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Uma Noite Com o Sheik
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Capítulo 1 SINOPSE
Palavras: 3067    |    Lançado em: 14/01/2022

Sedução na areia...

Os boatos envolvendo o príncipe exilado Tahir Al'Ramiz chegaram ao seu ápice! Após ser encontrado em um cassino de Monte Carlo criando confusão, ele é convocado a retornar ao seu país para a coroação de seu irmão. Mas ele jamais chega ao seu destino. Quando são encontrados destroços do helicóptero no qual viajava, presume-se o pior... até ele aparecer novamente, como se tivesse ressuscitado! Mais intrigante ainda é a presença de uma bela mulher no palácio... Agora, há quem diga que ela está grávida. E isso levanta algumas suspeitas... Será que o tempo em que Tahir ficou perdido no deserto encobriu, na verdade, um romance secreto?

CAPÍTULO UM

— Façam suas apostas, mesdames et messieurs.

O sheik Tahir Al'Ramiz esqueceu o monte de fichas que ganhara e observou as pessoas que aguardavam sua próxima jogada. Um garçom serviu outra rodada de champanhe. Tahir olhou para a mulher que o acompanhava: loura, bonita, insinuante. Quando ela entrara no cassino de Monte Cario, chamara a atenção com uma cascata de diamantes no pescoço e um vestido prateado que demonstravam o que o dinheiro e um bom estilista são capazes de fazer. Ela sorriu do mesmo modo cúmplice e ansioso que as outras mulheres brindavam. Ele lhe estendeu uma taça de champanhe e, enfim, admitiu o que sentira a noite inteira: tédio. Da última vez, levara dois dias para se cansar de Monte Cario; dessa vez, mal acabara de chegar.

— Últimas apostas, mesdames et messieurs. Tahir suspirou e olhou para o crupiê.

— Catorze — ele disse.

O crupiê recolheu as fichas. Alguns espectadores ficaram ansiosos, outros se apressaram a seguir sua aposta.

— Catorze? — A loura arregalou os olhos. — Você vai jogar tudo em um número?

Tahir deu de ombros, levantou a taça e constatou que sua mão tremia. Há quanto tempo não dormia? Dois dias? Três? Primeiro fora a Nova York, onde fechara um negócio e festejara. Depois, à Tunísia, onde participara de um rali. Oslo e Moscou, também a negócios. Afinal, chegara a Monte Cario, onde seu iate estava ancorado. Aquele estilo de vida começava a incomodá-lo. Ele tentara se manter interessado, mas falhara. O crupiê girou a roleta. Tahir sentiu que a loura lhe apertava o joelho e subia a mão por sua coxa, respirando com dificuldade. A vibração do jogo alheio a deixaria excitada? Ele quase a invejava. Se ela se despisse e se oferecesse a ele naquele momento, ele não sentiria nada. Nada. A mulher sorriu e pressionou o seio contra o seu braço. Ele sequer se lembrava do seu nome. Não se interessara o suficiente para gravá-lo. Elsa? Eriça? Sua memória começava a falhar? Tahir apertou os lábios. Infelizmente, sua memória estava intacta. Havia coisas que ele jamais esqueceria, por mais que tentasse. Elisabeth. Sim, Elisabeth Karolin Roswitha, condessa von Markburg.

As reflexões de Tahir foram interrompidas por gritos entusiásticos. A condessa abraçou-o e beijou-o, tão animada que quase subiu em seu colo.

— Você ganhou novamente, Tahir — Os olhos dela brilhavam. — Não é maravilhoso?

Ele esboçou um sorriso e fez um brinde. Invejava o prazer que ela sentia. Há quanto tempo não sentia o mesmo? Jogar não o excitava mais. Estratégias de negócios? Às vezes. Esportes radicais? Proporcionavam-lhe apenas uma descarga de adrenalina toda vez que se arriscava. Sexo? Uma morena sedutora, usando pingentes de rubis e um vestido que em alguns países provocaria sua prisão por falta de decoro, se aproximou, mas ele nada sentiu. A morena se inclinou sobre a mesa de um jeito que revelava não apenas seus seios, mas muito mais.

