Olivia riu. É, ela tinha que concordar... uma ajuda seria muito bem-vinda.
- Ethan está cuidando de outras coisas.
A expressão de Melissa dizia claramente o que pensava sobre aquilo. Ethan sempre estava "cuidando de outras coisas", enquanto isso, Olivia era quem resolvia os problemas.
Mas ela não se importava. Ou, pelo menos, tentava acreditar nisso. Desde o início, ela e Ethan haviam construído aquele sonho juntos. Quando ele teve a ideia da empresa, cinco anos atrás, trabalhava num pequeno escritório alugado e mal conseguia pagar as contas.
Ela esteve ao lado dele. Criou campanhas, captou clientes, passou noites sem dormir, abriu mão de promoções, abriu mão de férias, abriu mão de si mesma. E agora... estavam prestes a se casar.
Valeria a pena. Era isso o que repetia para si mesma sempre que a dúvida ou o cansaço lhe invadiam.
- Vai embora - disse Melissa. - Você merece aproveitar sua última noite de solteira. Nem a festa de despedida você quis fazer!
Olivia sorriu.
- Eu prometo que saio em meia hora.
Melissa balançou a cabeça, sabia que não adiantaria nada discutir.
- Você é impossível.
- Boa noite.
- Boa noite, futura senhora Hayes.
Quando a porta se fechou, o silêncio tomou conta do ambiente. Olivia voltou a digitar, os dedos voavam pelo teclado. Planilhas, relatórios, previsões financeiras. Tudo precisava estar perfeito para a reunião da semana seguinte.
Mesmo durante sua lua de mel.
De repente, seu celular vibrou. Ela sorriu imediatamente, julgando ser seu noivo, mas o sorriso desapareceu ao ver um número desconhecido. Franziu a testa e atendeu.
- Alô?
Por alguns segundos, ouviu apenas respiração, depois uma voz feminina. Baixa, tensa.
- Você é Olivia Carter?
- Sim.
- Não temos muito tempo.
- Desculpe, quem está falando?
A mulher ignorou a pergunta.
- Seu casamento é amanhã, certo?
Um arrepio percorreu sua nuca.
- Sim...
- Então... você precisa cancelar.
Olivia ficou imóvel.
- O quê?
- Você precisa cancelar.
- Quem é você?
- Isso não importa.
- Claro que importa!
- Seu noivo está mentindo para você.
O coração dela disparou.
- O que está acontecendo?
Silêncio. Então:
- Veja as mensagens que vou enviar.
A ligação foi encerrada. Olivia permaneceu olhando para a tela. Confusa, irritada. Talvez fosse alguma brincadeira de mau gosto. Talvez alguma ex-namorada ressentida. Talvez alguém tentando estragar seu casamento.
Nada além disso.
Ela largou o celular sobre a mesa e tentou voltar ao trabalho. Não conseguiu.
Cinco segundos depois, o aparelho vibrou novamente. Uma mensagem, depois outra. E outra. Seu estômago afundou.
Abriu a conversa, havia quatro fotos. Por um instante, ela nem compreendeu o que estava vendo. Seu cérebro se recusou, como se as imagens não fizessem sentido, como se fossem montagens.
Mas não eram.
Porque reconheceu imediatamente o homem: Ethan. Seu Ethan, seu noivo, o homem com quem se casaria em menos de vinte e quatro horas.
Nas fotos, ele estava abraçado a uma mulher, beijando-a. Rindo com aquela mulher. Entrando num hotel com aquela mulher.
Olivia sentiu o ar desaparecer dos pulmões.
Não. Não. Não.
Isso não podia ser real! Suas mãos começaram a tremer. Ela ampliou uma das imagens onde a mulher estava de costas. O cabelo loiro caía pelos ombros. Familiar... muito familiar. Olivia aproximou ainda mais.
E então viu a pulseira. Uma pulseira dourada com um pingente em formato de estrela. Ela mesma havia dado aquele presente. No aniversário da melhor amiga. Vanessa.
O mundo pareceu inclinar. O escritório girou. Ela se levantou tão rápido que a cadeira bateu contra a parede.
Vanessa não faria isso. Vanessa era praticamente sua irmã. Estavam juntas desde a adolescência, ela seria madrinha do casamento, ajudara a escolher o vestido, a decoração, as flores. Tudo.
As lágrimas começaram a embaçar sua visão quando seu celular vibrou novamente. Nova mensagem. Desta vez, um vídeo.
Com dedos trêmulos, ela apertou o play. A gravação tinha apenas alguns segundos, mas foi suficiente: Ethan e Vanessa, beijando-se. Sem qualquer dúvida. Sem qualquer possibilidade de interpretação. Sem qualquer esperança.
Olivia sentiu o chão desaparecer. Uma náusea violenta subiu por sua garganta. Ela correu até o banheiro e mal conseguiu chegar à pia antes de vomitar. As mãos agarraram a porcelana enquanto seu corpo tremia e as lágrimas caíam sem controle.
Ela não sabia quanto tempo ficou ali. Minutos. Talvez mais. Quando finalmente conseguiu levantar a cabeça, seu reflexo no espelho parecia o de uma estranha: olhos vermelhos, rosto pálido, expressão devastada.
Seu celular tocou. Ethan. Ela encarou o nome na tela, o coração se despedaçando.
Atendeu.
- Amor.
A voz dele soou normal, feliz, leve. Como se nada estivesse acontecendo.
- Você ainda está trabalhando?
Olivia não respondeu.
- Olivia?
Ela fechou os olhos.
- Onde você está?
- Em casa.
Mentira. Ela percebeu imediatamente. Porque uma das fotos havia sido tirada menos de uma hora antes.
- Tem certeza?
- Claro.
- Sozinho?
Silêncio curto, quase imperceptível. Mas suficiente.
- O que aconteceu? - perguntou ele.
Olivia sentiu algo quebrar dentro de si, algo definitivo, irreversível.
Ela desligou sem responder, sem explicar, sem chorar. Apenas desligou.
Então, abriu o aplicativo de localização compartilhada. Digitou o nome de Vanessa e a bolinha azul apareceu no mapa em um endereço que ela conhecia. Era o apartamento da amiga no centro da cidade.
As mãos dela apertaram o celular, o peito queimando. Amanhã deveria ser o dia mais feliz de sua vida... mas, naquele instante, ela soube.
Seu mundo acabara de desmoronar.
E ela sentia que estava prestes a descobrir o quanto os escombros seriam piores do que imaginava. Porque, pela primeira vez em cinco anos, Olivia Carter estava indo atrás da verdade.
E não tinha ideia de que aquela verdade destruiria tudo.