos divorciar-nos", as palavras saíram antes que eu pudesse controlá-las.\n"Divórcio? Por causa disto? Não tens compaixão? A vida da Sofia é muito difícil!", ele explodiu, e depois desligou.\nNão era apenas a dor da perda, era a humilhação, a traição absoluta.\nNo meu momento mais negro, ele escolheu socorrer o cão da vizinha em vez do nosso filho.\nMas a pior parte veio depois: quando a minha sogra entrou, não para me consolar, mas para me acusar de tentar destruir o "santo" filho dela.\n"Ele levou a Sofia para a casa de praia para espairecer", disse a minha sogra, enquanto eu via a silhueta da Sofia na janela do nosso apartamento.\nFoi nesse momento que soube: não me podia dar ao luxo de chorar. Tinha de lutar.
