Helena sempre acreditou no amor. Acreditava nos encontros inesperados, nas promessas feitas ao pé do ouvido e naquelas histórias em que duas pessoas enfrentavam o mundo para ficarem juntas.O que ela nunca imaginou era que, um dia, seria a protagonista de uma história que talvez não tivesse um final feliz.
Tudo começou numa sexta-feira.
Ela havia saído do trabalho mais tarde do que de costume e resolveu entrar em uma pequena cafeteria no centro da cidade. Precisava de alguns minutos de paz, longe das cobranças da família e das preocupações que pareciam crescer a cada dia.
Foi quando o viu.
Ele estava sentado perto da janela, vestindo uma camisa escura, com os cabelos levemente bagunçados e um livro aberto sobre a mesa. Havia algo no jeito como ele observava a chuva que chamou a atenção dela. Parecia carregar uma tristeza que não queria dividir com ninguém.
Helena tentou não olhar novamente, mas seus olhos insistiram em voltar para ele.Na terceira vez, foi surpreendida.
- Você está procurando alguém? - perguntou o desconhecido, com um sorriso discreto.
Ela ficou vermelha.
- Não! Desculpa. Eu só estava olhando a chuva.
Ele fechou o livro devagar.
- Então temos algo em comum. Também gosto de observar a chuva. É como se, por alguns minutos, o mundo ficasse em silêncio.
Helena sorriu. Pela primeira vez naquele dia, sentiu que podia respirar sem pressa.
- Meu nome é Helena - disse ela.
- Gabriel.
Aquele nome ficaria guardado na memória dela muito antes que pudesse imaginar o motivo.
Foi bom conhecer você.
Ela sorriu.
- Também gostei de conhecer você.
E então ele foi embora.
Helena voltou para casa com o coração estranhamente leve. Não sabia quase nada sobre aquele homem, mas havia algo nele que despertava uma curiosidade que ela não conseguia explicar.
Naquela noite, antes de dormir, lembrou-se do sorriso de Gabriel e se perguntou se voltaria a vê-lo.
O que ela não sabia era que o destino já havia preparado o reencontro.
E que, quando descobrisse quem Gabriel realmente era, desejaria nunca ter entrado naquela cafeteria.
Porque Gabriel carregava um segredo.Um segredo capaz de separar os dois antes mesmo que o amor tivesse a chance de nascer.
E, às vezes, o coração escolhe justamente a pessoa que a vida inteira nos ensinou a não amar.
Continua...