— Tahir, querido. Há quanto tempo. — Ela o beijou, explorando-lhe os lábios com a língua, mas ele não reagiu. De repente, sentia-se cansado, invadido por um vazio que o perseguia há muito tempo.

Estava cansado da vida.

Tahir se afastou bruscamente da mulher. Fazia poucos meses que haviam ficado juntos em Buenos Aires, mas lhe parecia ter sido em outra vida.

— Elisabeth — ele disse para a loura. — Quero apresentá-la a Natasha Leung. Natasha, esta é Elisabeth von Markburg. — Ele pediu outra taça ao garçom.

— É minha safra favorita — ronronou Natasha, encostando a coxa na perna de Tahir. — Obrigada.

— Façam suas apostas, s'il vous plait — disse o crupiê em voz monocórdica.

— Catorze — murmurou Tahir.

— Catorze? — O crupiê não disfarçou sua perplexidade. — Oui, monsieur.

— Catorze de novo? — A voz de Elisabeth soou estridente. — Você vai perder tudo! A chance de dar o mesmo número outra vez é remota.

Tahir deu de ombros e pegou o celular que tocara discretamente em seu bolso.

— Então, vou perder. — Ao ver a cara de horror que ela fez, ele quase riu. A vida é tão simples para algumas pessoas... Ele olhou para o celular e estranhou não reconhecer o número que o chamava. Apenas seus advogados e seus agentes mais confiáveis sabiam seu telefone particular, e não se tratava de nenhum deles.

— Alô?

— Tahir? — Mesmo depois de tanto tempo, a voz era inconfundível. Tahir se levantou, desembaraçando-se das duas mulheres que se penduravam a ele.

— Kareef. — Só algo muito importante faria com que seu irmão mais velho lhe telefonasse depois de tantos anos. Tahir procurou um local sossegado para falar. — Que surpresa inesperada — ele murmurou.

— A que devo a honra? — O silêncio do outro lado se prolongou, e ele se arrepiou.

— Quero que volte para casa. — A voz de Kareef soou calma e familiar como sempre, mas Tahir jamais pensara em ouvir aquelas palavras.

— Eu não tenho mais casa. Você se lembra? — Ele percebeu que lançava sua amargura sobre Kareef, mas o irmão não tinha culpa do que lhe acontecera.

— Agora você tem, Tahir. — O tom de Kareef provocou-lhe outro arrepio.

— Nosso querido pai teria algo a dizer sobre isso.

— Nosso pai está morto — disse Kareef.

As palavras atingiram Tahir como um raio. O tirano que governara seu povo e sua família de maneira tão corrupta partira. O tirano que traíra a mulher com diversas prostitutas e amantes, que governara sua tribo lançando mão do terror, que castigara o filho repetidamente, quase a ponto de matá-lo. Quando Tahir crescera o suficiente para se defender do pai, este mandara seus capangas atrás dele. O sheik exilara o filho caçula quando este, afinal, fizera o que ele intimamente desejava, ultrapassando o limite. Tahir jamais fora capaz de contentar o pai, por mais que tentasse. Passara a infância se perguntando que falta cometera para provocar tanto ódio, mas fazia muito tempo que deixara de se importar.

Ele olhou para o salão cheio de gente em busca diversão, mas, em vez de enxergar a multidão deslumbrante, tudo o que ele via eram os olhos enfurecidos de Yazan Al’Ramiz, seu bigode úmido de saliva quando esbravejava, furioso, e o peso violento de seus punhos. Com certeza, Tahir deveria sentir algo ao saber da morte do tirano. Depois de 11 anos de ausência, a notícia deveria causar algum impacto, mas um vazio ocupava o lugar onde deveriam estar alojadas suas emoções. Ele deveria ter algumas perguntas: quando, como? Não era o que um filho perguntaria ao ser informado da morte de seu pai?

