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Prometida ao Homem Errado

Prometida ao Homem Errado

5.0
10 Capítulo
39 Leituras
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Gabriela foi prometida a Beto antes mesmo de nascer. Unidos por uma promessa entre suas mães, os dois cresceram juntos e viveram um amor de infância que todos acreditavam terminar em casamento. Mas uma traição foi apenas o começo. Mentiras, ciúmes e segredos destruíram o futuro que Gaby acreditava estar escrito para ela e a fizeram abandonar sua cidade natal. Dez anos depois, uma nova ferida a leva de volta às suas origens, movida pelo desejo de vingança. Entre antigos sentimentos, verdades escondidas e uma inesperada segunda chance, Gaby descobrirá que talvez tenha passado a vida acreditando no homem errado. Porque algumas promessas escondem segredos. E alguns destinos escondem o verdadeiro amor.

Índice

Prometida ao Homem Errado Capítulo 1 PRÓLOGO: A Promessa

Minaçu/Goiás - 1.989.

Glória passou a mão devagar sobre a barriga, como se o simples gesto fosse capaz de proteger a criança que carregava.

Alice percebeu. Percebia quase tudo quando se tratava da amiga.

- Você está fazendo isso de novo.

Glória ergueu os olhos.

- Isso o quê?

- Fingindo que não está com medo.

Um sorriso pequeno apareceu em seus lábios, mas desapareceu depressa.

- Talvez porque eu esteja tentando não pensar nisso.

Alice se aproximou e sentou-se ao lado dela no sofá. No chão da sala, Beto brincava com dois carrinhos, completamente alheio à conversa das duas mulheres. Tinha apenas dois anos e já parecia ter energia suficiente para ocupar a casa inteira.

- O médico disse que está tudo bem - Alice lembrou.

- Hoje.

- Glória...

- Hoje está tudo bem - repetiu ela, baixando os olhos para a barriga. - Da outra vez também esteve. Até deixar de estar.

Alice ficou em silêncio. Não havia frase bonita capaz de apagar o que a amiga vivera.

Duas vezes Glória havia engravidado. Duas vezes fizera planos. Duas vezes voltara para casa sem o filho que esperava.

Aquela terceira gravidez chegara acompanhada de uma felicidade que ela quase não se permitia sentir.

Alice segurou sua mão.

- Desta vez vai dar certo.

Glória soltou uma risada sem humor.

- Você sempre teve essa mania de decidir o futuro.

- E quase sempre acerto.

- Quase.

- Está bem. - Alice fingiu indignação. - Depois de tantos anos de amizade, você ainda duvida de mim?

Glória finalmente sorriu.

Aquilo, pelo menos, continuava igual. Desde meninas, elas haviam dividido segredos, sonhos, brigas, reconciliações e uma quantidade absurda de planos. Cresceram imaginando que fariam tudo juntas.

Até os casamentos aconteceram assim: duas amigas entrando na mesma igreja, no mesmo dia, para se casarem com dois homens que também eram grandes amigos. Na época, aquilo parecera a confirmação de que nada conseguiria separá-las.

Depois vieram os planos para os filhos. Alice engravidara primeiro, enquanto, para Glória, os meses de espera haviam se transformado em anos de frustração, médicos, esperança e perdas que nenhuma das duas previra quando sonhava com duas crianças correndo juntas pelas casas vizinhas.

Alice olhou para o menino no chão.

- Beto, meu amor, não bata o carrinho na parede.

Ele interrompeu o movimento por alguns segundos e olhou para a mãe.

- Não bati.

Alice arqueou uma sobrancelha.

- Ainda.

Glória riu. O menino voltou a brincar.

- Está vendo? - Alice falou. - Você precisa ter logo esse bebê. Meu filho está precisando de companhia.

- Ah, claro. Então toda essa sua preocupação comigo é porque você quer alguém para entreter o Beto.

- Finalmente descobriu.

Glória balançou a cabeça.

- Interesseira.

- Desde sempre.

O silêncio que veio depois foi confortável. Alice observou a amiga por alguns instantes.

- Você ainda não quis saber se é menino ou menina.

Glória negou com a cabeça.

