Livros e Histórias de Natacha Lania
O Preço da Coragem
O bolo de aniversário de dezesseis anos do meu neto João era simples, mas cheio de amor, a única luz na minha vida desde que meu filho, pai dele, morreu em serviço. Naquela noite, a brutalidade invadiu nossa casa, com Ricardo Alves e sua gangue esmagando o bolo, a alegria e, por fim, o corpo indefeso de João, que ficou imóvel numa poça de sangue. No hospital, João entrou em coma, e na delegacia, a justiça me virou as costas, com o pai de Ricardo, Sr. Alves, comprando a cumplicidade de todos, alegando que meu neto havia iniciado a briga. Recebi a oferta de 50 mil reais para o meu neto, que agora não passava de uma poça de sangue, e tive que engolir a humilhação de vê-los rir da minha dor, com a cidade inteira se silenciando em medo. Eles me silenciaram na internet, tentaram queimar minha casa e até mataram meu canário, Bel, deixando-me em um desespero tão profundo que quase cedi, até que a medalha de honra do meu falecido marido, um herói de guerra, me entregou a única esperança de justiça em um mundo onde ela não parecia existir.
A Dor de um Pai Enganado
A cabeça de João Carlos latejava, com o gosto amargo da noite anterior. Ele acordou em sua cama, o sol da manhã invadindo o quarto. Foi quando percebeu: seu filho Lucas havia desaparecido do berço. No lugar, uma menina que ele nunca tinha visto, com um macacão rosa. Sua esposa, Ana Paula, e seus pais, Regina e Roberto, agiam como se nada estivesse errado. Eles insistiam que a menina, Isabella, era sua filha e que Lucas nunca existiu. Seu mundo virou um pesadelo de acusações e mentiras, pintando-o como um louco obcecado. Em seu desespero para provar a verdade, ele se aproximou da bebê, e na confusão, ela parou de respirar em seus braços. A cena causou horror, com sua família o apontando como assassino, as câmeras registrando cada grito. Ele foi condenado, e a eletricidade da cadeira ceifou sua vida. A dor e a injustiça foram a última coisa que sentiu antes da escuridão. Mas a vida lhe deu uma segunda chance. Ele acordou novamente na mesma cama, no mesmo dia, com a mesma dor de cabeça. A menina estava lá, no berço, e a farsa de sua família se desenrolava outra vez. Ele não seria mais uma vítima. Desta vez, equiparado com o conhecimento do futuro, ele iria desmascarar cada um deles e lutar pela verdade. A vingança começou, e ele não aceitaria ser o bode expiatório novamente.
O Retorno do Pianista Fantasma
João Pedro, um pianista prodígio, estava a um passo de tocar no prestigiado Concurso Internacional de Piano de Viana do Castelo. A sua vida era música, amor e a promessa de um futuro brilhante. Mas, numa noite fria, num beco escuro do Porto, o seu mundo ruiu. Foi brutalmente atacado, as suas mãos esmagadas impiedosamente, os seus sonhos desfeitos. No hospital, o choque da traição: ouviu a sua irmã Sofia e a sua noiva Beatriz conspirarem. Tinham orquestrado a sua destruição, tudo para abrir caminho para o seu irmão adotivo, Tiago. Seguiu-se uma farsa de cuidados, com falsas acusações e humilhações públicas orquestradas. Cada visita delas, cada palavra de consolo, era uma facada. Ele era um fantasma na sua própria casa, arruinado, física e emocionalmente, enquanto elas celebravam o triunfo de Tiago. Como puderam aqueles que mais amava traí-lo tão pérfida e cruelmente? A dor da traição superava em muito a dor física. Ele estava quebrado, consumido pela injustiça, pela incompreensão. O que faria um homem sem mãos, sem som, sem amor, e sem ter por perto quem em si acreditava? No auge do desespero, uma chamada misteriosa da Clínica Renascer oferece-lhe uma oportunidade. Não de cura física, mas de renascimento. E de vingança. João Pedro aceita o plano, os olhos agora ardendo com um fogo frio e implacável. Os seus traidores iriam pagar por cada lágrima.