— Mesmo assim, não sinto vontade alguma de voltar para Qusay — ele disse, inexpressivo. Nada havia para ele na terra em que nascera.

— Maldição, Tahir. Pare de fazer o papel de arrogante insensível. Preciso de você. As coisas aqui estão complicadas. — Kareef hesitou. — Quero que você venha.

Tahir sentiu um nó no estômago.

— O que você quer? — Kareef sempre fora seu irmão preferido, que ele admirava no tempo em que ainda tentava imitar os mais velhos. — Qual é o problema?

— Nenhum — Kareef disse, tenso. — Mas nosso primo descobriu que ele não é o herdeiro legítimo de Qusay e se retirou para que eu possa assumir o trono. Quero que você venha à minha coroação.

Tahir voltou para a mesa da roleta. Parecia inacreditável que o primo tivesse ocupado o trono por engano, porque ele não tinha laços de sangue com o antigo rei ou com a rainha. O primo fora adotado pelo casal durante o período de luto pela morte de seu verdadeiro filho. Tahir duvidava que Kareef, sempre cuidadoso e responsável, tivesse se enganado. O irmão seria um ótimo rei para Qusay. Felizmente, o destino fora misericordioso e o pai não estava vivo para assumir o trono! Como irmão do antigo rei e chefe de um clã expressivo, ele já era poderoso e perigoso o suficiente. Tê-lo como rei seria como soltar um lobo no meio das ovelhas. Kareef lhe dissera que o pai morrera de infarto. Fazia sentido: ele de nada se privava e não se limitara a ter apenas um vício.

Quando Tahir chegou à mesa, as duas mulheres o esperavam ávidas por lhe oferecer o que ele desejasse. Ele sorriu amargamente: talvez se parecesse mais com o pai do que pensara.

— Tahir! — A voz de Elisabeth soou esganiçada. — Você não vai acreditar. Você ganhou! De novo! É incrível.

A multidão se agitou. Todos o olhavam como se ele tivesse feito um milagre. As mulheres tentavam atraí-lo, ansiosas. Tahir olhou para a pilha de fichas, que crescera. O crupiê estava pálido, mas controlado. Tahir jogou algumas fichas na sua direção.

— São para você.

— Merci, monsieur. — O homem sorriu e guardou a pequena fortuna com cuidado.

Tahir fez um brinde e tomou um gole de champanhe que o deixou leve, quase feliz. O destino fora justo pelo menos uma vez. Kareef seria o melhor rei que Qusay poderia ter.

— Boa noite, Elisabeth, Natasha. Sinto muito, mas tenho compromissos em outro lugar. — Ele começou a se afastar, mas um coro de vozes o deteve.

— Espere! As suas fichas! Você as esqueceu.

Tahir se virou e olhou para o grupo.

— Fiquem com elas. Dividam. — Ele ignorou os gritos de alegria e saiu. Quando chegou ao lado de fora do cassino, respirou fundo e sorriu pela primeira vez em muito tempo. Fora convidado para uma coroação.

