O médico a examinou e notou o corte profundo em sua perna, que chegava até o osso. "Você também precisa de atendimento urgente. Onde está seu marido?"
Após dezenas de ligações não atendidas, o celular de Bethany estava quente em sua mão trêmula, o desespero tomando conta dela. "Ele não atende."
O terrível acidente havia acontecido há apenas uma hora, durante a volta de Bethany e sua filha, Charlotte Stewart, do jardim de infância.
O motorista morreu instantaneamente no banco da frente, enquanto Bethany e a filha, no banco de trás, sofreram ferimentos graves.
Seu marido, Brian Stewart, era a única pessoa que poderia ajudá-la agora, mas não atendia.
"Respire fundo. Temos sangue AB negativo em estoque." O médico suavizou o tom, vendo o pânico tomar conta dela. "É raro, mas recebemos uma grande remessa há alguns dias. Também chamamos os melhores especialistas de Slenale para ajudar na cirurgia. Quando sua filha receber a transfusão e esses médicos chegarem, ela deve se recuperar."
Bethany finalmente conseguiu respirar um pouco mais aliviada.
Com a voz tremendo, ela segurou a mão do médico. "Obrigada. Por favor, faça tudo que for necessário. Meu marido é do Grupo Stewart. Ele vai recompensar generosamente todos que ajudarem."
"Temos um problema!" Uma enfermeira voltou correndo, totalmente ofegante. "O banco de sangue informou que Brian Stewart já levou todo o estoque de sangue AB negativo. Ele mandou buscar para uma de suas secretárias, que está com anemia."
A notícia atingiu Bethany com tanta força que ela mal conseguia raciocinar.
Ela havia ligado para Brian mais de trinta vezes desde o acidente, e ele ignorou todas, mas encontrou tempo para pegar todo o sangue que poderia salvar a filha deles e entregá-lo a uma secretária que só se sentia tonta.
"Ligue para o senhor Stewart novamente", o médico ordenou. "Digam que uma criança vai morrer sem esse sangue."
A enfermeira balançou a cabeça. "Já liguei. Ele disse que a vida da secretária é tão importante quanto."
"Continue tentando." O médico murmurou um xingamento antes de perguntar: "E os especialistas? Quanto tempo falta?"
A enfermeira hesitou antes de responder: "Eles não vêm. O pessoal do senhor Stewart os interceptou e os redirecionou para a secretária dele."
O corredor ficou embaçado ao redor de Bethany, enquanto a escuridão começava a tomar conta das bordas de sua visão.
Ela se apoiou na parede e lutou para permanecer de pé.
Com as mãos trêmulas, ela encontrou o número da secretária de Brian, Lexie White, e ligou para ela.
"Bethany? O que aconteceu?" Lexie atendeu com sua voz gentil de sempre.
A voz de Brian ecoou ao fundo. "Lexie ainda está muito fraca. Se devolvermos o sangue agora e a condição dela piorar, o que faremos?"
Bethany apertou o celular com toda a força que tinha. "Quero falar com Brian. Agora."
A voz de Lexie assumiu um tom magoado, como se estivesse assustada. "Brian, pedi tantas vezes para você atender a Bethany, mas você recusou. Agora ela está descontando tudo em mim..."
Brian pegou o telefone segundos depois, irritado. "Qual é o seu problema, Bethany? Lexie não está bem. Como chefe dela, sou responsável por ela. Você tem tanto ciúme que não deixo nem cuidar dela por algumas horas?"
Bethany mordeu o lábio com tanta força que doeu. "Charlotte e eu tivemos um acidente de carro. Ela está perdendo sangue rapidamente e estamos no hospital. Ela precisa de sangue AB negativo e de uma equipe de especialistas de cuidados intensivos agora. Se ela não receber a transfusão em breve, vai morrer."
A linha ficou em silêncio por vários segundos.
Quando Brian finalmente respondeu, cada palavra carregava descrença e repulsa. "Você foi longe demais desta vez, Bethany. Você está mesmo mentindo sobre a Charlotte estar à beira da morte? Que tipo de mãe usa a própria filha assim só porque está com ciúme de mim?"
Ele desligou, e as próximas ligações não completaram.
Bethany sentiu a esperança esvair-se, mas recusou-se a desistir. Recorreu aos assistentes e amigos próximos de Brian e ligou para cada um, implorando ajuda. No entanto, só recebeu desprezo.
"Desculpe, senhora Stewart, o senhor Stewart nos pediu para não repassar suas mensagens."
"O senhor Stewart disse que você precisa parar de usar sua filha para alimentar seu ciúme. Ele quer que você se acalme."
"Bethany, Lexie não está tentando tomar seu lugar. Por que envolveria Charlotte nisso?"
Cada minuto que passava fazia a situação parecer ainda mais sem esperança.
Bethany mantinha os olhos fixos nas portas da emergência, já sem lágrimas. Sua filha tinha apenas seis anos, sua viada mal havia começado, e um atraso agora poderia tirar sua vida.
"Todos os especialistas em Slenale respondem ao senhor Stewart. Ele também controla o fornecimento de sangue." O médico olhou para ela desabando no chão, a simpatia transparecendo em seu rosto. "Sua única chance é pedir ajuda a Leacrest. É a cidade mais próxima, mas o transporte levaria cinco horas. Sua filha não tem esse tempo."
Leacrest?
Bethany se levantou de repente. "Espera. Talvez ainda haja alguém que possa nos ajudar."
Com dedos trêmulos, abriu seus contatos bloqueados e encontrou o número que procurava.
Respirou fundo antes de ligar. "Você me disse uma vez que me daria qualquer coisa que eu pedisse se eu concordasse em me casar com você. Essa promessa ainda vale?"
"Vale", respondeu uma voz calma e profunda.
Bethany fechou os olhos. "Minha filha ficou gravemente ferida em um acidente de carro e pode não sobreviver. O hospital precisa de sangue AB negativo e de especialistas em cuidados intensivos..."
"O hospital tem heliporto?", interrompeu o homem, firme e decidido, antes que ela pudesse terminar. "O sangue e a equipe médica estarão aí em menos de uma hora."