- Não.

- Por quê?

Ela demorou a responder.

- Porque não quero me apegar mais do que já estou.

Alice sentiu o coração apertar.

- Você já está apegada.

Glória deixou escapar uma respiração profunda.

- Eu sei.

- E sabe que não vai sofrer menos só porque não escolheu o nome ou a cor do quarto.

- Também sei.

- Então?

Glória voltou a acariciar a barriga.

- Acho que estou esperando ter certeza de que vou conseguir trazer meu bebê para casa.

Alice apertou a mão dela.

- Você vai.

- Não pode saber.

- Posso acreditar.

Glória olhou para a amiga, e Alice sustentou seu olhar.

- Nós sempre planejamos ter nossos filhos juntas, lembra?

- Como esquecer?

- E nossos planos só estão um pouquinho atrasados.

- Dois anos não são "um pouquinho".

- Para uma amizade que já dura quase uma vida inteira? São nada.

Glória sorriu outra vez.

- Você não desiste nunca, não é?

- Nunca.

Beto abandonou um dos carrinhos e se aproximou das duas. Encostou a mãozinha na perna de Glória e olhou para sua barriga.

- Bebê?

Glória se emocionou.

- É, meu amor. Tem um bebê aqui.

O menino franziu a testa, concentrado.

- Sai?

Alice riu.

- Vai sair. Mas ainda não.

Beto tocou a barriga com cuidado, e Glória cobriu a mãozinha dele com a sua.

Por alguns segundos, Alice apenas observou os dois. Uma ideia surgiu de forma tão simples que, mais tarde, ela talvez nem soubesse dizer quem a tivera primeiro.

- Imagina se for uma menina.

Glória olhou para ela.

- O quê?

Alice apontou para Beto.

- Uma menina.

- E daí?

- Já pensou?

Glória estreitou os olhos, desconfiada. Conhecia aquele brilho.

- Lá vem você.

- Nossas famílias ficariam unidas para sempre.

Glória soltou uma gargalhada.

- Alice!

- O quê?

- Você está falando sério?

- Talvez.

- Eles nem nasceram direito e você já está arranjando casamento?

Alice olhou para o filho, que continuava com a mão sobre a barriga de Glória.

- Não seria bonito?

- Seria loucura.

- Uma loucura bonita.

- Você é impossível.

- E você está sorrindo.

Glória tentou conter o sorriso, mas não conseguiu.

- Nem sabemos se é menina.

- Então fazemos assim.

Alice se ajeitou no sofá, agora inteiramente entregue à brincadeira.

- Se esse bebê for uma menina...

Glória esperou.

- ...um dia ela se casa com o Beto.

- Alice!

- Estou falando sério.

- Você acabou de admitir que é uma loucura.

- As melhores ideias quase sempre começam assim.

Glória olhou para Beto. O menino havia perdido o interesse na barriga e agora tentava subir no sofá entre as duas. Alice o ajudou, e ele imediatamente se acomodou perto de Glória.

- Olha isso - Alice insistiu. - Já gosta dela.

- Ele nem sabe que existe uma "ela".

- Então você acha que é menina?

- Eu não disse isso.

- Mas pensou.

Glória riu.

Por alguns instantes, toda a ansiedade pareceu menor. A criança estava ali, viva e crescendo. Imaginar o futuro deixou de parecer uma afronta ao medo para se transformar, por alguns minutos, em esperança.

- Está bem - Glória disse.

Alice abriu um sorriso.

- Está bem o quê?

- Se for menina...

- Sim?

Glória apontou um dedo para a amiga.

- E se nascer saudável...

A brincadeira perdeu um pouco da leveza. Alice compreendeu o que aquela condição significava e segurou a mão de Glória novamente.

- Vai nascer.

Glória respirou fundo.

- Se for menina e nascer bem... um dia pode se casar com Beto.

Alice apertou os dedos dela.

- Pode, não. Vai.

- Não abuse.

- Promete?

Glória olhou primeiro para a amiga. Depois, para o menino sentado entre elas.

Beto brincava com os próprios dedos, sem a menor ideia de que seu nome acabara de ser colocado no futuro de uma criança que ainda não conhecia.