Tahir sobrevoou as dunas do grande deserto de Qusay em baixa altitude. Pilotando o helicóptero, ele se embriagou com a sensação de estar completamente sozinho e livre. Nada de parasitas, nada de empregados aguardando ordens e de mulheres ávidas, de olhos arregalados. Nenhum paparazzo esperando para fotografar sua próxima aventura. Talvez a gloriosa aridez do deserto levantasse seu ânimo, levando-o a esquecer o que o esperava em Qusay: seu passado, sua família. Durante os últimos dez anos ele frequentara desertos, da África do Norte à Austrália e América do Sul, participando de ralis, voando de asa-delta, sempre procurando maneiras radicais de arriscar o pescoço. Afinal, ele percebeu que a sensação se devia ao fato de estar sobrevoando o lugar que fora seu lar durante os primeiros 18 anos de sua vida e que jamais esperara rever. A percepção o atingiu no mesmo momento em que uma rajada de vento fez o helicóptero balançar. Tahir tentou controlar o aparelho e ultrapassar as dunas. A visão que surgiu diante dele provocou uma descarga de adrenalina: a escuridão crescente do céu não se devia ao crepúsculo, como ele pensara. Se estivesse pilotando de acordo com as regras, ele teria percebido, mas estivera brincando, mergulhando perigosamente baixo, testando sua habilidade para reconhecer a topografia de um lugar que mudava com o vento. A tempestade de areia era das piores, do tipo que ceifa vidas, altera cursos d'água, oculta estradas e é capaz de deslocar um helicóptero como se fosse um brinquedo, atirando-o longe. Não havia chance de escapar nem tempo para aterrissar com segurança. Tahir tentou evitar a tempestade e enviou um pedido de socorro, sabendo que era tarde.

Ele se sentiu muito calmo. Iria morrer. O filho pródigo retornara para ganhar o que merecia.

Mas ele ainda não morrera. O destino lhe reservava algo ainda pior: a desidratação por efeito do calor, ou, pelas dores que sentia, a morte lenta em decorrência dos ferimentos. A sorte que o fizera ganhar fortunas na mesa de jogo o abandonara. Tahir hesitou em abrir os olhos ou se entregar à escuridão da inconsciência novamente, mas não conseguiu ignorar a dor lancinante que sentia na cabeça e no peito. Abrir os olhos era doloroso. Por entre as pestanas cheias de areia a luz lhe feria a retina, ofuscante. Ele gemeu e sentiu na boca o gosto morno e metálico de sangue. Seu corpo todo estava áspero e dolorido. Recordou-se vagamente de estar sentado, preso pelo cinto de segurança, coberto pela poeira, e de ouvir o uivo do vento e o cortante ruído da areia. Depois, sentira o cheiro do combustível, um aroma tão forte que ele se soltara do assento e se arrastara para bem longe do metal retorcido. Depois, mais nada. Acima, o céu azul parecia zombar dele. Estava vivo, no deserto, e sozinho.

Tahir desmaiou três vezes antes de conseguir se sentar, tremendo e suando, sentindo-se mais morto que vivo. Sua cabeça estava confusa, vagueando e voltando ao presente com dolorosa nitidez. Ele se recostou num monte de areia e esticou as pernas, tentando esquecer a dor e a tontura. Estava semi-inconsciente quando algo o despertou: um afago na mão. Tahir levantou a cabeça.

— Você é uma miragem — ele murmurou, mas a voz mal saía de sua garganta. O animal percebeu, olhou para ele com seus olhos dourados e balançou o focinho, soltando uma nuvem de poeira do pelo. E baliu. — Miragens não falam — Tahir murmurou. Elas também não lambiam, mas aquela, sim. Ele fechou os olhos, e quando os abriu novamente, o animal ainda permanecia ali — um cabrito muito novo para estar sem a mãe. Diabo, ele sequer conseguia morrer em paz. O cabrito lhe cutucou o quadril. Tahir percebeu que havia algo em seu paletó. Devagar, para não desmaiar de dor, enfiou a mão no bolso e encontrou uma garrafa de água. Lembrou-se vagamente de tê-la apanhado antes de se arrastar para fora do helicóptero destroçado. Como pudera se esquecer? Ele levou muito tempo para tirar a garrafa do bolso, abri-la e levá-la até os lábios. O mais difícil foi parar de beber, após o primeiro gole. Beber demais seria perigoso. O cabrito o cutucou novamente, e deitou-se ao seu lado. Naquele vasto deserto, o animal escolhera aquele lugar para se encolher... Tahir trincou os dentes e derramou um pouco de água na palma da mão.

— Aqui, beba, cabrito.

