No fim da vida, não queria partir carregando tantos arrependimentos.
No momento, tinha dois objetivos.
Dormir com alguém e encontrar os pais.
Queria encontrar os pais porque precisava saber, antes de morrer, por que tinham abandonado ela.
O primeiro objetivo, porém, parecia bem mais fácil.
Naquela noite, tinha ido beber em uma boate e, ao mesmo tempo, avaliava todos os homens ao redor, tentando encontrar o candidato perfeito para tirar sua virgindade.
Não era esse tipo de garota que se jogava em cima dos homens, mas também não queria morrer sem saber como era fazer sexo.
Com o álcool correndo nas veias, ficou mais ousada do que jamais tinha sido. Quando fez a proposta ao homem ao lado, não esperava que ele fosse ainda mais impaciente do que ela.
E foi assim que os dois acabaram no hotel.
Agora, seu corpo inteiro vibrava de expectativa.
"Tsc, tsc... além de bonito, ainda tem um corpo desses."
Fabiola soltou a frase enquanto continuava passando as mãos pelo homem.
À medida que seus dedos desciam pelos botões e o peito dele ia aparecendo aos poucos, o tremor em suas mãos ficava cada vez mais evidente.
No último botão, o homem segurou as mãos dela, afastou com impaciência e arrancou a camisa de uma vez. Os botões saltaram, caindo em algum canto do carpete.
Fabiola encarou aquele peito nu diante de si.
O rosto ardeu na mesma hora.
Embora já tivesse visto alguns filmes adultos, na vida real era sua primeira vez. Ao observar, atônita, os movimentos decididos do homem, sentiu de repente uma pontada de hesitação.
Mas ele não deu chance para recuar. Com uma mão grande, puxou ela para cima, deixando sua cabeça tonta. No instante seguinte, Fabiola já estava presa debaixo dele.
"Ah! Espera... espera." Fabiola tentou resistir ao cheiro forte e masculino que vinha dele.
"Quer que eu espere?" Os lábios finos do homem se apertaram em uma linha reta, deixando claro seu desagrado. A tensão em seu corpo ficava cada vez mais evidente, e a mulher que tinha ousado provocar deveria estar preparada para as consequências.
"Agora é tarde para se arrepender."
A voz fria ecoou no quarto. Antes que Fabiola pudesse responder, as roupas que usava foram rasgadas com rapidez e brutalidade. Ela encarou o homem com raiva, culpando aquela falta completa de delicadeza.
Ao ver o vestido reduzido a pedaços, ficou arrasada. Tinha pago uma fortuna por aquela peça só para conseguir entrar naquele bar tão exclusivo.
Quanto mais pensava nisso, mais furiosa ficava. Tentou se levantar, mas, assim que estendeu a mão, o homem segurou seu pulso e prendeu acima de sua cabeça.
Logo, uma dor aguda se espalhou entre suas pernas.
"Ah! Está doendo..." Fabiola arqueou as costas por instinto, tentando aliviar a dor de algum jeito.
O homem franziu a testa diante daquela sensação apertada e inesperada. Seria a primeira vez dela?
Tinha imaginado que uma mulher tão desinibida no bar jamais seria virgem. Por isso aceitara ir para a cama com ela.
Embora estivesse sob efeito de uma droga, ainda era o presidente do Grupo Prestige. Tinha acesso aos melhores médicos, por isso Lorenzo nunca havia cogitado recorrer a uma mulher como solução. Aconteceu por acaso: estava saindo do bar quando aquela mulher caiu em seus braços.
Os guarda-costas ao redor ficaram chocados com a cena, e o suor começou a escorrer por suas testas. Todos sabiam o quanto o chefe odiava mulheres. Qualquer uma que chegasse a menos de três metros dele, ficava proibida de aparecer diante dele outra vez.
E, mesmo assim, aquela mulher tinha ousado se jogar em cima dele.
Por um segundo, os guarda-costas se esqueceram de expulsar ela dali. Lorenzo, por sua vez, ficou surpreso ao perceber que não sentia nenhum desconforto físico. Apenas um desejo puro e intenso subia nele.
Antes, sempre que uma desconhecida tocava nele, seu corpo desenvolvia uma alergia severa. Era um segredo que ninguém conhecia, exceto Carlos, o assistente que o acompanhava.
Lorenzo lançou um olhar discreto, e Carlos logo entregou em sua mão o cartão de acesso da suíte presidencial do hotel sete estrelas.
Assim que entraram no quarto, a mulher empurrou ele para a cama com impaciência.
O que veio depois aconteceu quase naturalmente. Lorenzo diminuiu o ritmo sem perceber, e logo gemidos baixos escaparam da mulher sob ele.
O quarto ficou tomado por uma atmosfera quente e proibida. Fabiola sentia como se estivesse boiando no mar, subindo e descendo conforme conforme as ondas, envolvida por uma sensação desconhecida, confusa e intensa.
Não sabia quanto tempo aquilo durou. Só depois de um rosnado rouco do homem o quarto finalmente voltou ao silêncio.
Na escuridão, Lorenzo observou a mulher adormecer. Suas sobrancelhas grossas se franziram. Por que justamente aquela mulher tinha se tornado a exceção à sua regra?
Um brilho súbito chamou sua atenção. Lorenzo olhou para o pulso dela.
Uma pulseira?
Já tinha visto aquela pulseira na casa de seu tutor.
No mesmo instante, os olhos antes calmos se tornaram afiados e assustadores.
Fabiola estremeceu involuntariamente enquanto dormia. Gemeu baixinho e tentou puxar o cobertor de volta quando uma dor atingiu seu pulso.
Quis ver o que tinha acontecido, mas estava exausta demais. Em meio ao torpor, pareceu enxergar um rosto bonito se aproximando.
Só que os olhos daquele homem eram ferozes.
Parecia que ele queria destruir ela.