coração. Eu estava de costas para o balcão, os olhos fixos na pista, tentando focar em
u Júlia, já indo ao encontro do namora
protegida. Estar sozinha ali, com os pensamentos mergulhado
scura. Pedi uma água com gelo, na tentativa frustrada de me refr
ar firme, frio, calculado... e ao mesmo tempo, carregado de algo mai
vimento de um jogo. A distância entre nós parecia encurtar a cada passo lento que e
le não podia estar vin
lado, era impossível
ue em sua pele quente. Ele se apoiou no balcão com o a
com a voz rouca e baixa, como se cada palavra tiv
de reprovação
ços marcados do seu rosto, os cabelos perfeitamente penteados para tr
, tentando manter a voz firm
meu rosto, pescoço, a curva dos ombros à mostra.
rmurou, com um meio sor
ndi. - Meu par
o se ele mesmo estivesse surpreso por ter deixado escapar. Ficamos em silênci
e restava no copo e deixando-o sob
a si mesmo do que pra mim. - Mas ainda não ti
ia. Claro que sabia. Mas não completamente
uma tentativa desesperada de colocar um
um passo. Seu ombro qu
o certeza
ares presos e co
vozes, a música, as luzes
igo. E num piscar de olhos, ele se afastou, mas não sem antes lançar um
s e um sorriso bobo no rosto. Estava colada ao namorado, que a
hos brilhando. Caio já estava ali, segurando-a pela cintura com um sorriso de
belo atrás da orelha. - Vou ficar mais u
Júlia franziu a t
dois aproveitem -
sagem que a gente volta pra te bu
to que
ério, Emma. - Júlia ainda me olho
á b
a. O barulho dos copos, o cheiro de álcool misturado ao perfume adocicado q
seu olhar, levantei a
escansava na mão, os dedos firmes segurando o vidro. Oliver Jones. Os olhos fixos em mim, tão inten
um músculo. Só me observav
. O álcool queimou minha garganta, mas não apagou o calor que ele já tinha acendido
mas antes que pudesse abrir o aplicativo para pedir um c
i devagar. Ele estava ali. M
m. Ia pedi
osso te levar - ele se aproximou um passo, a
mos no outro dia - dei de ombro
a 1801. Eu
Eu deveria dizer não. Era o certo. Mas alguma
reto esportivo que parecia custar o suficiente para comprar um ap
.. en
chou a porta com firmeza, deu a volta e se acomodou no banco do motorista. O pe
çando a linha da mandíbula e o olhar concentrado. Não falamos nada nos prime
e. Foi quando, ao manobrar para sair de uma rua estreita
sital. Mas po
meu corpo, e a sensação se espalhou rápido demais.
e a mão no câmbio, perto demais da minha pele,
o consegui
se à beira de algo proibido. Algo que eu sabia que poderi
qualquer conversa. Cada vez que seu braço se movia para trocar de marcha, o calor da su
briu minha porta. O gesto foi simples, mas carregado de algo qu
mais quente e pesado. Eu me encostei na parede, tentando manter distân
nos bolsos. Seus olhos, mesmo quando não me encarava d
rou. Um pequeno grito escapou da minha garganta antes que eu pude
rave soou perto do meu
mo se quisessem ancorar meu corpo ao dele. Mas
entre as mãos. Seus dedos quentes roçaram minha pele, e o polegar d
recia ter desaparecido, restando apenas nós
Meu corpo inteiro respondeu antes mesmo de acontecer, o meu coração di
solavanco. As luzes se estabilizaram, e ele soltou
Meu corpo tremia, não pelo sus
silêncio denso entre nós dizendo mais do que qualquer
u baixa, quase um sussurro carregado
espondi, ainda sem
rás de mim, percebi que nã
*
alguns segundos para processar o que tinha acabado de acontecer. Ainda sentia o calor das mãos dele segurando
lerta. A respiração curta. O
a quente escorrer pela pele, tentando acalmar algo que não t
, me fez morder o lábio. Tentei afastar a imagem, mas ela voltou com mais força.
inho. Um tecido fino, leve, que cobria apenas o necessário. Não era prop
fria, mas o céu limpo deixava as estrelas mais nítidas. Apoiei os cotove
passos, virei o ros
de moletom cinza. Sem camisa. O peito largo e definido, iluminado pela lu
dificuldade pra dormir - disse,
ando manter o tom leve, m
va nossas varandas. Os olhos passearam por mim d
lhar demorando mais do que deveria nas minhas pern
tem tantos por aqu
dícula. Então, com um movimento calmo, colocou o copo sobre a m
sumir. Ele ficou perto o suficiente para qu
rmurei, mas minha voz saiu mais como
rave quase roçando meus lábio
e deslizou para a minha nuca, puxando-me para mais perto. Seu
se momento desde o segundo em que me viu pela primeira vez. Minhas mãos subir
dele, o toque firme, o cheiro in
us lábios ainda ardiam e minhas pern
soubesse que tinha acabado de atravessar
iv
la... ainda quentes contra os meus. O sabor doce misturado ao álcool. O olha
ento em que meus dedos tocaram a pele macia
ra um homem que vive com as mãos dentro de um corpo aberto, na sala d
a estava em mim. E
e, está a vinte anos de distância da minha vida, do meu mundo, do meu passado.
i o copo de uísque e virei o restante de um gole só. O líquido queim
a entre nós. Mas minha mente já tinha guardado cada detalhe - a forma como ela me olhou quando
tudo... eu
o novamente, deixando a água quente bater nos ombros. Eu precis
dela que surgia. Os lábios entreabertos. Os olh
fui para a cama. Liguei o abajur, encarei o teto por algu
o uma linha, e agora..
*
Não dormi. Passei a madrugada virando na cama,
ecia bem. Cumprimentei alguns médicos de forma automática e segui direto para minha sala.
mente me traía. Voltava sempre para o toque dela. Para a forma como sua respir
concentração. Ele entrou com aquele ar relaxado de quem nunc
s pra fazer - respondi seco, s
que se divertir? É
resp
irúrgico, revisei a agenda do
á pendurado no bolso, cabelos presos num coque frouxo. Emma Carter. Finalmente li
encontraram por cima da máscara pendurada no queixo. N
i o leve rubor nas bochechas, o jeito como suas mãos me
ia das dez - anunciou minha instrumentado
Mas, ao lavar as mãos, vi meu reflexo no vidro
ia o gosto da minha resi
da responsabilidade pulsava nos meus ombros. Lavei as mãos, retirei o jaleco cirúrgico
os e digitando anotações apressadas. Alguns levantaram os olhos quando entrei e logo se reme
. Jaleco aberto, uniforme azul-claro debaixo, cabelo preso de forma prática. Ela cruzou o espaço sem sequer olhar para mim e pe
va ali, começaram a sair. Primeiro dois, depois
ir embora que minha voz saiu
virou de imediato. Depois, lenta
prontuário nas mãos, tenta
olado -, eu sou seu professor. Apesar de não estar ministrando as aulas ag
ha, e o canto da boca se
- Sua voz veio carregada de ironia. - Somos ape
ente pareceu
eijo não tivesse roubado o fôlego dos dois. Eu deveria agradecer
ivo, aquilo me irr
direção à porta, mordendo o lábio inferior como s
meu corpo. Minha
antes que ela pudesse sair, minha mão segu
gar. Ela respondeu na mesma intensidade, como se tivesse esperad
contra mim. Uma delas subiu por baixo do uniforme azul
O mundo sumiu. Só restava aquele contato pr
spirações estavam pesadas. Ela manteve os
que estav

GOOGLE PLAY