O animal bebeu calmamente, como se estivesse acostumado com seres humanos, ou como se também estivesse nas últimas e não houvesse lugar para o medo. Tahir mal teve tempo de fechar a garrafa antes que ela caísse de suas mãos trêmulas. Sua cabeça pendeu e ele sentiu o calor do filhote através das roupas, lembrando-o de que não estava só. Foi isso que o forçou a lutar para sobreviver no perigoso deserto de Qusay.

Annalisa encheu a velha caçamba de água e molhou a cabeça. Que delícia. A terrível tempestade atrasara sua jornada pelo deserto. Os primos reprovavam sua viagem, dizendo que seria um erro do qual ela não sairia viva, mas eles não compreendiam: aquela viagem se tornara muito importante para ela depois que perdera o avô e, logo em seguida, o pai. Ela cumpria a última promessa que fizera ao pai. Era maravilhoso estar ali outra vez, embora a tristeza maculasse as lembranças das viagens anteriores que ela fizera com ele. Annalisa chegara pela manhã e passara a tarde limpando sua câmera e seu telescópio. Um dia no deserto significava calor e poeira, e o privilégio de ter o oásis só para ela era demais para resistir. Ela derramou mais água sobre a cabeça, deliciando-se com a sensação, e sorriu satisfeita, enfiando os dedos dos pés no fundo do pequeno poço. Percebeu que o sol já se punha e lembrou-se que deveria acender o fogo antes que escurecesse. Ela se virou para sair da água quando viu algo no horizonte: um homem. Ele tinha os ombros largos e usava roupas escuras. Parecia vestir um terno, algo bastante estranho no deserto. Ele tropeçou e escorregou alguns metros duna abaixo. Instintivamente, ela pegou a toalha e se enrolou, notando que ele caminhava de modo estranho, sem usar os braços para manter o equilíbrio, cambaleando em movimentos desordenados. A prudência mandava que ela não se arriscasse com estranhos. Os moradores da região não lhe fariam mal, mas aquele homem era, evidentemente, um estranho. Quem sabe como ele reagiria ao encontrar uma mulher sozinha? Annalisa deu um nó na toalha e percebeu que havia alguma coisa errada com o homem. O instinto que desenvolvera ao ajudar o pai, que era médico, foi superior à sua cautela. O estranho não representava perigo. Aparentemente, ele mal conseguia se manter de pé. Um minuto depois ela atravessava o wadi e corria na direção do estranho. À medida que se aproximava, ela se impressionava com sua aparência: alto, cabelos pretos, de smoking e sapatos de couro. Sua camisa estava rasgada e suja. Ele tinha o peito largo e a pele morena. O que restara da gravata pendia de seu pescoço. O rosto estava tão coberto de areia que ela mal conseguia distinguir seus traços, mas o queixo firme e as maçãs do rosto deixavam perceber uma beleza estonteante. Sua testa era uma massa de sangue seco que a fez conter o fôlego. Porém, foram os olhos dele, de um azul penetrante, que a fascinaram, mesmo quando ele escorregou pela duna: olhos cuja cor não se esperava no meio daquele deserto. Mesmo cambaleante, ele parecia elegante e sensual. Annalisa notou a maneira como ele cruzava os braços sobre o peito e se assustou: estaria ferido? Ela seria capaz de lidar com ferimentos e escoriações. Afinal, era filha de seu pai. Mas eles estavam muito longe de qualquer recurso médico e suas habilidades eram limitadas. Ela escalou a duna desajeitadamente, agarrando-se à toalha, tentando controlar o pânico. Quase o alcançara quando ele tropeçou e caiu de joelhos, estonteado, estendeu os braços e olhou para ela.

— Pegue, querida. — A voz dele não passava de um murmúrio rouco, áspero e indistinto. Annalisa se abaixou para ouvi-lo. — Cuide dele.

Ele abriu os braços, deixou cair um animalzinho sujo e desmaiou.

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