Naquela noite, eu a pediria em casamento, durante a festa de comemoração dos cinco anos da minha empresa. Ela estava estonteante. Seus olhos brilhavam de felicidade e só de olhar para ela, meu coração se enchia de paz.
Depois do discurso do meu amigo Otto, caminhei até o palco, capturando a atenção de todos os convidados. Lá, abri meu coração.
Meus olhos encontraram os dela - já marejados de lágrimas. De felicidade, claro.
- Lauren Zart, você aceita se casar comigo? - Desci do palco, caminhei até ela, ajoelhei-me e abri a caixinha com as alianças.
- Sim, sim, sim! Eu aceito me casar com você! - Seu sorriso ia de orelha a orelha. Ela estava radiante, e eu ainda mais.
Levantei-me, abracei-a com força, a ergui no ar e a beijei. Trocamos as alianças. Um momento mágico. Mas então, as luzes do salão se apagaram. Lauren se agarrou a mim, assustada.
Quando as luzes se acenderam novamente, o pesadelo começou.
Homens armados, encapuzados, tomavam o salão.
- Olha só quem tá aqui... Steve Aeryn. - Um deles disse.
- Esse é meu. - outro falou, apontando a arma direto para mim. E antes que o disparo pudesse ecoar, Lauren se jogou na frente.
O tiro a acertou.
As sirenes da polícia logo invadiram o ambiente. Os bandidos fugiram. Eu me ajoelhei no chão, com minha noiva ensanguentada em meus braços.
- Amor, por favor, aguenta firme... A ajuda está chegando... - Minhas lágrimas caíam sem controle.
- Steve...
- Poupe suas forças, amor. Fica comigo. Fica acordada.
- Me desculpa, meu amor... - uma lágrima solitária escorreu de seus olhos. - Eu sinto que... tenho que ir.
- Não! Não fale isso! Vamos nos casar, vamos ter nossos filhos correndo pela casa... Amor, por favor, não me deixe!
- Eu te amo, Steve. - E então, ela deu seu último suspiro... levando consigo tudo o que eu era.
- LAUREEEEENNN!!!
Acordo mais uma vez suado, ofegante, com o coração disparado.
Aquela noite ainda me assombra.
Foi o começo do meu fim.
A primeira ferida antes de tantas outras.
Afundei na dor. Mergulhei em festas, mulheres, vícios.
Até que veio o acidente. Aquele maldito acidente de carro que me deixou preso em uma cadeira de rodas.
Deus ainda brinca comigo.
Era pra eu ter morrido duas vezes. E nas duas, Ele me poupou.
Talvez eu seja apenas isso pra Ele: uma marionete destinada a sofrer.
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Rose Sully
Hoje é um daqueles dias difíceis.
Faz exatamente oito anos desde que descobri que tenho leucemia.
Oito anos desde que meus pais morreram num acidente de carro.
E, pra completar, mais um ano desde que a mãe do meu sobrinho nos abandonou, alegando que uma criança atrapalharia sua "vida de liberdade".
Hoje, mais uma vez, o pequeno Eddy pergunta onde está sua mãe. E por que ela nunca aparece em seus aniversários.
É um dia pesado.
Mas como sempre, eu, meu irmão e Eddy seguramos a barra.
Juntos. Como uma família.
- Roseee! - meu irmão grita lá de baixo e eu saio às pressas do quarto.
- O que foi? O Eddy perdeu a bombinha de novo? - pergunto já preocupada, procurando meu sobrinho com os olhos.
Eddy tem asma. Qualquer emoção forte pode ser um risco. Tenho que estar sempre atenta.
- Calma, titia! Eu tô bem. - diz ele, sorrindo. - O papai só tá chamando pra irmos pra empresa. Você tá pronta?
A porta se abre e minha loira preferida entra no quarto:
- Olá, mundo! A luz da vida de vocês chegou! - Ravena anuncia, arrancando minha risada.
- Essa daí é muito convencida. - comenta Johny, meu irmão.
- Cala a boca e vamos logo! Quero dançar muito com o meu pequeno príncipe. - Ela pega a mão de Eddy e o faz girar. - Tá gato, hein?!
- Estou pronta! - digo. Todos me olham ao mesmo tempo.
- Uau... - sussurram. - Você tá linda.
- Amiga, se eu fosse homem, te pegava fácil! - Ravena brinca, batendo palmas.
- Ai, Rav... só você mesmo.
Entramos no carro do meu irmão. Ele foi estacionar e seguimos para o hall de entrada da empresa.
Hoje comemoramos os 15 anos da Império Vinícola, uma das maiores produtoras de vinho do país. Johny, além de advogado da empresa, é amigo dos sócios.
- Chegamos! - Eddy anuncia animado.
Mas assim que pus os pés naquele lugar, todos os olhares se voltaram para mim. O som das conversas se calou, restando apenas a música suave de fundo.
Então, vi.
Do outro lado do salão, duas piscinas azuis me encaravam com surpresa.
Era ele.
Steve Aeryn.
{...}