Glória sorriu.

- Prometo.

Alice estendeu a mão.

- Então está prometido.

Glória entrelaçou os dedos aos dela.

- Está prometido.

As duas riram da solenidade absurda que haviam dado à brincadeira e, embaladas pela esperança, continuaram imaginando o futuro. Falaram sobre batizado, sobre os filhos crescerem juntos e sobre uma amizade que passaria de uma geração para outra. Decidiram que seriam madrinhas dos filhos uma da outra, reforçando ainda mais o laço entre as famílias.

Naquele momento, nenhuma delas enxergava qualquer perigo naquilo.

Era apenas amor. Era esperança. Era a maneira que duas amigas encontravam de acreditar que tudo ficaria bem.

Meses depois, em julho de 1989, Gabriela Monteiro nasceu.

Menina. Pequena. Muito desejada.

E viva.

Quando Alice a viu pela primeira vez, Glória estava cansada, mas sorria como Alice não a via sorrir havia muito tempo.

- Eu falei que ela viria - Alice murmurou.

Glória olhou para a filha nos braços.

- Falou.

- E também falei outra coisa.

Glória ergueu os olhos imediatamente.

- Nem comece.

Alice sorriu.

Beto estava ao lado dela, pequeno demais para compreender por que os adultos pareciam tão fascinados por aquele bebê. Alice se abaixou e o aproximou do berço.

- Olha, filho.

Beto observou Gabriela.

A menina mexeu uma das mãos. Ele estendeu a sua e tocou os dedos minúsculos dela.

Glória levou a mão à boca, emocionada.

Alice olhou para a amiga. Nenhuma das duas precisou repetir toda a conversa daquele dia.

Bastou uma frase.

- Está prometido.

Glória sorriu.

- Está prometido.

E, antes mesmo que Gabriela pudesse aprender a falar, outras pessoas já haviam começado a escrever o futuro dela.

................................

Carta ao leitor

Minaçu, localizada no extremo norte do estado de Goiás, é uma cidade pertencente à bacia hidrográfica do Rio Tocantins. O município abriga as usinas hidrelétricas de Serra da Mesa, uma das maiores do país, e de Cana Brava. A implantação desses empreendimentos contribuiu para o crescimento da cidade e o fortalecimento da indústria, do comércio, do turismo e do lazer.

A história de Minaçu também está profundamente ligada à mineração. O município abriga a mina de Cana Brava, uma das maiores jazidas de amianto crisotila da América Latina, cuja exploração desempenhou um papel fundamental em seu desenvolvimento econômico. Dessa atividade surgiu o nome Minaçu, que significa "Mina Grande".

Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a legislação federal que permitia a exploração e a comercialização do amianto crisotila no Brasil, considerando os riscos que o mineral representa à saúde humana. A interrupção das atividades mineradoras trouxe consequências econômicas e sociais para Minaçu, especialmente em razão da perda de postos de trabalho e da dependência do município em relação à mineração.

Em 2019, o estado de Goiás aprovou uma lei autorizando a extração e o beneficiamento do amianto crisotila exclusivamente para exportação, medida que passou a ser objeto de questionamento judicial.

Diante das transformações econômicas vividas ao longo de sua história, Minaçu buscou diversificar suas atividades, encontrando no turismo e no lazer novas oportunidades de desenvolvimento.

Embora este romance utilize acontecimentos relacionados à história e à economia de Minaçu como pano de fundo, Prometida ao Homem Errado é uma obra de ficção, fruto da livre criação artística da autora.

Os personagens, os relacionamentos e as situações narradas não pretendem retratar fielmente a realidade vivida pela população minaçuense, por quem a autora nutre profunda admiração e respeito.

Qualquer semelhança entre os personagens e acontecimentos fictícios desta obra e pessoas ou situações reais será mera coincidência.

💬 NOTA DA AUTORA

E então... vocês acham que essa promessa é romântica ou já começaram a enxergar uma bela confusão vindo por aí? 😂

Se gostou do capítulo, deixe seu like. Isso ajuda muito a história a crescer por aqui. ❤️

Nos vemos no próximo capítulo!

Nelma de Paula

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