Livros e Histórias de Clara
Sua Gaiola Dourada Me Matou
Eu era a esposa perfeita e a mente por trás do império do meu marido. Por dez anos, acreditei que sua possessividade sufocante era a maior prova de amor que um homem poderia dar. Até que descobri a verdade. Ele me drogava todas as noites com um "suplemento para estresse", me deixando inconsciente para que pudesse me trair em nossa própria cama com a estagiária que eu mesma ajudei. As peças se encaixaram: a sonolência, o cheiro doce no quarto, tudo era parte de sua traição. Eu não era sua amada, mas uma prisioneira em uma gaiola dourada, uma boneca descartada enquanto ele se divertia. E no meio dessa humilhação, a descoberta mais cruel: eu estava grávida. Carregando o filho do monstro que me envenenava e profanava nosso lar. "Você nunca, nunca merecerá conhecer esse filho", eu jurei em silêncio. Com a ajuda de uma força misteriosa, eu tinha três dias para escapar. Eu não apenas desapareceria; eu forjaria minha própria morte, deixando Álvaro acreditar que ele mesmo havia me matado, para que ele se afogasse em sua própria culpa.
A Noiva Abandonada e Seu Triunfo
Sete anos. Foi o tempo que minha família e meu noivo pediram para que eu ficasse na prisão, assumindo um crime da minha irmã adotiva, Helena, para proteger a reputação deles. Mas no dia em que o portão se abriu, meu noivo, Cristiano, me abandonou no meio da estrada para socorrer Helena, que teve uma "crise de ansiedade" com a minha volta. Em casa, fui mandada para o quarto de serviço úmido e mofado. Minha família me humilhava em francês, achando que eu não entendia, enquanto planejavam o noivado de Cristiano com a mulher que destruiu minha vida. A traição mais profunda veio quando ele me acusou de mentir. Anos atrás, eu doei um rim para salvar a vida dele em segredo. Agora, ele acreditava que Helena tinha sido a doadora. Eles não roubaram apenas minha liberdade, mas também meu maior sacrifício, meu ato mais puro de amor. A dor era tão avassaladora que se transformou em um vazio gelado. O amor que eu sentia por eles morreu para sempre naquela mansão. Foi então que, no meu celular antigo, encontrei um e-mail esquecido. Uma oferta da Agência Brasileira de Inteligência. Uma nova identidade. Uma missão secreta em outro país. Uma fuga. Em dez dias, Clarinda Magalhães morreria. E eu, finalmente, renasceria das cinzas.
Amor e Humilhação: O Preço
A chuva fina e gelada batia no meu capacete, misturando-se ao suor enquanto eu costurava entre os carros, empurrando minha moto velha ao limite. Cada segundo era um centavo a menos, e o aplicativo zumbia com a notificação de atraso, uma luz vermelha que gritava fracasso. Quando cheguei ao prédio de luxo, o porteiro me olhou com desprezo, e no apartamento da cobertura, Carlos, o cliente, me esperava com uma expressão de impaciência. Ele leu em voz alta, com nojo, "Um 'kit intimidade' ," e balançou o pacote pequeno com a caixa de preservativos, como se fosse um troféu da minha incompetência. "Você está atrasado" , disse Carlos, com a voz cortante. "Desculpe, senhor, o trânsito estava impossível por causa da chuva", eu tentei explicar. Mas ele não me ouviu, e uma mulher, Sofia, apareceu, choramingando que eu "estragou tudo" . Carlos apontou o dedo para mim, ameaçando: "Eu vou reclamar no aplicativo, vou fazer você ser demitido. Gente como você precisa aprender a ter responsabilidade." Eu engoli em seco, o medo de perder o emprego que sustentava minha avó apertando meu peito, e ele jogou a gorjeta, uma nota amassada, no chão. Depois daquela humilhação, pensei que a pior parte tinha passado, mas então, Carlos e Sofia apareceram na porta da minha humilde casa, alegando que, por causa do meu atraso na entrega dos preservativos, Sofia estava grávida! "Cem mil reais" , Carlos disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo, exigindo uma indenização. Minha avó, Dona Lúcia, que me criou, apareceu na porta, e Sofia imediatamente a atacou: "Olha, amor! É a avó do criminoso! Ela deve ter ensinado a ele como ser irresponsável!" A raiva me dominou, mas os seguranças de Carlos me impediram de defendê-la. Eles me deram 24 horas para arrumar o dinheiro, ameaçando transformar nossas vidas em um inferno com o poder da internet. No dia seguinte, a loucura deles atingiu um novo nível: Sofia forjou um aborto, me acusando de agressão e de tentar matar o bebê. A cena era tão bizarra, tão descaradamente falsa, que eu fiquei sem palavras, enquanto os vizinhos me encaravam com julgamento. Eles usaram as redes sociais para me expor, me fazendo perder o emprego e transformando minha vida em um pesadelo público, com meu nome pichado em muros e nossa casa coberta de sangue de animal. Eu me sentia impotente, afogado em uma onda de calúnias que não tinha como parar. Mas o silêncio que se seguiu era ainda mais assustador. Foi então que o golpe final veio: Dona Lúcia, para me proteger, usou suas economias de uma vida inteira, o dinheiro que guardava para encontrar seu filho desaparecido, e entregou aos golpistas. Aquele dinheiro, a última esperança dela, foi usado para financiar o casamento luxuoso deles. Por que alguém seria capaz de tamanha crueldade e cinismo? A dor da minha avó acendeu uma fúria fria e cristalina em mim. Eles achavam que tinham vencido, mas deram-nos um prazo: a data do casamento. Eu peguei meu celular e liguei para meu amigo jornalista. "Eu tenho um plano. E eu vou precisar da sua ajuda."
