Livros e Histórias de Meng Fan Hua
Cinzas no Atlântico: A Promessa Final
Eu saí da prisão de Linhó após cinco anos, o ar frio de Sintra a cortar-me a alma. Mais do que a liberdade, o que me esperava era um cancro terminal e apenas um último desejo: que as minhas cinzas repousassem onde um dia prometemos casar. Para realizar esse último adeus, aceitei um emprego de empregada de mesa, e foi lá que o vi. Diogo Almeida, o homem que amei e que me entregou à polícia, estava noivo. Com a minha melhor amiga. O seu amor por mim transformou-se em ódio puro. Ele não só me fez sua assistente pessoal, forçando-me a suportar a sua crueldade e o espetáculo da sua felicidade com ela, como me torturava em cada olhar. Fiquei calada, ajoelhando-me para limpar o vinho que ele derramou, aceitando as notas que ele atirava, os comentários cruéis. Chamavam-me assassina, mas a verdade era uma máscara que eu usava para o proteger. Ele me odiava, e eu queria que fosse assim. O sofrimento era o meu purgatório, e cada humilhação aproximava-me do meu único objetivo. Até que um incêndio e um acidente me levaram ao limite. Salvei-o, uma última vez, e dei a minha vida por quem me roubou tudo. A minha morte, ele acreditava, era a sua vingança. Mas o vazio que deixou forçá-lo-á a descobrir a verdade por trás do sacrifício que poucos verão, e que mudará o seu mundo para sempre.
A Maldição da Imortalidade
Esta foi a minha nonagésima nona morte. Meu noivo, Pedro, me empurrou para a frente de um carro em alta velocidade, tudo para proteger Luana, minha melhor amiga. O carro me atingiu com um baque surdo, e eu senti a dor aguda antes da escuridão. Ao 'retornar' , Pedro me jogou sem cerimônia no porta-malas, enquanto seus amigos apostavam e riam sobre quanto tempo eu levaria para ressurgir. Eles me viam como um espetáculo, esquecendo que minhas ressurreições apagavam partes da minha memória e sentimentos. Quando Luana fingiu uma leve dor no tornozelo, Pedro a acolheu com uma ternura assustadora, a mesma que ele um dia dedicou a mim, antes que minha capacidade de renascer o transformasse em indiferença, e me fizesse um escudo descartável para agradá-la. Por que eu sou o brinquedo deles, a vítima de suas vaidades, sem que ninguém questione minha dor, minha humanidade? Desta vez, uma lembrança perdida me atingiu com a força de um soco: a gravidez, o Doberman de Pedro, o aborto forçado para que Luana "não se sentisse mal" . Eu entendi. Meu dom não era uma bênção, mas uma maldição. E eles, sem saber, estavam me ajudando a alcançar a centésima morte, a única que me libertaria de tudo.
Ele Me Deixou Sem Nada, Eu o Deixei Sem Futuro
O cheiro de desinfetante ainda me persegue. Estava grávida de oito meses e meio, correndo para o hospital porque a minha sogra teve um ataque cardíaco. Mas, no caminho, um acidente de carro tirou a vida do meu bebé. Liguei para o meu marido, Leo, com a voz embargada, esperando consolo. Em vez disso, ele me culparia sem pensar duas vezes: "Perdemos o nosso filho por tua causa!" A família dele concordou, me bloqueou, me expulsou do hospital. Eles levaram o meu dinheiro, negaram um funeral digno ao meu bebé. Tudo para financiar a cirurgia particular da sua mãe. Quando voltei para nossa casa, encontrei o apartamento vazio. Móveis, roupas, tudo levado. Até o berço do nosso filho. E quando a irmã de Leo, Sofia, veio me assediar, ela me jogou na cara: "O Leo já seguiu em frente. Ele está com a Cláudia." A "amiga" que ele sempre disse ser "só uma amiga." A verdade me atingiu como um raio: não era só a mãe dele. Havia uma amante, e eles me tiraram tudo. A dor se transformou em algo frio, duro: pura raiva. Eu não suportaria mais isso. Com a ajuda da minha prima advogada, Joana, eu jurei buscar justiça. Para o meu filho. Para mim. Eles pensaram que me tinham destruído, mas apenas me deram um motivo para lutar com tudo o que eu tinha.
