Os mortais nunca me interessaram. Só confio nos meus irmãos. Além disso, há algo em mim que me impede de criar laços - um segredo que só pode ser revelado ao meu verdadeiro companheiro, aquele que os guardiões escolheram para mim.
- A propósito, me chamo Antônio. Sou o zelador do palácio. Ele os esperou por milhões de anos, príncipes da realeza sobrenatural. - Sua voz é carregada de emoção.
Reviro os olhos. Odeio bajuladores.
Alec ergue o braço para me ajudar a subir no cavalo. Montamos e seguimos em direção ao palácio. Alguns mortais nos observam, uns com curiosidade, outros com temor.
- Não quero que saibam de nossa volta. Faremos um baile para isso. - Minha voz sai cortante. - E não quero ser desobedecida.
Meus olhos brilham vermelhos quando falo. Antônio engole em seco.
- Como desejar, alteza. - Sua voz trêmula entrega o medo que sente.
***
O palácio é imponente, mas cansativo. Aviso Alec que irei descansar, e ele pede para Antônio nos mostrar os quartos.
Diante de um corredor com três portas, pergunto:
- Qual deles é o meu?
- O do meio, alteza. O primeiro é o do príncipe Alec, e o terceiro, do príncipe Adam.
- Ótimo. - Me viro para entrar. - Não quero ser perturbada.
- S-sim, alteza.
Meus irmãos me beijam na testa, e entro.
O quarto é aconchegante. Vou ao banheiro preparar meu banho - prefiro fazer isso sozinha, pois só eu sei como gosto da água. Depois, visto uma camisola, deito na enorme cama e durmo.
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Adam
Com Alissa dormindo, eu e Alec reunimos os serventes no salão principal. Eles se enfileiram, atentos.
- Chamamos vocês aqui para... - Começo, mas Alec me interrompe.
- Para avisar que organizaremos um baile. - Ele sorri de lado. - E é melhor que estejam preparados, tanto fisicamente quanto psicologicamente.
Sei que está se referindo à nossa irmã. Alissa pode ser insuportável para quem não a conhece.
- Ela está encarregada dos preparativos. Sigam suas ordens e sairão daqui com a cabeça intacta.
Alguns serventes engolem em seco.
- Amanhã, ela explicará os detalhes. - Concluo. - Estão dispensados.
Quando todos saem, Alec suspira.
- Temos muito a resolver, mas estou exausto.
- Eu também. Vamos dormir. Amanhã continuamos.
Como irmão mais velho, sempre cuidei deles. Desde cedo, aprendi que não devemos confiar em ninguém. Muitos reinos querem nos exterminar por sermos híbridos. O que eles não sabem é que híbridos são imortais.
Nosso verdadeiro medo? Que descubram nosso maior segredo.
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Alissa
Acordo com um barulho estranho.
Abro os olhos e me arrependo imediatamente - a claridade me cega por um instante. Quando minha visão retorna, vejo três mulheres diante de mim.
- Bom dia, alteza. - Uma loira de olhos verdes sorri.
- Viemos ajudá-la a se preparar para o café. - A mais jovem, uma morena de olhos castanhos, retira um vestido vermelho do closet.
- E a senhorita está atrasada. - A ruiva de olhos negros entra no banheiro.
Cruzo os braços.
- Agradeço a ajuda, mas eu mesma preparo meu banho. Apenas me ajudem a vestir o vestido.
Elas trocam olhares estranhos, mas obedecem.
No banho, reflito sobre tudo o que está acontecendo. Meu retorno ao reino, os perigos ocultos, o baile... Há muito mais em jogo do que parece.
Quando volto ao quarto, descubro que a loira se chama Ana, a morena é Luzia e a ruiva, Juliana.
Após me vestir, escovo os cabelos e sigo para a sala de jantar. Apenas Alec está à mesa.
- Bom dia, irmã. Adam teve que resolver um problema.
Estranho.
- Bom dia, Alec.
Me sento ao seu lado e tomo o café em silêncio.
Assim que terminamos, ele me informa que estou encarregada do baile. Perfeito. Passo o dia organizando tudo: decoração, comida, bebidas, música... Horas exaustivas.
Quando finalmente termino, olho para os fundos do palácio. Há uma floresta. Meu coração acelera. Faz tempo que não faço isso.
Corro.
Assim que entro na mata, tiro o vestido e me transformo.
Minha forma lupina é magnífica: pelos acinzentados e olhos roxos, que se tornam vermelhos quando exerço autoridade. Sou um híbrido alfa.
A liberdade me preenche. Corro como nunca.
Paro diante de um riacho, admirando meu reflexo.
Então, sinto.
Alguém me observa.
Meus olhos varrem a floresta. E então o vejo.
Um lobo.
Congelo. Isso é impossível. Eu e meus irmãos somos os últimos de nossa espécie.
Mas ele está ali. Vivo. Real.
Seu cheiro me atinge: menta.
É viciante.
Sinto uma necessidade absurda de me aproximar. E ele também.
Damos um passo um em direção ao outro.
Quando estamos a um centímetro de distância, sua voz invade minha mente.
- Minha.
Meu peito se aperta, e a resposta vem instintivamente.
- Meu.
{...}