Seu pai estava encostado na pesada porta de carvalho, como se o peso do mundo acabasse de esmagá-lo. Sua gravata estava desfeita, pendurada frouxamente ao redor do pescoço; seu cabelo, sempre penteado para trás com gel, estava bagunçado, e seu rosto... seu rosto tinha a cor das cinzas.
- Papai, o que aconteceu? - Valeria correu até ele, segurando-o pelo braço pouco antes de seus joelhos cederem. Ele cheirava a tabaco velho e suor frio. Cheirava a medo.
- Acabou, Valeria - murmurou ele, com a voz embargada, uma sombra do barítono autoritário que costumava fechar negócios milionários na cidade. - Acabou tudo.
Ela franziu a testa, tentando processar as palavras enquanto o ajudava a caminhar até a sala principal.
- Do que você está falando? Foi a fusão com os investidores asiáticos? Eu te disse para não se preocupar, podemos vender a casa de verão nos Hamptons se precisarmos de liquidez...
Rodrigo soltou uma risada seca, um som terrível desprovido de qualquer humor. Ele se deixou cair no sofá, cobrindo o rosto com as mãos.
- Não há casa de verão, Valeria. Não há ações. Não há contas na Suíça. - Ele separou os dedos para olhá-la com olhos injetados de sangue. - Não há nada. Eu perdi tudo.
Valeria sentiu um zumbido nos ouvidos.
- Tudo? Isso é impossível. Somos os De la Vega. Nossa fortuna tem gerações...
- Eu a apostei - confessou ele, em um sussurro que atingiu Valeria mais forte que um tapa. - Eu estava desesperado. As dívidas se acumulavam, os bancos fechavam as portas... Precisava de um golpe de sorte. Uma última jogada para salvar a empresa.
Valeria deu um passo para trás, horrorizada. Seu pai não era um jogador. Era um empresário.
- Você apostou... nosso patrimônio? - perguntou, com a voz trêmula.
- Contra ele. Achei que poderia vencê-lo. Achei que era apenas um novo rico arrogante, um vira-lata com sorte... - Rodrigo passou a mão pelo cabelo, tremendo. - Mas ele sabia cada movimento que eu ia fazer. Brincou comigo como um gato com um rato moribundo.
- Quem, papai? Quem tem todo o nosso dinheiro?
Rodrigo ergueu o olhar. Em seus olhos havia um terror puro, primitivo.
- Dante Volkov.
O nome aterrissou na sala como uma sentença de morte. Valeria conhecia esse nome. Todos na alta sociedade o conheciam, embora ninguém o convidasse para suas festas. Eles o chamavam de "O Lobo de Ferro". Um homem que havia surgido do nada, devorando empresas falidas e destruindo legados familiares apenas por esporte. Diziam coisas terríveis sobre ele: que não tinha alma, que seus negócios beiravam a ilegalidade, que em suas veias corria gelo em vez de sangue.
- Volkov... - repetiu ela, sentindo um calafrio. - Certo. Advogados. Ligaremos para os advogados amanhã. Declararemos falência, venderemos esta casa, nos mudaremos para um apartamento pequeno. Podemos começar do zero, papai. Estamos juntos.
Rodrigo balançou a cabeça em negação, e as lágrimas começaram a rolar por suas bochechas enrugadas.
- Você não entende, filha. Não foi uma aposta legal. Foi... um acordo privado. Se eu não pagar até amanhã ao meio-dia, não apenas tirarão a nossa casa. Irei para a prisão por desvio de fundos. Ele tem as provas, Valeria. Ele tem minha vida na palma da sua mão.
Valeria sentiu o chão se abrir sob seus pés. Prisão. Seu pai, um homem de sessenta anos com o coração fraco, não sobreviveria uma semana na prisão.
- Quanto? - perguntou ela, enrijecendo a mandíbula. - Quanto ele quer para deixá-lo livre? Venderei minhas joias, meu carro, tudo.
- Ele não quer dinheiro - disse Rodrigo. Sua voz baixou tanto que Valeria teve que se inclinar para ouvi-lo. - Ofereci a ele tudo o que me restava. Implorei. Eu disse que te deixaria sem herança para pagá-lo.
- Então, o que ele quer?
Rodrigo ergueu o olhar e encarou a filha. Ele a olhou como se fosse a última vez que a via. Havia vergonha em seu olhar, uma vergonha tão profunda que fez o estômago de Valeria revirar.
- Ele fez uma contraproposta. Disse que perdoaria a dívida. Que queimaria os documentos que me incriminam e deixaria a mansão no meu nome...
- Em troca de quê? - gritou ela, perdendo a paciência.
- Em troca de você.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Valeria piscou, certa de ter ouvido mal.
- O quê?
- Ele quer você, Valeria - soluçou seu pai, desmoronando completamente. - Um contrato. Um ano. Quer que você trabalhe para ele. Que viva sob o teto dele. Que seja sua... propriedade exclusiva. Ele disse que esse é o preço pela minha liberdade.
Valeria sentiu o ar abandonar seus pulmões. Não era uma oferta de emprego. Era uma venda. Dante Volkov não queria uma assistente; ele queria um troféu. Queria humilhar o grande Rodrigo de la Vega levando a única coisa pura que lhe restava.
- Você me vendeu... - sussurrou ela, com lágrimas de incredulidade ardendo em seus olhos.
- Eu não disse sim - apressou-se em dizer seu pai, segurando as mãos dela com desespero. - Eu disse não a ele! Preferiria morrer a entregá-la a esse monstro. Irei para a prisão, Valeria. Não me importo.
Valeria olhou para o pai. Viu o tremor em suas mãos, o terror em seus olhos diante da ideia da prisão, a fragilidade de sua velhice. Se ele fosse para a prisão, morreria lá. E Dante Volkov ficaria com tudo de qualquer maneira.
Ela se soltou suavemente do aperto do pai e se levantou. Caminhou até a grande janela que dava para os jardins escuros. Em algum lugar daquela cidade, em uma torre de vidro e aço, um homem estava esperando para destruir a sua vida.
Um homem que acreditava poder comprar tudo.
Valeria secou uma lágrima solitária que escapou por sua bochecha. Sua vida de luxos, festas e preocupações superficiais havia terminado cinco minutos atrás. Agora, restava apenas a sobrevivência.
Ela se virou para o pai, de queixo erguido e com uma frieza nova no olhar.
- Você não irá para a prisão, papai - disse com voz firme. - Ligue para Volkov. Diga a ele que aceito o acordo.
Amanhã ela conheceria o Diabo. E pretendia olhá-lo diretamente nos olhos.